Geração Alfa: eles já nascem conectados

Nascidos a partir de 2010, essas crianças já vieram ao mundo cercados de tecnologias. Mas e agora, como controlá-los?

 

Texto Amanda Araújo

 

Com três anos de idade, seu filho pede um aparelho eletrônico de presente. Pode ser um tablet ou celular. Ou então ele só fica quieto quando está entretido com vídeos e jogos do tablet? Situação complicada, pois essas “babás eletrônicas” chegaram para conquistar as preferências das crianças, mesmo as bem pequenas. E se em sua casa seu bebê de 1 ano e pouco já sabe passar os dedinhos sobre a tela e encontrar o conteúdo que ele procura, acalme-se. Essa geração já tem nome: Geração Alfa, que são os nascidos a partir de 2010, que já vieram ao mundo cercados de tecnologia.

 

“Nossa geração se vê encantada com estas habilidades e nos pegamos surpresos com a capacidade e facilidade de nossos filhos em lidar com este universo. Talvez estejamos nos esquecendo de que não há bônus sem ônus. E nós, pais, estamos olhando quais são estas perdas? Ou estamos com o olhar viciado para o que é mais cômodo para nós?”, indaga a psicóloga Patrícia Côrrea Cortela.

 

O que é geração alfa?

Já ouvimos falar da geração X, que são os nascidos entre as décadas de 60 e 70; a geração Y, nascidos na década de 80; geração Z, nascidos nos anos 90. Mais recentemente surgiu a Geração Alfa, que se refere às crianças que nasceram a partir de 2010. Essas divisões se referem a uma série de características que cada categoria traz, influenciadas pela história e a cultura de uma época específica. O principal ponto que define a geração alfa é o amplo acesso à informação e à tecnologia, disponíveis e estimulados desde o nascimento dessa geração.

 

Crianças superdotadas?

De acordo com o psicólogo Sérgio Félix, essas crianças não podem ser chamadas de superdotadas. “Os termos que descrevem e classificam uma criança como superdotada são outros. Os superdotados ou crianças de altas habilidades apresentam uma inteligência significativamente superior à média. Alguns tendem a considerar a geração alfa como superior às demais, no entanto, falar em superioridade desta geração de forma genérica é arriscar tomar a parte pelo todo”, explica. E é aí que mora o perigo. Não se deve confundir essa criança com um ‘pequeno e sábio adulto’. É claro que esta geração tem aptidões e habilidades que nascem pela exposição precoce aos meios tecnológicos e, para essas crianças,isso se dá sem grande esforço. A tecnologia está em praticamente todo o seu cotidiano!

 

Essa é a grande diferença dessa nova geração: enquanto para as outras gerações a tecnologia era algo novo a ser aprendido e incorporado, a geração alfa tem isso desde o início da vida. “O que se nota é que são crianças que, em sua maioria, dominam determinadas tecnologias com maior competência em relação às gerações anteriores, mas não, necessariamente, por serem dotadas de habilidades extraordinárias. Isso acontece por terem à sua disposição as ferramentas que as auxiliam neste sentido desde sempre”, explica Patrícia. Além disso, há um incentivo dos adultos em relação à exploração destes dispositivos e a e imitação da criança em relação ao uso ou até abuso que, seus próprios pais, fazem destas tecnologias.

 

Limites e horários

Controlar os horários que os filhos usamessas tecnologias não é algo muito fácil, porém é fundamental! O excesso pode levar a algum tipo de alienação e é importante que toda criança experimente muitas formas de ver e de se relacionar com o mundo ao seu redor. É necessário que o seu pequeno esteja diante de alguém, olhando, tocando, falando, sentindo o cheiro e o sabor do momento. Isso ainda é uma experiência naturalmente insubstituível!

 

Portanto, é importante determinar horários porque isso faz parte do papel dos pais como educadores.As regras e rotina são essenciais e tranquilizantes para a criança, e cada família deve ponderar o que é adequado para a sua realidade. É preciso estar sempre atento aos exageros, para mais ou para menos, e estar sempre próximo. Os pais precisam entender que as crianças não têm senso de limite, e por isso, é importante que se não for determinado e aplicado desde cedo, elas podem crescer sem limites, ansiosas e até mimadas.

 

Outras medidas podem ser oferecidas como passeios em parques, brincadeiras com os amiguinhos e visitas a museus, entre outras atividades que podem até melhorar a convivência em família. “Mais do que temer as tecnologias, que são inerentes e importantes em nossa rotina atualmente, me preocupo em mostrar formas de entretenimento saudáveis, como livros, jogos e contato com a natureza. Se isso for apresentado desde cedo, é bem provável que a criança descubra prazer em se divertir sem precisar de videogame, smartphones e tablets da vida.

 

Como mãe, sinto que minha tarefa de criar e educar também está em exercitar o lado mais gostoso, lúdico e divertido da infância dos meus filhos: o de pintar, correr, jogar bola...”, conta a jornalista Gabriela Besson e mãe do pequeno Domênico de 1 ano e 4 meses.

 

Proibir é o melhor caminho?

Impedir que o filho tenha contato com essas tecnologias não é uma boa opção.Isso pode atrasar o desenvolvimento de uma criança, gerando consequências negativas, como retardo no aprendizado, a exclusão de grupos sociais ou problemas em realizar e desenvolver trabalhos escolares.E, se por um lado os pais tentam impedir que os filhos utilizem essas tecnologias, cada vez mais escolas de todo o país estão trazendo o uso de aplicativos em suas aulas como um complemento do ensino.

 

“Devemos elaborar nossas próprias regras, considerando o que queremos para o futuro de nossos filhos e de nossa relação com eles e o tipo de pessoas que pretendemos formar. A pergunta é: isso é bom para meu bebê de dois anos, ou isso é conveniente para mim?” Patrícia Côrrea Cortela, psicóloga.

 

Nossas Fontes

Patrícia Côrrea Cortela, psicóloga.

Sérgio Félix, psicólogo.

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