Boas relações exigem CONFIANÇA

No relacionamento familiar ou com pessoas e serviços contratados, confiar é fundamental para ter tranquilidade e estabelecer uma cooperação mútua, colaborando inclusive com o desenvolvimento saudável dos pequenos

 

            Por Marisa Sei

 

             Ter segurança, acreditar, ter fé: tudo isso é o que significa a palavra “confiança”, quando buscamos por sua origem. Este sentimento está presente também nas situações cotidianas, e não só em relações mais profundas. Ter confiança é necessário, por exemplo, até na hora de escolher um serviço simples, como um restaurante ou uma conta bancária: é preciso acreditar que o serviço será de qualidade para contratá-lo.

 

            Confiar torna-se ainda mais importante para quem vai contratar um serviço destinado às crianças, já que existe a preocupação de estar de acordo com o que a família deseja ou acredita. Para ajudar a estimular o cultivo da confiança não só entre pais e pessoas ou instituições contratadas, mas também entre os membros da própria família, as psicólogas Lucimeire Prestes de Oliveira Tomé e Vivian Cancellara Picini comentam sobre o tema e dão algumas recomendações. Confira!

 

Depende de boas escolhas

            Procurar o melhor colégio para matricular os filhos é uma das principais dificuldades envolvendo o sentimento de segurança, já que os pais estão conscientes de que será o local em que as crianças passarão grande parte do dia e, por isso, aprenderão e compartilharão muitos valores. Assim, é fundamental conhecer a escola, o plano de ensino, as pessoas que trabalham no local. “Escolher a escola é de extrema responsabilidade. O adulto, antes mesmo de levar a criança para conhecer o local, deve pesquisar sobre a instituição, sobre os valores e princípios que regem a escola. Conversar com pessoas que utilizam o serviço também é importante”, indica Lucimeire.

           

           Antes da matrícula, portanto, pesquise, peça referências, converse com diretores e professores. Só assim é possível ter tranquilidade ao deixar os pequenos diariamente na instituição de ensino. O importante, aliás, não é só confiar nos funcionários do local, mas também concordar com o método de ensino, já que, depois de feita a matrícula, não há como querer modificar o que a escola já tem estabelecido e em acordo com funcionários e outros pais. “Se acontecer de os pais discordarem dos ensinamentos ou dos programas que a escola oferece, é melhor buscar outro local, pois a criança sempre está atenta ao que os pais pensam e dizem. Por exemplo: quando os pais não gostam da professora e deixam a criança perceber, naturalmente ela passará a não simpatizar tanto com a professora”, avisa a psicóloga.

           

                  Quem pesquisou bastante antes de escolher o colégio para a filha foi a bióloga Regina Oliveira. “Existem diversas escolas particulares e busquei conhecer também as públicas. Conversei com professores, li o programa de ensino, procurei saber o que as cantinas ofereciam de alimentação e conheci as atividades que eram dadas fora de sala de aula. Por isso, hoje, não tenho do que reclamar: a Júlia se sente à vontade no colégio, gosta dos professores e não preciso me preocupar com o que ela está aprendendo, tanto de conteúdo didático como de valores”, relata.

 

Estabelecendo uma boa relação

            Pesquisar, conversar e observar também é uma tarefa imprescindível na hora de escolher pessoas específicas que influenciarão no aprendizado e desenvolvimento dos pequenos, como babás e professores particulares. Estabelecer uma relação de confiança é indispensável, pois, muitas vezes, estes profissionais passam parte do dia com as crianças e mais ninguém. Nesses casos, tão importante quanto conversar com eles é bater um papo também com os filhos. “É preciso sempre conversar com professores e babás, mas também saber dos próprios filhos sobre como foi o dia deles. Observe se não houve nenhuma mudança negativa (e significativa) de comportamento. Não é preciso manter desconfiança, mas sempre monitorar e mostrar que os pais estão presentes e participam da vida dos filhos – isso pode ajudar a estabelecer uma boa relação com o serviço”, recomenda Vivian.

 

 

Em família

            Para que as crianças possam falar com sinceridade sobre os acontecimentos diários e sobre seu relacionamento com outros adultos, deve existir ainda a confiança depositada nos pais. Com isso, fica mais fácil também ter tranquilidade com as pessoas e serviços contratados. “Para merecer a confiança de uma criança, é necessário que o adulto tenha comportamento coerente e não provoque decepções. É fundamental estar presente na vida da criança e demonstrar, por meio de suas atitudes, que a criança pode confiar em seus cuidados e sempre quando prometer ou falar algo, fazer, cumprir”, avisa Lucimeire.

 

            Sem tanta preocupação, a relação de confiança entre pais e filhos pode ser construída naturalmente. Para a psicóloga Vivian Cancellara Picini, quando os pais confiam nos filhos e demonstram, dificilmente os filhos também não confiarão nos pais. “As duas partes são influenciadas uma pela outra. Se os filhos confiarem nos pais, isso garantirá a eles liberdade para explorar o mundo e saber que sempre terão esses adultos como pessoas que darão apoio e acolhimento em situações difíceis”, complementa.

 

            Dar crédito ao que os pequenos fazem e dizem pode ajudá-los a se relacionar melhor em ambientes coletivos, inclusive. E confiar também pode ser sinônimo de dar autonomia, já que os pais acreditam na capacidade dos filhos de realizarem certas coisas. “Quanto mais autonomia os pais dão ao filho, mais ele acreditará em sua própria capacidade”, destaca Vivian, que acrescenta ainda a importância de sempre dizer a verdade às crianças.

 

Desconfiança pode ser prejudicial

            Apesar de ser necessário sempre acompanhar de perto a relação da criança com as instituições que frequenta, serviços que usufrui e pessoas com quem convive, esse cuidado não deve ser confundido com desconfiança. “Não depositar confiança no serviço contratado prejudica todos os envolvidos: os pais não ficam tranquilos em deixar os filhos no local ou com a pessoa escolhida; os profissionais não têm a liberdade de desenvolver seu trabalho como estão acostumados porque os pais acabam interferindo; a criança vai percebendo essa relação de desconfiança e não se sente segura”, explica Vivian. Para Lucimeire, no início de um relacionamento, seja na contratação de pessoas ou de serviços, é preciso confiar para que o outro tenha tempo e condições de mostrar o que tem a oferecer e que pode atender às necessidades.

 

Escola: contato necessário

            Por não acreditarem nas instituições formais de ensino ou não encontrarem alguma que esteja de acordo com os valores da família, alguns pais vêm optando por ensinar as crianças em casa – às vezes, a tarefa fica por conta de professores particulares, outras, dos pais mesmo. Contudo, a prática de ensinar em casa não é regulamentada no Brasil e acaba privando os pequenos de terem contato com outras crianças e adultos, item necessário para o desenvolvimento cognitivo e social. “Quando a criança está na escola, tem a oportunidade de entrar em contato com diferentes pessoas e valores e conhecer regras que muitas vezes difere das estabelecidas em casa. Assim, desenvolve a capacidade de discernir, pois aprender o que é certo e errado é importante no processo de desenvolvimento e de educação”, diz Lucimeire.

 

              Frequentar a escola traz apenas benefícios, contudo, se houver equilíbrio entre o tempo que a criança passa no local e em casa, com a família. “É essencial ter um período do dia para fazer o que quiser, na hora que quiser. Quando estão na escola, as crianças têm uma rotina a seguir, estipulada pela instituição – se isso ocorre num período superior a oito, 12 horas, acaba não sendo tão saudável. Frequentar a escola é imprescindível porque ensina a ter uma rotina, seguir regras, dividir brinquedos, relacionar com seus pares... Mas é preferível não em período integral”, aconselha Vivian.

 

Nossas fontes:

Lucimeire Prestes de Oliveira Tomé é psicóloga especialista em Psicologia Escolar e Educacional e autora do livro Conversando sobre Crianças

Vivian Cancellara Picini é psicóloga

 

Publicado em 19/11/2014

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