Convivendo bem com o diabetes

Apesar de serem necessários vários cuidados com os hábitos das crianças, a doença não impede que elas levem uma vida tranquila e aproveitem as delícias da infância.

 

Por Marisa Sei

 

Quando tinha seis anos, a estudante Daniele Carriel, que aparentemente era saudável apesar de estar acima do peso, começou a passar mal, emagrecer e desmaiar. Ao ser levada ao pronto-socorro, constatou-se que a glicemia estava alta a ponto de quase perder a visão. Daniele passou um tempo na UTI até regularizar os índices. Hoje com 12 anos, a estudante entra nas estatísticas de pessoas com diabetes tipo 1, o qual mais acomete crianças e adolescentes.

 

Cuidados necessários

Essa variação da doença ocorre quando o pâncreas não produz insulina, o hormônio que faz o organismo usar a glicose como energia. Por esse motivo, o tratamento consiste em aplicações diárias da substância para controlar a glicemia. Contudo, uma vez diagnosticada a doença (por exames de sangue e investigação clínica), é necessário iniciar o tratamento não só com as injeções de insulina, mas também com a mudança de hábitos das crianças.

 

E é nesse ponto que o papel dos pais ou responsáveis torna-se fundamental. “Não comer doce é apenas um dos problemas que o diabetes causa nos pequenos. Ter uma criança ou adolescente diabético em casa requer cuidados além da alimentação, como medicamentos e vigilância constante”, afirma Cláudia Filatro, fundadora da ONG Pró-Crianças e Jovens Diabéticos.

 

Em casa, pode até ser mais fácil controlar a doença, já que os adultos podem decidir quais alimentos entram ou não no armário. Mas, fora de casa, a oferta de produtos ricos em gordura e açúcar e que atraem a atenção dos jovens é grande. A jovem Daniele que abre esta matéria, por exemplo, tem vergonha de contar às amigas sobre o diabetes e acaba acompanhando-as no consumo de doces. Esses deslizes já a fizeram ser internada novamente no hospital, pois os cuidados no ajuste do medicamento não foram seguidos.

A melhor saída para evitar esse tipo de problema é a informação. É preciso conversar claramente com crianças e adolescentes sobre a importância de se manter bons hábitos, não só para o controle do diabetes, mas para a saúde em geral. Tranquilizá-las de que não estão proibidas de comer doces ou outras guloseimas, mas que é preciso moderação e ajustes nas doses de insulina.

           

Montando a lancheira

“Crianças diabéticas devem consumir lanches saudáveis assim como qualquer outra criança que não tenha a doença”, avisa a nutricionista Vanessa Minossi. Ou seja, pais de crianças saudáveis também podem seguir as dicas:

 

            - a lancheira deve conter pelo menos uma porção de cada grupo alimentar: os que fornecem energia (pães e bolos integrais e feitos em casa, cereais integrais, etc.); os ricos em proteínas que ajudam na formação do corpo (queijos brancos, leites e iogurtes desnatados, por exemplo) e os vegetais, que regulam as funções do organismo (uma fruta ou um legume);

 

            - procure sempre montar a lancheira em casa, isso evita que a criança consuma os alimentos da escola, já que nem sempre as cantinas oferecem opções saudáveis. Além disso, os alimentos levados de casa estarão com as porções ideais – que devem ser orientadas por um nutricionista;

 

            - se quiser mandar alguma opção industrializada, leia atentamente o rótulo, conferindo a quantidade de açúcar, carboidratos e gorduras de cada produto. O ideal é consultar o médico ou nutricionista antes de oferecer essas opções.

 

Festinha sem problemas

Cachorro-quente, brigadeiro, bolo: não tem como não relacionar uma festa de aniversário infantil com todas essas delícias. Felizmente, segundo a nutricionista, não é necessário que a criança com diabetes se abstenha de comer algum alimento por seu alto teor de gordura, como um salgadinho, já que isso só ocorrerá esporadicamente. “É recomendável que os pais levem refrigerantes dietéticos”, recomenda Vanessa.

 

Se a criança diabética for a dona da festa, os adultos podem montar um cardápio permitido e ao mesmo tempo atraente para os convidados. Podem entrar na lista pipoca, sanduíches integrais recheados de atum, legumes e verduras, salgadinhos assados e integrais, saladas de frutas e sucos naturais sem açúcar. “Bolo e docinhos podem ser preparados com adoçantes sem calorias”, orienta a nutricionista.

 

Além disso, é importante sempre conversar com os pequenos, deixando-os conscientes de que as preparações com açúcar devem ser evitadas ao máximo, explicando a importância disso para sua saúde. “Mas permita que a criança coma salgados mais cozidos, dois ou três docinhos, uma fatia pequena de bolo. Os diabéticos não devem ser privados desses pequenos prazeres, nem tratados como exceção”, avisa Vanessa. Essas ocasiões especiais também devem ser previamente discutidas com o médico, para adequar a dose necessária de insulina.

 

Tranquilidade na escola

“Por lei, é obrigatório que os funcionários das escolas tenham treinamento em primeiros socorros e isso inclui cuidar de uma criança com diabetes. Profissionais capacitados podem, inclusive, desconfiar da doença quando ela ainda não está diagnosticada, prestando atenção se a criança vai muito ao banheiro ou levanta várias vezes para beber água, por exemplo, que são sinais de diabetes tipo 1”, diz Cláudia. Contudo, a lei ainda não é aplicada em vários municípios e até mesmo professores de educação física podem não saber como tratar uma criança diabética (que não deve, por exemplo, exercitar-se sem ter se alimentado adequadamente).

 

Assim, o ideal é informar aos professores sobre a criança ter diabetes e alertá-los sobre as providências que devem ser tomadas em caso de hiperglicemia ou hipoglicemia. “Crianças com cinco anos ou menos não sabem medir a própria glicemia, e é importante que o colégio tenha um funcionário capacitado para fazer isso por ela. Crianças maiores em crise de hipoglicemia também não vão conseguir fazer isso sozinhas”, avisa Cláudia.

 

Ter um cartão na mochila com informações sobre a doença e o tratamento em uso, além de telefone para contato dos pais, responsáveis e médicos também pode ajudar em casos de emergência.

 

Ajuda bem-vinda

A ONG Pró-Crianças e Jovens Diabéticos foi fundada em 2005 e o principal objetivo é colaborar com a qualidade de vida de crianças diabéticas e suas famílias, especialmente as carentes, por meio de doação de cestas básicas, orientação familiar, busca por medicamentos e consultas com especialistas. A matriz da ONG se localiza em Campinas (SP), mas atua no país todo. Mais informações podem ser encontradas no site www.prodiabeticos.org.br ou pelo telefone (19)3384-3297. A organização é mantida com doações e trabalho voluntário e aceita desde alimentos e bebidas dietéticas até contribuições financeiras mensais.

 

 

Nossas fontes:

Vanessa Minossi é nutricionista

Cláudia Filatro é fundadora da ONG Pró-Crianças e Jovens Diabéticos

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