Saúde embaixo d'água

Com a natação, as crianças beneficiam o organismo, se divertem e aprendem a ter mais segurança em ambientes aquáticos.

Por Marisa Sei

 

Para afastar as crianças do sedentarismo e promover um desenvolvimento saudável a seus filhos, a dica é mostrar tipos de atividades que, além de movimentar o corpo, também sejam divertidas. Nesse sentido, a natação é uma ótima aliada. “A criança aprende de uma forma lúdica, o que facilita o aprendizado”, diz o professor de natação infantil Daniel Santos.

 

E a prática pode começar desde bem cedo, a partir dos seis meses de idade. Isso mesmo: até os bebezinhos podem usufruir dos benefícios de se movimentar na água. E, segundo um estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, a natação trabalha o sistema respiratório e melhora o desenvolvimento motor. A pesquisa foi feita com 19 bebês de dois a sete meses que tiveram que realizar algumas atividades na piscina. Após cinco anos, o equilíbrio e a coordenação motora dessas mesmas crianças foram avaliados e, segundo os pesquisadores, o resultado já era esperado: quem praticava natação se saiu melhor na avaliação.

 

Só benefícios

Foi por recomendação da pediatra que a empresária Rogeria Pinheiro dos Santos matriculou seu filho Pedro Henrique, de quatro anos, nas aulas de natação. Pedro tinha crises constantes de bronquiolite e, segundo Rogeria, elas diminuíram após o início da prática, que agora completa nove meses. “A natação ajuda no desenvolvimento geral, na coordenação, na musculatura, e também proporciona à criança uma autonomia e senso de limites”, opina a empresária.

 

Outra pesquisa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), confirma a percepção da mamãe Rogéria quanto à melhora do filho: nadar faz muito bem para quem tem problemas respiratórios. O esporte diminui a hipersensibilidade dos brônquios nas crianças asmáticas, reduzindo as crises de falta de ar. Participaram da pesquisa 30 pessoas entre sete e 18 anos, que fizeram aulas de natação duas vezes por semana, durante 50 minutos. Depois de três meses, todos os participantes apresentaram melhora na asma e não tiveram crises sérias no período.

 

 “Coordenação motora, resistência física, noção de espaço e melhora da parte auditiva e visual são outros benefícios ganhos”, lista o professor de natação. O exercício pode, ainda, colaborar com o desenvolvimento comportamental dos pequenos. “A natação estimula a criança a compartilhar coisas, como os brinquedos, e a conhecer a necessidade de respeitar regras”, complementa Daniel.

 

Técnica de sobrevivência

 

Aprender a nadar não faz somente a criança sair do sedentarismo, mas também eleva sua segurança em ambientes aquáticos, já que o afogamento é a terceira causa de morte acidental em crianças e adolescentes no mundo. Especificamente para proteger os pequenos desses acidentes, existe a técnica chamada de Infant Swimming Resource (ISR), criada nos Estados Unidos e que vem ganhando o mundo todo. “É indicada para crianças a partir de seis meses. A técnica da ISR é baseada no aprendizado sensorial motor, portanto é de fácil assimilação, uma vez que a criança estará aprendendo da mesma maneira que aprende no seu dia a dia. Quanto antes, mais seguro!”, explica a instrutora de ISR Jana Berger.

 

Com a ISR, os bebês aprendem a não se afogar em situações de emergência, ao cair em alguma piscina, por exemplo. As possibilidades de a criança sobreviver a um acidente aquático dependem da capacidade dela para se orientar na água, e continuar a respirar até conseguir sair por si própria ou até ser resgatada. “A ISR ensina crianças dos seis meses aos seis anos competências específicas que lhes permitem salvar suas próprias vidas. Dos seis aos 12 meses, aprendem a rodar a partir de uma posição de face para baixo na água para uma posição de flutuar. O bebê será ensinado a descansar e respirar de costas para a água, boiando, até o socorro chegar”, descreve a instrutora.

 

As aulas são realizadas cinco vezes por semana e duram apenas 10 minutos, o que reduz a possibilidade de fadiga e a ingestão de água. “Uma vez adquiridas as competências de auto salvamento da ISR, estas são estabilizadas e as crianças vão praticá-las com roupas do dia a dia, simulando o que acontece com a maioria delas que caem acidentalmente em piscinas ou outros ‘corpos de água’”, complementa Jana. Em cerca de quatro semanas, as habilidades estão dominadas.

 

Mais de 175 mil crianças já aprenderam a técnica, que já conta com instrutoras no Brasil, nas cidades de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. Quer saber mais? Visite os sites www.infantswim.com e www.isrbyjanaberger.com. No Youtube, o vídeo “Infant Swimming Resource – Miles Self-Rescue” é uma demonstração de como a criança se comporta após aprender a técnica.

 

 

Seu filho peixinho!

 

Antes de matricular seu filho em aulas de natação, confira algumas dicas:

 

  1. Precisa ser prazeroso! Observe se as crianças pequenas estão gostando de praticar o exercício. No caso das maiores, converse antes da matrícula para saber se a modalidade esportiva é de agrado, já que, para apresentar melhores resultados, o ideal é gostar da atividade física.
     

  2. Conheça o local. É importante conversar com os professores e visitar o lugar onde a prática será feita sempre que puder. Assim, você se sentirá mais seguro para incentivar o esporte.
     

  3. Fique de olho! Em muitos lugares, a presença do adulto responsável é obrigatória durante as aulas para crianças de seis meses a dois anos. “A partir dessa idade, não há necessidade, a não ser quando a criança não se adapta à turma, e mesmo assim, por pouco tempo, para não alimentar a dependência”, explica Daniel.
     

  4. Consulte o pediatra. “Há contraindicações em caso de doença respiratória que impossibilite a prática; problema motor sério; problema dermatológico ou algo que impeça a criança de fazer a aula”, avisa o professor de natação. Assim, é fundamental conversar com o pediatra para saber se o seu pequeno está apto para começar a nadar.

 

 

Nossas fontes

Daniel Santos, professor de natação infantil do Espaço Stella Torreão, no Rio de Janeiro

Jana Berger, instrutora de Infant Swimming Resource

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