Morder é normal?

Profissionais explicam porque algumas crianças mordem e o que os pais devemfazerpara controlar esta “mania”

 

Por Amanda Araújo

 

Ao acompanhar os jogos da Copa do Mundo, o mundo inteiro viu e se chocou com a atitude do jogador uruguaio LuisSuárez. Depois de morder um zagueiro italiano em campo, Suárez foi punido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), ficando fora dos gramados por quatro meses e tendo que pagar uma multa de 247 mil reais.

 

Ao comentar a atitude do jogador uruguaio, um brasileiro de destaque, o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, comentou em rede nacional:“Sei que mordida dói. Minhas filhas pequenas mordiam até pouco tempo e eu punia: quarto escuro com lobo mal”, disse o comentarista da Rede Globo. Mas será que essa é a melhor maneira encontrada pelos pais para lidar com o problema?

 

Para a psicóloga clínica Ana Cássia Maturano, o depoimento de Ronaldo como pai não deve servir de exemplo pra ninguém.“Colocar uma criança em um quarto escuro não a faz refletir sobre o seu ato”.  Segundo a profissional, esse é um péssimo exemplo para a criança que vê um adulto agressivo e ainda, tem que enfrentar algo aterrorizante que é o quarto escuro. “Você apenas reforça o medo natural que ela já sente por ter um pensamento fantasioso”, diz. Portanto, ocastigo não é a melhor solução, já que a mordida é algo normal da infância. O ideal é que pais e educadores conversem e expliquem que a criança não pode agir dessa forma.  

 

“Os pais também devem conversar com a criança que levou a mordida, devem perguntar por que ela não reagiu, devem falar para ela que não pode deixar o coleguinha mordê-la, mas que também não pode mordê-lo e que se isso acontecer ela deve procurar os pais ou o professor”, orienta a psicóloga Susana Ório. Ou seja, as pessoas não podem ignorar o que está acontecendo e têm que ensinar para as crianças que existem outras formas de se comunicar e conseguir o que deseja.

 

A situação é comum nas escolas de Educação Infantil, e os professores até já sabem como lidar com o problema. Geralmente, chamam a mãe pra conversar e explicar o que está acontecendo. A mãe da criança que morde normalmente entende e começa a trabalhar isso em casa. Porém, a mãe da criança que recebe a mordida é mais resistente às explicações.

 

Especialistas sugerem que as crianças envolvidas recebam orientações. Quem morde, precisa ter consciência de que sua atitude está errada. Os professores devem conversar com quem mordeu, mostrando que o coleguinha agredido chora por causa da dor. Podem pedir para o agressor ajudar a cuidar da mordida, passando gelo ou algo para amenizar a dor. E sempre pedir desculpas.

 

Normal até os 3 anos

A psicóloga e orientadora educacional, Célia Piernikarz, explica que as crianças pequenas, de até três anos, mordem como forma de comunicação. “O que acontece é que, nessa fase da vida, a criança ainda não consegue dominar a linguagem e esse é o jeito que ela consegue se comunicar, assim como puxam o cabelo, se esperneiam e gritam. É por isso que essa fase não pode ser ignorada e tem que ser aceita pelos pais.” Célia diz que esses comportamentos fazem parte da fase oral, que recebeu esse nome graças ao pai da psicanálise, Sigmund Freud.

 

Ele denomina que a fase oral é uma etapa do crescimento que vai desde o nascimento até os três anos de idade. E dentro da psicanálise, esse é o primeiro estágio de desenvolvimento da pessoa. “Nessa fase a criança é egocêntrica e acredita que tudo existe por causa dela e faz alguma coisa para ter sempre o que quer. É nessa hora que ela morde e na fase oral tudo está concentrado na boca, pois é o jeito que ela se expressa”, afirma.

 

Portanto, até os três anos de idade, morder é uma atitude normal do comportamento infantil (nada agradável para quem é mordido, diga-se de passagem). “Em cada fase do desenvolvimento da criança há um prazer, dos dois aos três anos é o da fase oral, mas com o decorrer do tempo isso vai mudando e a forma da criança se defender também”, explica Susana Orio.


Especialistas orientam como pais e educadores devem agir

*O que os pais de crianças que levaram mordidas devem fazer?

É muito comum que os pais das crianças que foram mordidas pensem que isso aconteceu por falta de educação e culpam a outra família. Porém, não é bem assim que eles devem pensar. “Os pais da criança que mordeu não são culpados disso. As crianças mordem nessa fase oral desde sempre. Isso sempre aconteceu e já está tanto na cultura, como na psicologia e na psicanálise. Por isso, os pais da criança que sofreu a mordida e a que mordeu devem conversar com os filhos para não morder e nem para deixar ser mordido”, afirma Susana.

 

*Como a escola deve agir nessa situação? 

Aescola deve trabalhar os dois lados, ou seja, conversar com a criança que mordeu e também com a que foi mordida. O professor deve vai mediar a situação conversando com os alunos e explicar que isso não pode acontecer.A escola deve intervir sempre, ampliando a questão em termos de colocar como conviver com o grupo e com os professores. O professor tem que estar na posição de mediador na convivência com os alunos.

 

*O que conversar com a criança que mordeu?

O ideal é explicar para a criança que ela não pode morder e que isso é errado. Pais e educadores também devem trabalhar jogos e brincadeiras que deem para a criança a noção de saber esperar a sua vez, já que nessa idade elas são muito egocêntricas e acabam se defendendo por meio de chutes, mordidas e até pelo choro. “O motivo da mordida pode ser variado, portanto, a escola e os pais têm que acompanhar de perto. E lembrando que tudo o que acontece na infância é fundamental para a fase a adulta”, diz CéliaPiernikarz.

 

Nossas fontes:

Ana Cássia Maturano, psicóloga clínica;
Susana Ório, psicóloga e orientadora educacional
Célia Piernikarz,psicóloga e orientadora educacional 

 

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