E quando o dente quebra?

Passado o susto, é preciso tomar alguns cuidados e procurar imediatamente um dentista

 

Texto Rose Araujo

 

“Levei um susto quando me ligaram da escola avisando que a Larissa tinha quebrado o dente da frente. Já era o permanente e estava nascendo bonitinho!”, conta a empresária Ester Parreira, mãe das gêmeas Larissa e Letícia, de 9 anos, e de Lucca, 5 anos.

 

Larissa estava jogando queimada na escola e trombou com uma amiga, que caiu sobre ela. O resultado foi um traumatismo no dente incisivo superior. “A professora só conseguiu encontrar um pedacinho do dente, por isso, o dentista acabou fazendo uma resina para colocar no local provisoriamente, já que ainda não dá para fazer o implante”, conta Ester.

 

Acidentes como o que aconteceu com Larissa são comuns e requerem atenção. Perder um dente, mesmo que seja o de leite, pode trazer consequências sérias para a dentição futura. De manchas no permanente até a necessidade de canal ou cirurgia para implantar um novo dente, tudo pode acontecer.

 

“No aprendizado do andar e correr, os pequenos, estão sujeitos a quedas que muitas vezes afetam a boca e os dentes, tornando importante as mães e o pessoal que trabalha com bebês e crianças nas escolas, parques e clubes, terem conhecimento de como proceder porque todo trauma em dente de leite, além de danos causados ao dente afetado, pode provocar algum transtorno ao desenvolvimento dos dentes permanentes”, alerta a odontopediatraMeriCleis Rodrigues Cordeiro.

 

Rapidez

Mas não é preciso se desesperar, já que a odontologia hoje possui muitas soluções para tratar o trauma dos pequenos. Aodontopediatra Gisele da Silva Dalbenorienta os pais a procurarem imediatamente um dentista de sua confiança. “A primeira providência é levar a criança a um cirurgião-dentista para avaliar a extensão do dano e planejar o tratamento, que dependerá de diversos fatores, incluindo o nível no qual a fratura (quebra) aconteceu – se mais próxima da borda ou da raiz do dente, da direção da fratura – e também o envolvimento do canal e da raiz.”

 

“A maior parte das lesões é apenas superficial e atinge tecidos de sustentação. No entanto, o atendimento clínico com um dentista deve ser imediato e prioritário e, se possível, realizado por um cirurgião-dentista, isso porque existem diversos tipos de traumas e para cada um deles uma conduta”, destaca Henrique Taniguchi, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela USP.

 

Dá para recuperar?

Dependendo da extensão do trauma, o dentista pode fazer uma colagem do pedaço danificado. Por isso, é importante guardar o que sobrou do dentinho e levar ao profissional. “O aproveitamento deste fragmento dependerá de cada caso e de como ocorreu a fratura do dente.

 

Se o pedaço quebrado apresenta apenas um fragmento, frequentemente é possível aproveitá-lo, mas, se a fratura foi mais severa – por exemplo, ‘estilhaçando’ o dente em vários pequenos fragmentos –, pode não ser possível colá-lo”, explica Gisele.

 

Dente de leite

Mesmo se o dente atingido ainda for de leite, é necessário fazer uma avaliação com um bom profissional para saber quais medidas tomar. No caso de traumas superficiais, apenas na coroa, muitas vezes a colagem já basta. “Mas, se tiver atingido o canal do dente, será preciso verificar se há a necessidade de fazer o tratamento endodôntico para mantê-lo em posição, o que é preferível sempre que possível, uma vez que a presença do dente de leite ajuda a ‘guiar’ a erupção do dente permanente”, explica Gisele.

 

No caso dos dentes permanentes, o procedimento inicial é o mesmo: avaliação do dano. Os cuidados vão desde a colagem da parte quebrada (se for um trauma superficial) até mesmo canal, prótese definitiva ou implante. “Mesmo que a fratura não atinja o canal, é possível que, no momento da queda, o nervo e o vaso sanguíneo que “alimentam” o dente, entrando no canal pelo seu ápice (ponta da raiz), se rompam no momento da queda.

 

Neste caso, só será possível avaliar o problema ao longo do tempo, quando acontecerá a necrose do canal do dente, levando à formação de fístulas (“bolinhas”) na gengiva, próximo à região da ponta da raiz do dente, ou mesmo inchaço ou escurecimento do dente”, esclarece Gisele.

 

Quando ocorrer um acidente:

 

  • Não importa a intensidade, a vítima deve ser encaminhada imediatamente a um profissional habilitado. Sósó ele pode realmente precisar a gravidade e a necessidade de alguma intervenção.

 

  • Em caso de fratura, tente localizar o pedaço de dente fraturado, mantendo-o num recipiente com água ou soro fisiológico. Leve-o ao dentista, pois o mesmo pode ser colado. Caso o fragmento não seja encontrado, a parte fraturada pode ser refeita com materiais estéticos.

 

  • Quando ocorrer descolamento total do dente, o ideal é colocá-lo no soro, leite ou na própria saliva e procurar o dentista imediatamente para que seja reimplantado, pois a chance de ser realizado este procedimento e de conseguir salvar este dente dependerá, dentre outros fatores, do tempo que ele ficar fora da boca e do seu armazenamento. Mesmo que não seja recolocado, o que na maioria das vezes acontece quando a dentição é de leite, é importante guardá-lo, para que seja mais tarde utilizado e se consiga devolver a estética e a função perdidas pela criança, evitando problemas futuros.

           

Nossas fontes:

Gisele da Silva Dalben, odontopediatra do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP

MeriCleis Rodrigues Cordeiro, odontopediatra

Henrique Taniguchi, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela USP 

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