Intolerância à lactose: um distúrbio mais comum do que se imagina

​Por Rose Araújo

 

 

Leite é o primeiro alimento do ser humano. E, seja por hábito, necessidade ou gosto, acompanha as pessoas nas suas refeições diárias, tanto puro, quanto com café ou chocolate ou no preparo de vários pratos. Imaginar a vida sem ele é bem complicado, mas muitas pessoas não podem ingerir o leite (principalmente o de vaca), por possuírem intolerância à lactose.

 

Esse problema se caracteriza pela falta de uma enzima no organismo, a lactase, que ajuda a quebrar o açúcar do leite (lactose). “Como não tem a sua digestão completa, esta lactose sofre fermentação no intestino e produz excesso de gases, dor abdominal, empachamento, distensão abdominal e, em casos de grande intolerância, pode levar a diarreia”, explica o médico Nilton Carlos Machado, professor de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica da Unesp de Botucatu.

 

O problema pode ser genético ou adquirido. No primeiro caso, a pessoa nasce com essa predisposição e o transtorno passa a se manifestar por volta dos 4 anos de idade. “Este processo genético está ligado mais frequentemente a famílias com descendência negra, oriental, árabe e indígena (que, na realidade, têm o gene trazido nas migrações para a formação da população das Américas)”, explica o médico.

 

Já a intolerância adquirida geralmente tem como causa alguma lesão no intestino, causada por inflamação, infecção ou distúrbio, como a Síndrome do Intestino Irritável. Nesse caso, a intolerância pode ser temporária. “Após a recuperação da lesão com o tratamento correto da doença que a causou, o intestino recupera a quantidade de lactase e o indivíduo passa a digerir adequadamente a lactose e não ter mais sintomas”, afirma Machado.

 

 

Sintomas

 

Eles aparecem geralmente após a ingestão de leite e derivados. Dependendo do grau de intolerância, podem ser amenos ou mais severos. Vão desde dor de barriga na região do umbigo até náuseas, diarreia e assadura na região anal.

 

Podem ser confundidos ou vir junto com outros problemas de digestão, parasitose intestinal, especialmente a giardíase, e com a Síndrome do Intestino Irritável. Por isso, é necessário prestar atenção em qualquer sintoma para avaliar caso a caso.

 

Diagnóstico

 

Para saber se o que está acontecendo é realmente a intolerância à lactose, existem alguns métodos. O primeiro, mais simples, consiste na retirada dos laticínios da alimentação por um período de uma semana (com indicação médica) para avaliar se os sintomas aliviam.

 

De acordo com Machado, o exame mais indicado para fazer o diagnóstico é o Teste de Tolerância à Lactose. “É bem simples: consiste em dar a lactose pura para o paciente beber. Se ele não fizer a digestão adequada, esta lactose vai fermentar no intestino e o produto desta fermentação será um gás chamado hidrogênio”, explica. “Este vai ser eliminado com a flatulência e parte dele será eliminado com a respiração. Assim, colhemos o ar que a pessoa ´expira´ e dosamos a quantidade de hidrogênio. Após um cálculo simples, sabemos se o paciente é intolerante à lactose ou não”, enfatiza o médico. A maioria dos convênios não cobre esse exame, que é mais frequentemente realizado em ambientes de hospitais universitários.

 

 

Vida sem leite?

 

Confirmada a intolerância, a pessoa precisa deixar de consumir a lactose. Se for um distúrbio adquirido devido a uma infecção, o esperado é que a intolerância desapareça assim que o organismo se reabilitar.

“Se for do tipo que herdamos de nossos pais, o que vai acontecer é relacionado com o grau de intolerância individual. Algumas pessoas toleram um pouco de leite (por exemplo, somente pela manhã, mas não conseguem tomar mais leite ao longo do dia, porque têm sintomas)”, salienta Machado.

 

Os derivados do leite geralmente são bem aceitos pelo organismo, pois no processo de produção a fermentação faz com que percam a lactose. Assim, esse seria um bom caminho para consumir os nutrientes do leite sem passar mal.

 

No caso das crianças, os pais devem ficar atentos ao que os filhos comem quando estão longe deles. Festinhas de aniversário, por exemplo, são o paraíso da lactose, com várias guloseimas feitas com leite. Muitos pais mandam uma “marmitinha” com doces feitos por eles para os filhos comerem nessas comemorações.

 

 

O que evitar?

- Leite de vaca

- Leite de cabra

- Queijo fresco

- Manteiga

- Requeijão

- Creme de leite

- Iogurtes (costumam ser mais bem tolerados que o leite)

- Bolachas, bolos e pudins

- Adoçantes em pó

 

 

Opções de leite e derivados para intolerantes

- Leite com baixa lactose

- Leite de soja

- Leite de arroz

- Queijos brie, camembert, roquefort, cheddar, parmesão, prato e emmental (são mais gordurosos e calóricos que os brancos)

 

 

Intolerância x Alergia

 

A intolerância à lactose e a alergia ao leite são dois problemas completamente diferentes, tanto em causa quanto em sintomas. A alergia alimentar (no caso do leite de vaca) é uma reação de hipersensibilidade (alérgica) à proteína do leite, ou a outras proteínas como: proteína da soja, do ovo, do camarão, do amendoim etc. “Já a intolerância à lactose não é uma reação alérgica e sim uma dificuldade na digestão. Na alergia o paciente pode ter manifestações na pele (urticária) o que não acontece na intolerância à lactose”, explica.

 

 

Nossa fonte

Nilton Carlos Machado, professor-adjunto da disciplina de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu  (UNESP)

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