Desmame saudável e divertido

O início da alimentação sólida precisa ser prazeroso. Então, que tal deixar o bebê comer o que quiser, da maneira que achar melhor? Saiba mais sobre o método que dá liberdade à criança e favorece a educação alimentar!

 

Por Marisa Sei

 

Até os seis meses de idade, o leite materno é o único alimento indicado para o bebê –essa recomendação, da Organização Mundial da Saúde (OMS), já é bem conhecida, aliás – mas, depois desse período, a criança já pode (e deve) começar a experimentar outros alimentos.

 

“Antes, não é recomendado porque o leite já cumpre todas as necessidades nutricionais da criança, mas, a partir do sexto mês, ela precisa de outros meios. Tanto a parte proteica quanto a nutricional total fica abaixo do esperado quando o bebê continua somente com o leite materno após os seis meses”, avisa a neonatologista Mirian Rika.

 

Mas, com tanta informação, às vezes equivocada, e com tanta opção no mercado infantil, como iniciar a alimentação sólida dos bebês? Para tirar essas dúvidas, a nutróloga Patricia Savoi Canineu dá algumas dicas e conta sua própria experiência. Confira!

 

Escolha da criança

Com o objetivo de fazer o bebê comer só o quanto e o que quiser (dentro do que pode ser oferecido, é claro), a irlandesa Gill Rapley, consultora em saúde, criou o método BLW – Baby Lead Weaning, em português, Desmame Guiado Pelo Bebê. Ele dispensa talheres e as papinhas prontas encontradas no mercado.

 

“Nesse método, após os seis meses de idade, alimentos sólidos são oferecidos aos bebês, em tamanhos e formas que o permitam segurar e se alimentar com as próprias mãos, escolhendo o que comer, na quantidade e velocidade que quiser”, destaca a nutróloga. Diante das opções, é o bebê quem segura os alimentos e experimenta – o papel dos adultos é apenas oferecer alimentos saudáveis.

 

Os benefícios

Os bebês podem se alimentar do que a própria família consome, como frutas, legumes, batata e peixes sem espinhos. Além de obter nutrientes importantes, ficam livres das papinhas industrializadas que, apesar de já existirem em opções sem aditivos químicos, não permitem à criança conhecer o real formato e sabor dos alimentos naturais.

 

As papinhas sempre pastosas podem retardar o desenvolvimento da mastigação, importante para a evolução da fala, além de prejudicar a educação nutricional da criança, que precisa se acostumar às verduras, legumes e frutas para o hábito se estender pela vida toda.

 

Outra vantagem é que, no método BLW, a criança come o tanto que precisa, nem mais, nem menos. “É diferente de ficar insistindo naquela papinha de alimentos misturados, até acabar. Se a criança tiver fome, dará sinais pedindo mais comida. Por isso, nesse momento não estabeleça muitas regras de quantidade e horários rígidos, ofereça conforme ela demonstrar necessidade”, indica Patricia.

 

Como começar

Antes de optar por um ou outro método, que tal conversar com o pediatra sobre a introdução de alimentos sólidos no cardápio do bebê? “Fale sobre histórico familiar de alergia ou intolerâncias alimentares, problemas digestivos ou quaisquer outras questões de saúde do seu bebê”, recomenda a nutróloga, que escolheu o BLW para alimentar o filho Lucca.

 

“Hoje, ele come de tudo e, de preferência, com as mãos. Ele se diverte, se suja todo, mas o prato fica vazio. Eu recomendo!”, diz Patricia, que dá as dicas para quem também quer seguir o método:

 

- Certifique-se de que o bebê já sabe ficar sentado para comer. Coloque-o de frente para a mesa, no colo ou no cadeirão, deixando-o em segurança, porém livre para usar as mãos.

 

- Escolha alimentos fáceis de cortar em palitos ou tiras grandes e introduza novas formas e texturas gradualmente. “Comecei com frutas como manga, pera e maçã; cenoura em palitos, pedaços de carne em tiras, batata e mandioquinha cozidas”, lista a especialista.

 

- Não espere que o bebê coma muito no início: muitos só comem pequenas quantidades nos primeiros meses de desmame BLW, o que não compromete a nutrição, já que a criança ainda continua recebendo nutrientes do leite materno.

 

- A criança pode pensar que as refeições são momentos de brincar e, por isso, haverá bagunça! “Lucca jogava muita comida no chão, mas aqueles alimentos de que gostava mais, consumia quase inteiros. Eu deixava as opções no cadeirão, ele as sentia e comia conforme tinha curiosidade e fome”, relata Patricia. Em vez de dar o alimento diretamente à criança, coloque-o em sua frente e deixe-a escolher e pegar com as próprias mãos.

 

- Faça das refeições um momento agradável: não fique dando bronca, corrigindo ou limpando a todo momento.

 

- Disponibilize água para o bebê durante as refeições.

 

- Corte pequenos alimentos ao meio, como azeitonas e cerejas, removendo todos os caroços e sementes.

 

- Não deixe que ninguém, exceto o bebê, coloque a comida em sua boca.

 

O que evitar?

Priorizar legumes, frutas e outros alimentos naturais já é garantia de um começo de alimentação saudável. Porém, é importante evitar certos ingredientes nessa fase, como:

 

- Sal: todos os sabores ainda são novos para o bebê, portanto não há a necessidade de temperos como o sal, que em excesso prejudica a saúde.

 

- Açúcar: apesar de o sabor doce já ser conhecido pelo bebê por causa do leite materno, é essencial evitar a adição de açúcar aos alimentos oferecidos. “Não há quantidade recomendada de açúcar até o primeiro ano de idade. A quantidade é zero. Suco de limão pode ser oferecido sem adoçar, nós nos acostumamos a bebê-lo cheio de açúcar porque é cultural, mas o ideal é a criança se habituar à menor quantidade do produto possível”, avisa a nutricionista Ana Ceregatti. Produtos com açúcar, como iogurtes e geleias também devem ficar fora do cardápio pelo menos até o bebê completar um ano, inclusive os queijos petitsuisse, tão comuns de serem oferecidos nessa fase.

 

- Fastfood e refeições prontas: pela baixa qualidade nutricional.

 

- Mel: como o sistema gastrointestinal da criança ainda não está totalmente desenvolvido, não consegue eliminar as possíveis bactérias de botulismo presentes no produto e o risco de sofrer intoxicação é alto.

 

- Mariscos, tubarão e marlin (tipo de peixe).

 

- Ovos mal cozidos.

 

Fique sempre de olho!

O ideal é acompanhar atentamente todas as refeições do bebê, nunca deixá-lo sozinho com os alimentos. Segundo a nutróloga, é comum os pais levarem sustos com a criança quando ela não consegue engolir o alimento, mas nem sempre isso representa um engasgo.

 

“A criança apresenta um mecanismo de defesa que acontece no início até que a mastigação e a deglutição estejam bem desenvolvidas – chamado de Gag Reflex. Ele é confundido muitas vezes com o engasgo, mas não precisa de intervenção; a criança resolve sozinha e em segundos devolve o alimento que era maior que a garganta. O susto acontece, mas com o tempo é possível diferenciar”, explica.

 

Sem cara feia

Já que a ideia do desmame guiado pelo bebê é deixá-lo comer só o que quiser, não é necessário insistir para que ele consuma algum alimento de que, inicialmente, não gostou. “A alimentação tem que ser prazerosa. Se a criança não gosta hoje da banana, não significa que ela não gostará nunca do alimento. Ela precisa se acostumar com aquele alimento e tem que se habituar a mastigar e engolir, que é diferente da amamentação”, diz Mirian Rika.

 

Depois que o bebê já estiver acostumado com os alimentos sólidos, é possível oferecer novamente os alimentos que ele não quis consumir da primeira vez, mas de outras formas – por exemplo, se a cenoura foi apresentada cozida em palitos, que tal desta vez oferecer um purê?

 

 

Nossas fontes:

Ana Ceregatti é nutricionista

Mirian Rika é neonatologista do Hospital e maternidade São Luiz Itaim, em São Paulo

Patricia Savoi Canineu é nutróloga

 

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