Meu filho não cresce!

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Nada de comparações com os coleguinhas da escola! Saiba o que influencia na altura das crianças e como estimular o melhor desenvolvimento do seu filho.

Por Rose Araujo

Para muitos pais, esta é uma questão que gera bastante preocupação. Ao comparar o filho com o coleguinha da mesma idade, eles notam que seu “pequeno” é realmente pequeno perto do outro, o que acaba gerando muitas dúvidas. Para começo de conversa, devemos deixar o alerta: cada criança é única em seu desenvolvimento e os pais devem ter cuidado ao ficar comparando-a com as demais.

Por outro lado, sim, é preciso observar se o seu filho não está sofrendo com algum distúrbio que está atrapalhando o perfeito desenvolvimento dele. “Não existe um momento certo para esse tipo de diagnóstico, por isso é muito importante um acompanhamento médico regular, geralmente um bom pediatra tem condições de avaliar se o crescimento da criança está sendo adequado”, explica o ortopedista Luiz Alberto NakaoIha.

A pediatra Cátia Regina Branco da Fonseca, no entanto, ressalta que a faixa etária que mais preocupa os profissionais de saúde na questão do crescimento em estatura é a escolar, após os6 anos de idade. E também antes da puberdade, quando o diagnóstico de alterações do crescimento em estatura podem gerar complicações psicológicas e biológicas para o adolescente. “É nessa faixa etária, do escolar, que é possível realizar tratamentos hormonais se houver indicação médica”, frisa.

Chá de fermento

É certo que não há uma receita caseira, nem muito menos à base de fermento, para ajudar a criança a esticar. Mas, caso seja detectado algum distúrbio que comprometa o desenvolvimento, os médicos podem indicar tratamentos para estimular o crescimento. “Algumas medicações podem ser utilizadas caso haja problemas de crescimento, porém é necessário um acompanhamento rígido de um pediatra e endocrinologista para ter uma boa indicação da terapia e obter o melhor resultado”, destaca Luiz Alberto.

Entre os distúrbios que podem afetar o crescimento da criança estão: retardo de crescimento intrauterino, doenças genéticas (como a Síndrome de Turner nas meninas e a Síndrome de Down), doenças cardíacas, doenças renais, doenças endócrinas (como deficiência de hormônio de crescimento, hipotireoidismo, hipogonadismo), doenças gastrointestinais (síndrome de má absorção, doenças inflamatórias intestinais, alergia ao leite de vaca), doenças respiratórias (asma, fibrose cística) e desnutrição proteicocalórica. Mas tudo isso precisa ser avaliado pelo médico.

Um dos problemas mais comuns está ligado à falta do hormônio do crescimento (GH), produzido pela glândula hipófise, que fica na base do cérebro. Este hormônio é responsável pelo crescimento estatural, principalmente nos braços e pernas. “Um déficit na produção deste hormônio leva a um crescimento problemático, e, portanto uma velocidade de crescimento abaixo da esperada para a idade e o sexo da criança ou adolescente, e há uma baixa estatura”, afirma Cátia.

É importante lembrar que as noites bem-dormidas são muito importantes para o crescimento adequado, uma vez que a maior produção (o pico) do GH ocorre durante o sono profundo, no período da noite. O GH se espalha pelo corpo e estimula no fígado a produção de outro hormônio, o IGF-1. O IGF-1 atua principalmente na “placa de crescimento”, cartilagem que envolve os ossos e é estimulada a produzir células que os expandam.

Como diagnosticar?

A forma mais simples de diagnosticar a falta deste hormônio é através da dosagem do IGF-1 no sangue, como se fosse o representante do hormônio do crescimento. “Ele é um intermediário do GH. Se estiver em níveis baixos no sangue aponta falta do hormônio do crescimento”, explica a médica.

A deficiência de GH pode ter várias origens, mas a mais comum são os traumas durante o parto. Se o bebê estiver com a cabeça voltada para dentro na hora de nascer, no momento em que o médico puxa, pode haver uma ruptura da haste hipofisária, uma estrutura que liga a hipófise (glândula que produz o GH). Nesses casos, pode haver deficiência de produção do hormônio do crescimento.

Estímulos para crescer

De forma geral, os homens costumam ser 13cm mais altos que as mulheres. Mas essa diferença vai aparecer mesmo depois da puberdade. Ao longo dos anos, o aumento da estatura costuma acontecer de maneira semelhante. “A maior diferença se dá durante o período da puberdade, na qual os meninos crescem cerca de 5 a 10 centímetrosa mais do que as meninas, dependendo da idade na qual as meninas apresentam a primeira menstruação”, explica Cátia.

A prática de esportes é excelente para ajudar no crescimento, pois auxilia no desenvolvimento dos ossos e dos músculos, além de dar uma força para a capacidade pulmonar e cardíaca. No entanto, para crianças, isso não tem de se tornar uma obrigação. É preciso avaliar se ela realmente pode e quer investir em alguma prática esportiva. Para Luiz Alberto, o mais importante é ter uma atividade física. “Não é necessário um esporte propriamente dito”, frisa.

Cátia ressalta que os exercícios aeróbicos, em geral, são muito bons para o crescimento. “Não há um tipo definido de esporte, todos são bons, e cada um deve ser avaliado de acordo com a faixa etária e o gosto individual de cada criança ou adolescente”, destaca.

Luiz Alberto vai mais longe e alerta: “é fundamental lembrar que o excesso de atividade física sem um período de descanso adequado pode funcionar de maneira contrária e prejudicar o desenvolvimento da criança.”

Comer, comer para poder crescer

Quem não se lembra dessa música? Pois é verdade! A alimentação balanceada e rica em vitaminas e minerais ajuda no desenvolvimento da estatura. “A alimentação variada e natural é capaz de fornecer todos os macro e micronutrientes que a criança precisa para o seu adequado crescimento”, destaca Cátia.

Nos primeiros anos de vida, o cálcio é muito importante para o crescimento ósseo. Depois disso, o uso de leite em excesso pode prejudicar uma alimentação mais balanceada e variada. Os pais devem investir em outras fontes de cálcio, como sardinha, queijo, verduras verde-escuras e grãos.

Cátia ressalta que é muito importante incluir nas refeições uma fonte constante de proteína (carnes e ovos) e também de ferro, sendo que a carne é um alimento relevante. “Uma dieta variada, com muitas frutas, legumes e cereais é fundamental. Um hábito que nada contribui para o crescimento é o consumo de produtos enlatados, embutidos ou o uso de refrigerantes ou sucos artificiais.”

Altura média para homens

Bebê: 50 cm

Criança (5 anos): 1,10 m

Adolescente (12 anos): 1,50 m

Adulto (30 anos): 1,73 m

Idoso (70 anos): 1,70 m

*O “estirão” acontece, em geral, aos 13 anos

Altura média para mulheres

Bebê: 50 cm

Criança (5 anos): 1,10 m

Adolescente (12 anos): 1,53 m

Adulta (30 anos): 1,61 m

Idosa (70 anos): 1,59 m

*O “estirão” ocorre, em geral, aos 11 anos

A média de crescimento de uma criança é de mais de 4cm por ano. Na puberdade, porém, esse valor sobre para 12cm ou 13cm a cada ano. Quando o crescimento é menor que 4cm, ou 6cm na fase da puberdade, o ideal é que um especialista seja consultado. Quanto mais cedo os pais ou responsáveis descobrirem que a criança não está com a estatura média dos amiguinhos da mesma idade, será mais fácil para evitar problemas como o nanismo.

Você sabia?

Os pediatras costumam usar a tabela abaixo para tentar prever qual será a altura da criança na vida adulta, seguindo os parâmetros da altura dos pais. A fórmula é a seguinte:

Meninos: Alt. Pai + (Alt. Mãe + 13)/2

Meninas: Alt. Mãe + (Alt. Pai – 13)/2

Nossas fontes

Luiz Alberto NakaoIha, ortopedista formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Cátia Regina Branco da Fonseca, professora assistente doutora da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) e médica Pediatra

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