“Ler não dá sono. Ler dá sonhos...”

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Desenvolver o hábito da leitura é um dos maiores presentes que os pais podem dar aos filhos

Por Rose Araujo

O hábito da leitura vai além de um mero passatempo. Ele desenvolve o raciocínio, amplia a capacidade de concentração, aumenta o repertório para tomada de decisões e abre a mente para diferentes visões de mundo. Não é à toa que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já pensa em recomendar aos médicos que orientem aos pais ler para os filhos pequenos. Com isso, eles estariam estimulando a linguagem, o desenvolvimento da alfabetização e o fortalecimento das relações afetivas na família.

Ensinar os filhos desde cedo a gostar de ler é uma das heranças mais encantadoras e úteis que os pais podem passar. São muitos os benefícios da leitura. A criança se torna mais concentrada, independente, com raciocínio mais rápido. Seu repertório é ampliado, tanto do ponto de vista do conhecimento de mundo quanto de vocabulário. Sua bagagem cultural é enriquecida, sem falar que a leitura é uma atividade essencial para que a criança evolua, também, em sua própria escrita.

Quando se desenvolve o hábito da leitura na primeira infância (até os 6 anos), a tendência é que a paixão pelos livros aumente ao longo do tempo. “É na primeira infância que importantes habilidades são assimiladas, interesses são solidificados”, explica a doutora em linguística Érika de Moraes.

De acordo com ela, em um mundo tão cheio de estímulos audiovisuais como o de hoje, cabe aos pais a missão de despertar na criança o interesse pelos livros. “Os estímulos multimidiáticos podem dificultar o interesse pela leitura mais atenta, concentrada. Aos pais cabe esse desafio de ajudar os filhos a encontrar um ponto de equilíbrio entre os diversos interesses, sem deixar de lado este hábito tão importante que é a leitura.”

Como isso é possível?

É importante despertar o gosto pela leitura antes mesmo das crianças começarem a falar. Ler para os bebês é um passo importante na formação de leitores assíduos. É nesse momento que os pais constroem nos filhos uma memória positiva. “A leitura passa a ser associada a uma atividade prazerosa, aconchegante. Com o tempo e o desenvolvimento da criança, ela vai descobrir um novo prazer, o de praticar essa atividade de forma independente e autônoma”, explica Érika.

A assessora de marketing Angélica Luz sabe bem disso. Ela e o marido, Alexandre Manzini, liam para a filha Helena desde que ela era bebê. “Ela gostava de ouvir o nosso tom de voz baixinho, isso a acalmava e ela prestava muita atenção. Mesmo sem saber se ela estava entendendo, fazíamos isso todos os dias antes do soninho noturno”, conta.

Hoje, aos 4 anos de idade, Helena gosta muito de ler e interage com os pais nesse momento lúdico. “Como algumas histórias ela já sabe, acaba falando o texto junto e até nos dá bronca quando tentamos pular alguma parte. E, quando a história é nova, ela fica quietinha, parece que está montando o cenário na sua cabeça”, conta Angélica.

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