De olho na pressão arterial

Não existe idade para fazer os exames preventivos: a hipertensão pode surgir já na infância! Porém, mudanças no estilo de vida podem prevenir e até combater a doença

 

Por Marisa Sei

 

Colesterol elevado, pressão alta e diabetes parecem ser “doenças de adulto”, aquelas que só aparecem com o avanço da idade. É verdade que este é um fator de risco, mas todos esses problemas de saúde podem aparecer já na infância e, na maioria das vezes, o estilo de vida (com má alimentação desde cedo e falta de atividade física) é o causador.

 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a hipertensão já atinge entre 6% e 8% das crianças e adolescentes no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 5 milhões de menores de 18 anos. A doença é caracterizada pelo aumento da pressão arterial e, se não controlada, pode provocar consequências graves, como comprometer o funcionamento dos rins e aumentar o risco de infartos.

 

Por que ocorre?

Excesso de peso, sedentarismo e alimentação inadequada são os principais fatores de risco para levar a pressão às alturas. A hereditariedade também tem influência no aparecimento da hipertensão nas crianças, ou seja, filhos de pais hipertensos têm mais chances de ter o problema no futuro. Portanto, quando há histórico familiar da doença, a adoção de um estilo de vida saudável torna-se ainda mais importante.

 

“Filhos de pais obesos, com diabetes ou alterações no colesterol e triglicerídeos também devem adotar medidas mais rigorosas de prevenção. Mas não podemos esquecer que todas as crianças, com ou sem fatores de risco para hipertensão, devem prevenir obesidade com hábitos saudáveis”, afirma o pediatra Luiz Alberto Christiani.

 

Prevenção não tem idade

Infelizmente, em muitos consultórios ainda não é hábito medir a pressão arterial das crianças: dados da SBC revelam que só em 29% das consultas essa aferição acontece. “Mas é preciso medir sempre que possível, independentemente da idade. Quanto mais precoce o diagnóstico de alguma alteração congênita, por exemplo, melhor será o resultado obtido pelo tratamento”, destaca o pediatra. Assim, o ideal é que o médico verifique a pressão da criança nas consultas de rotina, pois a pressão alta não apresenta sintomas. O exame é rápido e indolor, realizado com aparelhos de medir pressão próprios para cada idade.

 

Primeiro passo: cuidar da alimentação

O sódio, mineral presente em peso no sal de cozinha e em muitos alimentos processados, é necessário para o funcionamento do organismo, porém, em excesso, provoca retenção de líquidos e eleva a pressão arterial. Por estar presente em produtos como salgadinhos, temperos prontos, biscoitos, etc., as crianças acabam consumindo alta quantidade de sódio sem perceber.

 

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 3.200 crianças mostrou que 80% delas consumia mais do que 2,3 gramas de sódio por dia – a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão de, no máximo, 2 gramas por dia. “É necessário evitar o consumo elevado de sódio e ingerir fontes de potássio e cálcio para melhorar a pressão, como legumes, frutas e verduras verde-escuras”, indica a nutricionista Bruna Joaquim Carneiro. Tanto para prevenir a hipertensão quanto para controlá-la, a especialista dá outras dicas:

- Evite oferecer aos pequenos alimentos industrializados, como salgados de pacote, bolachas, pizza, alimentos ricos em queijo, embutidos (salsicha, linguiça, salame, mortadela), sanduíches prontos (fastfood), macarrão instantâneo, refrigerantes e enlatados. Esses produtos são os campeões em sódio.

 

- Para temperar os pratos, use alho, cebola, limão e ervas. Essas opções são naturais, nutritivas e dão mais sabor, diminuindo a necessidade do uso de sal.

 

- Ofereça leite e iogurte desnatado e queijos brancos, com baixo teor de gordura. São ricos em cálcio, mineral necessário para o equilíbrio da pressão arterial. A ingestão adequada de cálcio também ajuda a evitar o acúmulo de gordura na barriga (lembrando que a obesidade é uma das causadoras da hipertensão) e fortalece os ossos.

 

- Frutas como banana, laranja e mamão possuem potássio, mineral que trabalha junto com o cálcio e o sódio. O potássio tem ação vasodilatadora, ou seja, relaxa os vasos sanguíneos, facilitando a passagem de sangue e controlando a pressão arterial.

 

- Não deixe o saleiro na mesa e meça a quantidade de sal por colher (chá) na hora do preparo dos alimentos, e não por pitada, que é mais difícil de controlar.

 

- Leia o rótulo de todos os alimentos industrializados, verificando a quantidade de sódio, gorduras e açúcar, principalmente.

 

Hora de reverter

Em crianças, o primeiro e principal tratamento recomendado é a mudança no estilo de vida, que nessa fase é capaz de minimizar e até combater o quadro – daí a importância do diagnóstico precoce. Combater a obesidade ou o excesso de peso já é um grande benefício, já que representam o principal fator de risco para o problema. Quando os hábitos saudáveis não são suficientes para baixar a pressão arterial, o médico pode indicar medicamentos adequados para cada caso.

 

Tem sódio escondido!

A recomendação da OMS de 2g de sódio por dia equivale a 1 colher (chá) de sal ou 5 pacotinhos individuais, daqueles distribuídos em restaurantes. Mas é preciso contabilizar também o sódio presente nos alimentos industrializados. Confira alguns produtos que escondem grande quantidade do mineral (e evite ao máximo oferecer às crianças!):

- Caldo de carne em tabletes: 1014mg a cada 1/2 tablete

- Nuggets de frango: 477mg em 3 unidades

- Lasanha congelada: 1440mg em 1/2 unidade (325g)

- Biscoito recheado: 126mg em 3 unidades

 

Influência de outras doenças

Quando a pressão se eleva devido a outras doenças, é chamada de hipertensão secundária. Apneia obstrutiva do sono, problemas congênitos, hipertireoidismo, problemas renais e uso de medicamentos são alguns dos fatores da hipertensão secundária, que representa apenas 10% dos casos da doença. Muitas vezes, ela é curável, já que basta tratar suas causas.

 

Uma vez que a apneia ou o hipertireoidismo estão controlados, por exemplo, controla-se também a pressão arterial. Assim, caso a pressão da criança se mostre alterada, o médico pode pedir outros exames para investigar melhor as causas.

 

 

Nossas fontes:

Bruna Joaquim Carneiro é nutricionista

Luiz Alberto Christiani é pediatra do Hospital São Vicente de Paulo

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