HPV é assunto sério

Prevenção pode ir além da campanha iniciada pelo Ministério da Saúde. Meninos e mulheres também devem se precaver

 

Texto Lucy De Miguel

 

Principal causador de câncer de útero, o Papiloma Vírus Humano (HPV) finalmente ganhou a importância devida. Trata-se de uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns. O assunto é sério, pois este tipo de câncer é a quarta causa de mortalidade feminina no Brasil, atrás de AVC, infarto e câncer de mama. Por ano, são diagnosticados mais de 18 mil casos em mulheres e quase 4.800 óbitos. No mundo, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 290 milhões de mulheres têm HPV.

 

A campanha de vacinação iniciada neste ano pelo Ministério da Saúde, voltada para meninas de 11 a 13 anos, já é um importante passo na luta contra a doença, mas não é o único. O governo visa a vacinação nas meninas de 11 a 13 anos, buscando a imunização enquanto elas ainda não iniciaram atividade sexual. Esta faixa se estenderá até os 9 anos, em 2016.

 

Porém, outros grupos também podemse precaver com as vacinas contra o HPV recorrendo às clínicas particulares. É o caso dos meninos de 9 a 26 anos ou até mesmo das mulheres que já iniciaram a prática sexual.

 

Segundo o ginecologista Jefferson Delfino, “a vacina é indicada para qualquer idadeegênero, vida sexual iniciada ou não. Do ponto de vista de Saúde Pública é que a faixa deve ser respeitada. Isso não impede que qualquer pessoa possa se vacinar, mas os benefícios podem ser menores”, conta. É dos 9 aos 13 anos que a produção de anticorpos tem maior eficácia contra o HPV.

 

Para eles

O governo focou a vacinação nas meninas entre 9 e 13 anos objetivando a diminuição do contágio. Imunizando a mulher, diminuem as chances de ela contrair o HPV e contaminar seus parceiros. É o que se chama de “imunidade de rebanho”. Porém, escapam deste grupo meninos que fazem sexo com meninos. O homem pode, no futuro, contaminar uma parceira que não tenha recebido a vacina ou ainda desenvolver outros tipos de cânceres e verrugas genitais. "Nos homens encontramos atualmente infecções por HPV nas regiões genital, anal e orofaringe, com aumento de casos de câncer relacionados ao vírus nessas regiões", explica Renata Fogaça, enfermeira membro da diretoria da Associação Brasileira de Imunizações.

 

A vacina quadrivalente que é oferecida nas clínicas privadas, é exatamente a mesma que vem sendo ofertada pelo SUS, do laboratório MerckSharpDohme (MSD). A vacina também é indicada para meninos e jovens entre 9 a 26 anos, aplicada em 3 doses (0, 2 e 6 meses). O custo da dose na rede privada é em média de R$ 360,00. A eficácia vale tanto quanto para as meninas: é maior quando ainda não iniciaram atividade sexual.

 

Para as mulheres

Mesmo quem ainda não teve HPV, corre o risco de contrair a doença em algum momento da vida. Segundo a OMS, este número pode chegar a 69 milhões de brasileiras. Porém, há dois tipos de vacina oferecidos pelas clínicas privadas que podem ser administrados em mulheres adultas. A própria quadrivalente, oferecida para meninas e meninos, também imuniza a mulher adulta, desde que ela não tenha contraído o vírus. Há também a vacina HPV oncológica (bivalente), que previne contra os tipos 16 e 18 do vírus. Esta não tem limite de idade. Vale a pena uma conversa com seu ginecologista para saber qual a mais indicada.

 

Outros tipos de prevenção que a mulher deve lançar mão são os exames anuais de Papanicolaou, que podem detectar as lesões precursoras do câncer, e o uso da camisinha, fundamental para prevenir outras doenças transmitidas sexualmente, como a sífilis e AIDS.

 

Embora tenha alta incidência, o câncer de colo de útero apresenta forte potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. Por isso, são tão importantes as visitas regulares ao ginecologista e a realização de exames Papanicolaou.

 

Saiba mais

O Papiloma Vírus Humano (HPV) é uma doença sexualmente transmissível. Existem mais de 100 tipos de vírus HPV identificados, porém há quatro deles que incidem em maior quantidade. A vacina quadrivalente protege contra os tipos 6 e 11 da doença, responsáveis por 90% dos casos de verrugas genitais, e 16 e 18, que respondem por 70% dos casos de câncer do colo de útero.

 

Até 2016, o objetivo do Ministério da Saúde é imunizar até 80% do total de 5,2 milhões de meninas entre 9 e 13 anos no país. Senhores pais, fiquem tranquilos. Autorizar a vacinação a partir dos 9 anos não significa que vocês estejam liberando ou incentivando a criança à vida sexual. “É importante haver anticorpos contra o vírus antes do contato com o mesmo. Por isso, vacinar em faixa etária anterior ao início sexual é quando poderemos ter a eficácia máxima da vacina”, explica a ginecologista Márcia Fuzaro Terra Cardial.

 

Neste ano, a campanha do Ministério da Saúde é voltada para meninas que nasceram entre 10/03/2000 até 10/04/2003. Quem completar 11 anos após o dia 10 de abril deve procurar a UBS próxima à sua residência (depois que fizer aniversário), levando a carteirinha de vacinação.

 

Acelerando o processo

O Ministério da Saúde adotou o esquema vacinal estendido, composto por 3 doses (0, 6 e 60 meses). Porém, segundo informações do laboratório MSD, um informe técnico do Ministério da Saúde permite que seja realizada a segunda dose da vacina após dois meses (apenas em clínicas particulares) e a terceira dose após seis meses (o que seria a segunda dose pelo calendário do governo). Desta forma, os pais optam pelo esquema clássico (0, 2 e 6 meses), com duas doses gratuitas pelo SUS e apenas uma paga na clínica particular. Vale à pena conversar com seu pediatra sobre essa possibilidade.

 

 

Nossas fontes

Jefferson de Oliveira Delfino, ginecologista e obstetra, presidente da Sociedade Médica de Sorocaba.

Márcia Fuzaro Terra Cardial, ginecologista e obstetra.

Renata Fogaça, Enfermeira e membro da Diretoria da SBIm, regional São Paulo. 

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