Atenção ao rótulo!

É a embalagem que mostra se o produto é ou não saudável para as crianças. Saiba como ler e compreender as informações nutricionais e faça boas escolhas

 

Por Marisa Sei

 

É fundamental priorizar os alimentos naturais, mas, muitas vezes, não dá para fugir dos alimentos industrializados: são práticos e às vezes até necessários. O importante, então, é saber o que se está levando para a casa – e, aí, não basta ler apenas a descrição “biscoito recheado sabor chocolate”, por exemplo.

 

Nas letras miúdas das embalagens estão informações essenciais para a saúde, especialmente na infância, quando os hábitos alimentares estão se estabelecendo. “A criança aprende a gostar do que lhe é oferecido com frequência, por isso é desejável que ela ingira alimentos com baixos teores de gordura, açúcar e sal, de modo que esse hábito se mantenha na fase adulta”, destaca a médica nutróloga Patricia Canineu.

 

Criando o hábito

Produtos ricos emgordura, sódio, corantes e outros aditivos químicos, como bolachas recheadas, refrigerantes e salgadinhos, estão associados ao excesso de peso ainda na infância, o que pode levar à obesidade na vida adulta, provocar alterações no colesterol e na pressão arterial e deficiências nutricionais. Assim, que tal gastar uns minutos analisando o rótulo dos alimentos no mercado, antes de oferecer qualquer produto à garotada? A nutróloga Patricia Canineu e a nutricionista Ana Paula Rodrigues dão algumas dicas para facilitar o dia a dia:

 

- a lista de ingredientes descrita nas embalagens é em ordem decrescente, isto é, o primeiro ingrediente é aquele que está em maior quantidade no produto, e o último, em menor quantidade. Isso ajuda a escolher um alimento porque, se o primeiro item é gordura ou açúcar, sinal de que é melhor evitá-lo ao máximo;

 

- geralmente, a quantidade das substâncias descrita no rótulo é por porção e não pela quantidade total da embalagem. Por exemplo: um pacote de 140g de biscoito pode trazer a informação “4,4g de gorduras por porção de 30g”, mas, se a criança devorar o pacote todo, mais de 20g de gorduras serão consumidos;

 

- para ser considerado fonte de fibras pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão que regulamenta a rotulagem nutricional), o produto deve conter no mínimo 2,5g de fibras por porção, ou no mínimo 3g por 100g ou 100ml. “Para calcular a quantidade de fibras necessária para uma criança, soma-se 5 à idade, por exemplo: se ela tem 5 anos, precisa de 10 gramas. Assim, é importante saber que ser fonte de fibras não é a mesma coisa que ser rico em fibras”, explica a nutróloga. As fibras são fundamentais para o funcionamento do intestino e controle do colesterol.

 

Escolha certa

Há uma tendência a associar balas, biscoitos e outras guloseimas como “comida de criança”. No entanto, a infância é a fase em que há maior necessidade de nutrientes vindos de alimentos naturais, como frutas, legumes, carnes e grãos, a chamada “comida de verdade”. Assim, comida de criança é um prato equilibrado, que forneça todas as substâncias para um crescimento saudável. Guloseimas podem até ser oferecidas de vez em quando, desde que se saiba o que está sendo ingerido e não haja excessos.

 

“Açúcar, enlatados, café, refrigerantes, balas, salgadinhos, frituras, bolachas recheadas e outros alimentos com grandes quantidades de açúcares, gorduras, sal e corantes devem ser evitados especialmente nos primeiros anos de vida”, alerta Patrícia. Para reforçar a necessidade de moderação aos industrializados, as especialistas analisaram os rótulos de alguns dos alimentos processados que comumente são oferecidos às crianças. Confira!

 

- Achocolatado em pó

Consumido principalmente no café da manhã para dar mais sabor ao leite, o achocolatado não oferece benefícios à saúde. “É composto por 90% de carboidratos, em sua maioria açúcar! Possui somente 1 grama de fibra, o que não o torna fonte do nutriente. Além disso, é acrescido de vitaminas e minerais (que não são naturalmente presentes no produto) e sódio”, avisa a nutricionista. Nos rótulos, a quantidade de açúcar pode ser descrita separadamente ou ser incluída nos carboidratos.

Opção saudável: Trocar o leite com achocolatado por um suco natural. Cacau em pó ou frutas também são boas opções para misturar com o laticínio.

 

- Bolinho com cobertura de chocolate

É composto, principalmente, por carboidratos e gordura. “Desta gordura, a maioria é saturada, responsável pelo aumento do colesterol ruim, o LDL. Não é fonte de fibras e uma porção possui, em média, 10% do sódio recomendado num dia para crianças em idade escolar”, detalha Ana Paula. Carboidratos e gorduras são, sim, necessários às crianças, porém devem vir de produtos com qualidade nutricional, como cereais integrais, carnes, leites e frutas.

Opção saudável: em vez de colocar na lancheira bolinhos individuais industrializados, prepare em casa um bolo com farinha integral, frutas e pouco açúcar.

 

- Salgadinho de pacote

Um pacote de 50 gramas fornece 80% de todo o sódio necessário em um dia, valor muito alto para um produto alimentício. Em longo prazo, o sódio em excesso é uma das principais causas de pressão alta, que pode aparecer já na infância. Salgadinhos desse tipo ainda contêm alta quantidade de gordura saturada.

Opção saudável: na hora do lanche, incentive o consumo de petiscos saudáveis. Ofereça castanhas, frutas picadas, iogurte e produtos integrais.

 

- Macarrão instantâneo

Praticidade e embalagens apelativas tornam o produto atrativo. Porém, as especialistas definem o produto como um “desastre nutricional”. “Apresenta cinco vezes mais sódio do que uma criança necessita por dia em um único prato”, destaca a nutróloga. Carboidratos e gorduras em excesso também são ingeridos com o macarrão instantâneo, que é frito industrialmente para cozinhar mais rápido. Além disso, esse produto costuma substituir uma refeição que poderia ser saudável, composta de todos os grupos alimentares importantes.

Opção saudável: o macarrão cabelo-de-anjo também tem cozimento rápido, representando uma ótima troca. Acrescente molho de tomate e outros ingredientes naturais para uma refeição completa.

 

- Sorvete de chocolate

“Sorvete de massa é a mesma coisa que açúcar com gordura ruim”, define a nutróloga. Já deu para perceber que o produto não traz nenhum benefício aos pequenos, certo? Sorvetes industrializados são compostos basicamente de carboidratos (40%) e gorduras (53%).

Opção saudável: para obter uma sobremesa refrescante, bata frutas com água ou leite no liquidificador e leve ao congelador.

 

 

Nossas fontes:

Ana Paula Rodrigues é nutricionista

Patricia Canineu é médica nutróloga

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