Meu filho não me obedece!

Como você está educando esta criança? Será que ela está se tornando uma pessoa responsável para assumir responsabilidades? 

Por Amanda Sampaio Queirós

 

Filho obediente ou responsável? Afinal, qual é o um dos maiores anseios dos pais? Muitos diriam que a tão falada obediência ganharia disparada em relação aos outros “competidores”, já que é perseguida incessantemente, na esperança de dominar os rebentos.

 

Talvez uma das recomendações mais feitas pelos pais quando vão se ausentar e precisam deixar seus pequenos com alguém seja “Obedeça!”. Essa tentativa de manter tudo sob controle e saber que as crianças estão submetidas a alguém responsável transmite uma sensação ímpar de segurança.

 

Às vezes, tomar conhecimento de que o filho comportou-se mal e não acatou as regras estabelecidas e combinadas pode trazer uma impressão de fracasso e frustração. Como se essa situação representasse deficiência nas estratégias adotadas pelos pais para desenvolver uma boa educação nas crianças.

 

 

Vontade própria

 

Muitas vezes, desobedecer faz parte do desenvolvimento de uma criança. À medida que os bebês crescem, entram em conflito de ideias com os pais naturalmente. As opiniões contrárias são recorrentes e acontecem das situações mais simples às mais complexas. Por outro lado, se a natureza não fosse assim, e os filhos seguissem tudo o que os pais propõem, como aprenderiam a pensar?

 

Essa capacidade de raciocínio, quando bem orientada, conduz ao caminho da responsabilidade. Palavra que pode significar o que realmente os pais esperam que os filhos construam bem cedo na vida.

 

 

Autoridade x Autoritarismo

 

“Para termos um adulto responsável, antes é necessário termos uma criança obediente”, afirma a psicóloga Lucimeire Tomé, especialista em Psicologia Escolar e Educacional. Então, tudo começa com a obediência. Mas esse conceito nem esbarra na ideia de opressão ou autoritarismo. “A obediência é trabalhada com autoridade, é exercida com firmeza e afetividade; ao contrário do autoritarismo, imposto através de agressividade e repressão”, diferencia.

 

“O erro mais comum cometido pelos pais é exercer a educação com autoritarismo. Pais e educadores autoritários inibem a expressão livre da criança, favorecendo o surgimento de alguém inseguro e reprimido”, complementa Lucimeire. Contudo, respeitar a criança como um ser autônomo que carrega raciocínio e vontade próprios não significa deixar de oferecer limites a ele.

 

“No início da vida infantil, é importante que as crianças se submetam às regras dos pais, até mesmo como um fator de proteção à vida delas”, quem garante é a psicóloga Vivian Cancellara, especializada em Psicoterapia Infantil. Não se pode esquecer que, por vezes, obedecemos a convenções sem concordar com elas. Isso ensina a lidar com frustrações e entender que não somos onipotentes.

 

 

Caminho para ser responsável

 

De acordo com Vivian, os limites devem ser mostrados desde bem cedo aos pequenos, independentemente da idade deles. “Quando mais novos, eles precisam de regras mais claras e simples, sem grandes discursos ou explicações dos pais, assim fica mais fácil entender para obedecer”.

 

A responsabilidade vem depois, segundo ela. Na idade escolar, quando as crianças já conseguem entender os conceitos de forma mais abstrata, há a internalização das regras. Assim, vão construindo o senso de responsabilidade, refletindo sobre o que é correto ou não. Esse aprendizado ético vai além do cumprimento das regras já estabelecidas e é o que consolida a sociabilidade da criança.

 

 

Obediência e Dependência

 

Nessa busca pelo comportamento que traga tranquilidade aos pais, a autonomia conquistada envolve diretamente a capacidade de se tomar decisões e a postura diante da vida, já a noção de independência estaria mais ligada aos procedimentos e menos a princípios.

Por outro lado, vale enfatizar que obediência não é anular a vontade da criança. Ela faz parte da ação responsável dos pais em conduzir os filhos, enquanto são seres dependentes. “Filhos são naturalmente dependentes dos pais e obediência refere-se à dependência”, analisa Lucimeire Tomé. Isso significa que os pais são responsáveis por todos os comportamentos, até a criança ter autonomia intelectual e física para assumir responsabilidades.

 

Ela também explica que é muito mais comum a criança obediente desenvolver um senso de responsabilidade do que uma desobediente. Ou seja, a obediência seria a premissa para tornar-se alguém responsável.

 

 

Mini adultos, não!

Quando se fala em ser responsável, fica fácil pensar em deveres, preparação para a vida adulta. Isso tudo caminha simultaneamente com o desenvolvimento da criança, de maneira natural. Deixar os pequenos agirem à maneira deles, quando possível, permite que desenvolvam o senso de responsabilidade pelo seu próprio comportamento.

 

É importante não perder de vista que a criança precisa viver o momento da infância plenamente, sem exigir coisas que ela ainda não esteja pronta para fazer. Isso pode trazer consequências para a sua formação psíquica. “Se for repreendida em tudo que fizer, ela pode deixar de desenvolver sua espontaneidade, o que prejudicará sua relação com as pessoas e com as coisas”, alerta Vivian Cancellara.

 

 

Nossas fontes:

Lucimeire Tomé é psicóloga, especialista em Psicologia Escolar e Educacional

Vivian Cancellara é psicóloga com especialização em Psicoterapia Infantil

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