“Porque sim” não é resposta!

Profissionais explicam como agir quando surgem as “temidas” perguntas

 

Texto Amanda Araújo

 

Elas querem saber sobre morte, separação, sexo e religião. Desde bebês, as crianças já observam o ambiente onde vivem e conseguem manipulá-lo com o choro e o riso a seu favor. Mas são as perguntas (ah, tantas perguntas!) que marcam uma conquista no processo de desenvolvimento da criança, pois demonstram que ela já consegue utilizar as informações do ambiente em um raciocínio próprio.

 

“As perguntas são o que chamamos de ‘salto comportamental’, pois constituem um comportamento que dará acesso a um novo patamar de estímulos, os quais permitirão novas e mais complexas aprendizagens”, afirma a psicóloga Adriana Serrano. A partir dos dois anos de idade, os pequenos começam a encher os pais de perguntas que, muitas vezes, são difíceis de serem respondidas.

 

E conforme eles vão crescendo, essas perguntas vão aumentando, como explica o psicólogo Adriano Gosuen: “A partirdos dois anos de idade, as crianças perguntam o tempo todo, desde que se sintam confortáveis e confiem nessas pessoas. Por volta dos três ou quatro anos, as perguntas ganham complexidade, pois as crianças passam a procurar entender melhor quem ela é e quem são os outros, dentro de seu universo social. Aos cinco anos chega fase dos grandes ‘porquês’, no qual as questões  podem ser realmente complexas, até mesmo para os adultos!” Mas será que ignorar e responder com o famoso ‘porque sim’ é a melhor saída?

 

O que fazer?

Adriana explica que o famoso ‘porque sim’ tende a acabar com o comportamento de perguntar. Em geral, é uma resposta dada num momento em que os pais, na verdade, estão se mostrando indisponíveis, sem tempo para o diálogo, para formular uma resposta mais elaborada. “É como se eles dissessem: ‘ah, menino, você é muito chato, me deixa em paz’, o que é péssimo para a criação de um vínculo seguro e de um bom diálogo entre pais e filhos”, diz a profissional.

 

É importante saber que, com esse tipo de resposta, você como pai ou mãe está fechando o canal de comunicação com os filhos, que irão buscar as informações em outras fontes, como amigos e televisão - o que pode levar a muitos problemas.  É preciso respeitar as perguntas das crianças e entender que é uma necessidade delas de organizar as informações que obtêm sobre o mundo ao seu redor.

 

Adriano Gosuen ainda explica que, quando for difícil responder naquele exato momento da pergunta, o melhor a fazer é dizer que vai pensar nela e que poderá responder mais tarde, explicando que aquela não é uma boa hora.

 

Agora, quando a questão for claramente no sentido de questionar uma ordem ou tiver tom de desafio, a resposta é clara: ‘nem sempre a gente faz o que quer, mas deve fazer o que precisa e agora você precisa fazer isso’. “Essa resposta é mais adequada do que dizer ‘porque eu mandei’.

 

Respostas desse tipo indicam à criança que aquela determinação é um desejo arbitrário do adulto e a criança não perceberá que há situações que devem ser enfrentadas por todos, mesmo que não sejam agradáveis. Dessa forma, a criança vai entendendo, lentamente, que há coisas que precisam ser feitas e situações que precisam ser enfrentadas, independentemente de sua vontade!”, conta o psicólogo.

 

O que responder quando meu filho pergunta sobre...

...sexo: antes de responder qualquer questão sobre sexo, pergunte porque a criança quer saber sobre isso. Caso fique difícil explicar com palavras, vale a pena contar com o auxílio de livros específicos para crianças.

 

...morte: é fundamental explicar o ciclo da vida e deixar que a criança entenda que todo mundo nasce, cresce e morre. “Um modo possível de responder – se isso estiver de acordo com a crença da família – é falar que a pessoa ou o animalzinho foi morar em um lugar onde só os mortos moram, e que estão felizes lá”, explica o psicólogo.

 

...separação: a criança precisa entender que os pais não vão mais morar juntos, mas que eles continuarão a ser pai e mãe e que vão amá-la da mesma forma.

 

...religião: pode-se explicar que sua família acredita emalgo e que a família da outra criança possui uma crença diferente, mas que, mesmo assim, elas são boas pessoas e merecem ser tratadas com respeito e dignidade. “Isso colaborará com um clima de paz entre elas”, diz o profissional.

 

Nada de super-heróis!

“Em qualquer uma dessas situações, como morte, crenças ou separação, os pais devem tomar consciência do que sentem e de como irão lidar com esse sentimento, para depois conversar com os filhos”, ensina Adriana.  Portanto, os sentimentos devem estar na pauta, sendo compartilhados e discutidos abertamente durante o diálogo.

 

Além disso, é comum sentir-se, num primeiro momento, incomodados ou sem saber como responder a uma dúvida da criança. Peça um tempo para a criança.“O importante é realmente ir em busca da resposta e respondê-la quando um momento adequado surgir”, aconselha o psicólogo.

 

 

Nossas fontes

Adriano Gosuen, psicólogo
Adriana Serrano, psicóloga

 

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