Medo, medinho, medão!

É normal uma criança sentir medo, mas os pais podem ajudar a conduzir este sentimento para que não atrapalhe na vida adulta

Por Amanda Sampaio Queirós

O medo faz parte da experiência humana. Não há como passar ileso diante dele.É uma emoção básica, uma resposta a quando estamos expostos a uma situação ameaçadora. Para e pense: sentir medo é bom ou ruim? Especialistas garantem que ele é o principal responsável pela sobrevivência da espécie humana. Sem ele, nossos antepassados não teriam fugido dos predadores e a humanidade poderia estar extinta.

Nas crianças, o sentimento se manifesta desde cedo. Mas você já deve ter percebido que elas nascem “destemidas” – querem pegar tudo o que não pode, se colocam em risco várias vezes, principalmente quando ganham autonomia, como engatinhar, levantar-se, andar, correr... Somos nós, os pais ou responsáveis, que temos que mostrar o perigo e impor os limites. E começamos a deixá-las com medo...

As crianças começam a descobrir o mundo e com ele o medo, pertinente em muitas situações. “Na infância, o medo é mais frequente por estar presente a necessidade de enfrentar um mundo desconhecido e hostil, repleto de novidades”, explica a psicóloga clínica Talita Reis.Segundo Talita, os medos vão se desfazendo conforme o “desconhecido” vai sendo familiarizado e enfrentado no dia-a-dia.

Desde cedo

O lado bom do medo é que ele paralisa: é importante que uma criança entenda que não pode colocar o dedo na tomada ou pendurar-se na janela de um apartamento. Esses “medos” resguardam sua segurança.

Por outro lado, existem os medos criados a partir de um significado que damos a ele. A criança que não quer entrar na escola no primeiro dia de aula, porque tem medo do desconhecido, do abandono, precisa ser incentivada a enfrentá-lo. “Os pais devem conduzir situações assim com muito diálogo, entendendo as dúvidas dos filhos e explicando o que está acontecendo. Tudo com muita sinceridade e buscando estimular a autoestima da criança”, explica Allex Rodrigues, trainer em Programação Neurolinguística.

O medo do primeiro dia de aula, da primeira consulta ao dentista, de dormir fora de casa, são sentimentos naturais, que precisam ser vividos, superados. “A preocupação está no fato de o medo ser exagerado, levando a fobias, paralisando as ações e sendo fator limitante na vida”, explica Allex.

A opinião é compartilhada pela psicóloga. “É preciso que haja um acolhimento e compreensão dos adultos que ouvem as crianças para que elas possam construir ferramentas psicológicas capazes de transformar medo e preocupação em confiança e otimismo”, enfatiza Talita Reis.

O que não fazer

Por outro lado, ter reações agressivas e inibir os pequenos em relação aos seus sentimentos pode ser prejudicial para a vida da criança e até mesmo para a fase adulta. A solução é jamais menosprezar ou castigar a criança por sentir medo.

Em algumas circunstâncias, os adultos acabam por induzir o medo nas crianças.

Medo de policiais, dentistas ou médicos costumam permear o universo infantil e muitas vezes nascem de ameaças promovidas pelos pais. É preciso tomar cuidado!Quando gente grande se aproveita desse sentimento para aterrorizar os pequenos e ameaçá-los, a coisa pode fugir do controle.

Ainda de forma negativa, muitos medos são transferidos pelos pais ou responsáveis (como o medo de andar de avião). “Acontecem de forma não intencional, assim como o processo educacional, que carrega mecanismos de repreensão e ameaças, do tipo: se não fizer isso, vai acontecer aquilo”, argumenta Allex.

Coragem

Pais e educadores são os principais responsáveis em mostrar como a criança deve vencer seus medos, estimulando atos de coragem. Vale desde dar exemplos de situações vividas por experiência própria, como estimular “não temer ao desconhecido”, com a devida cautela. “A criança precisa entender que avançar buscando soluções é um processo de crescimento prazeroso. O ideal é começar essa caminhada em busca de soluções através de pequenos passos, acionando os maravilhosos recursos que possuímos internamente. Isso dá liberdade, vai trazendo segurança e felicidade!”, orienta Allex Rodrigues.

Medo e fobia

Embora um esbarre no outro, há bastante diferença entre essas duas palavras. A fobia está mais ligada à patologia, algo que realmente foge do controle possível. Intimamente relacionada ao exagero, “ela é medo que se transformou em doença e causa reações fisiológicas, como aumento de frequência cardíaca, sudorese, tremor, tonturas, dificuldades para respirar, entre outros sintomas. Causa sofrimento psicológico, alterações na rotina e pode comprometer tudo com que a criança se relaciona”, define a psicóloga Talita Reis. E tem que ser tratado com ajuda profissional.

Nossas Fontes: Talita Reis – psicóloga clínica e orientadora familiar Allex Rodrigues, Master Practitioner Internacional e Trainer em Programação Neurolinguística

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