Mantenha longe do alcance das crianças!

A frase estampada em diferentes embalagens merece atenção: a intoxicação infantil é uma das principais causas de internações. Saiba como evitar esses acidentes

 

Por Marisa Sei

 

O pequeno Arthur, de dois anos, deu um susto na família ao beber goles de desinfetante. Precisou ser levado ao pronto-atendimento e fazer uma lavagem estomacal, além de tomar medicamentos e aumentar muito a ingestão de líquido por alguns dias. “Achamos que ele fez isso porque o produto era avermelhado, lembrando a groselha que ele sempre toma”, conta a tia Thais Farias, estudante de jornalismo.

 

Essa situação, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, é comum: no ano de 2012, 792 pessoas foram internadas em hospitais estaduais por envenenamento acidental e 4 em cada 10 internados correspondem à faixa etária de um a 14 anos.

 

Atenção indispensável

Segundo o clínico geral Lucas Zambon, a maior parte desses casos acontece por simples desatenção dos pais, e porque as pessoas não se preocupam com esse tipo de risco por acharem que não acontecerá com sua criança. “É preciso ter em mente que todo cuidado é pouco, mesmo que tudo pareça seguro dentro do ambiente doméstico. A faixa etária de maior risco é de um a quatro anos, exatamente quando as crianças começam a andar e se deslocar pela casa, além de terem curiosidade para descobrir o que há de novo ao seu redor”, explica.

 

Semelhança perigosa

As intoxicações mais comuns entre crianças envolvem produtos de limpeza e medicamentos. “Muitas vezes, elas acham que os remédios, principalmente os de sabor doce, são balas e acabam engolindo em grandes quantidades”, diz o gerente médico do Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências (Grau), Ricardo Vanzetto. Desinfetantes e detergentes, por exemplo, também têm cores chamativas que podem lembrar sucos ou refrigerantes.Assim, para prevenir problemas, alguns cuidados devem ser tomados:

 

- armazene medicamentos e produtos de limpeza em prateleiras altas, onde as crianças não conseguem alcançar mesmo esticando o braço (para evitar acidentes, como derrubar as embalagens), ouem armários trancados com chave;

 

- instale travas de segurança em portas e gavetas. Esse cuidado, além de evitar que as crianças peguem remédios e outros produtos, também previne acidente com objetos cortantes que possam estar guardados nos armários;

 

- nunca guarde produtos de limpeza em garrafas pet, pois reforça a semelhança com bebidas atrativas.

 

Em caso de intoxicação

Se, mesmo com os cuidados tomados, ocorrer uma intoxicação ou um envenenamento acidental, Dr. Zambon explica que é mais importante saber o que não fazer. “Certas medidas tomadas em casa podem até mesmo agravar algumas situações. Há diferentes substâncias que podem ser ingeridas em acidentes domésticos e cada uma delas tem seu risco”.

 

Assim, o clínico geral recomenda, em primeiro lugar, nunca induzir vômitos. “Podem ocorrer lesões no esôfago e na boca durante a passagem da substância ingerida, além de haver risco do conteúdo do estômago se dirigir ao pulmão, gerando complicações respiratórias”, diz. É fundamental também não dar às crianças xaropes, água ou outros líquidos, pois podem espalhar ainda mais o agente tóxico no trato digestivo e causar vômitos.

           

Cuidados imediatos

Assim que a ingestão de algum produto for percebida por um familiar ou conhecido, é necessário procurar atendimento médico mesmo que não apareçam sintomas, pois certas substâncias só manifestam a intoxicação algum tempo depois.

 

O ideal é levar a embalagem do produto ao pronto-atendimento – as informações do rótulo podem ajudar na consulta médica. Se a criança não for vista no momento da ingestão, procure por pistas como frascos abertos, caixas de medicamento fora do lugar, armários bagunçados. “Mantenha a calma e observe o que está ocorrendo para que isso possa ser dito ao médico. Os sintomas devem ser bem detalhados, pois isso pode levar ao diagnóstico caso não se saiba qual produto foi ingerido”, indica Zambon.

 

Chegando ao pronto-atendimento, diversas medidas podem ser tomadas pelo médico, dependendo da substância ingerida, dos sintomas manifestados e do tempo após a exposição. “Pode ser algo simples como um período de observação dentro do hospital ou até mesmo em casa, para casos muito leves. Casos graves podem passar por uma lavagem gástrica. E ainda há a possibilidade de uso de algum antídoto, porém isso é reservado apenas a substâncias específicas e mais nocivas”, lista o médico.

 

Serviço

Em casos de ingestão acidental de substâncias tóxicas, a recomendação é acionar imediatamente a equipe de resgate médico pelo telefone 193 ou o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pelo 192.

 

Em números

Internações causadas por intoxicação ou envenenamento no estado de São Paulo, em 2012:

Capital e grande São Paulo – 338

Araçatuba – 22

Araraquara – 27

Baixada Santista – 24

Barretos – 8

Bauru – 41

Campinas – 40

Franca – 24

Marília – 64

Piracicaba – 11

Presidente Prudente – 16

Registro – 4

Ribeirão Preto – 24

São João da Boa Vista – 29

São José do Rio Preto – 63

Sorocaba – 47

Taubaté – 9

 

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

 

Nossas fontes:

Lucas Zambon é clínico geral e supervisor do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo
Ricardo Vanzetto é gerente médico do Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências (Grau)

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