Alerta vermelho

Com a chegada do verão e das férias, vem também o perigo de afogamentos

 

Por Natália Negretti

 

Chega o fim das aulas e a família se prepara para a época de festas e férias da garotada. Com o verão a todo vapor, nada melhor do que se refrescar brincando em piscinas ou aproveitar a folga e viajar para a praia. No entanto, esta época é também responsável pelo aumento de cerca de 30% dos afogamentos.

 

Pode ser difícil passar pela nossa cabeça como pequenos descuidos podem ser fatais às crianças. Mas a ameaça é real. No caso de afogamentos, um simples vaso sanitário destampado apresenta perigo a um bebê, por exemplo.Dados da ONG Criança Segura mostram que os afogamentos ocupam o segundo lugar no ranking de mortes de crianças entre um e 14 anos no Brasil, atrás apenas dos acidentes de trânsito. Todos os anos, mais de mil crianças morrem afogadas no país.

 

O principal motivo é a facilidade com que este acidente pode ocorrer, acompanhado da rapidez e do pouco barulho: apenas dez segundos são suficientes para que a criança fique submersa na banheira; em dois minutos a criançaperde a consciência, e de quatro a seis minutos já são suficientes para deixar sequelas neurológicas e pulmonares graves.

 

“Ao contrário do que se imagina, o acidente ocorre de forma rápida e silenciosa. A cena da criança debatendo-se na água e gritando por socorro é rara”, alerta a pediatra Marislaine Lumena de Mendonça, presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

 

O perigo em casa

Férias é ainda o período em que as crianças mais ficam em casa, aumentando as chances de acidentes domésticos, entre eles o afogamento. Pouca gente imagina, mas três dedos de água em um balde no chão já representa perigo a um bebê que esteja começando a andar. Por ter a cabeça mais pesada, pode se virar para dentro do balde e não conseguir mais voltar. Além disso, o descuido na hora do banho também apresenta risco. “Mais da metade de afogamentos de crianças menores de dois anos ocorre em banheiras”, destaca Marislaine.

 

Em casas onde há cisternas, poços, piscinas ou qualquer outro local que reserve água deve ainda haver o cuidado de manter trancados ou cobertos, evitando quedas ou mergulhos. Além destas precauções, um comportamento é fundamental: não deixar os pequenos sozinhos, já que são necessários poucos segundos para que um afogamento aconteça. E não são somente os pais que devem ter conhecimento sobre o perigo de afogamentos. Cuidadores, além de parentes próximos, também devem ser orientados sobre como evitar situações propícias a afogamentos, além do alerta constante de nunca deixar a criança sozinha.

 

Praias e rios

Apesar dos perigos domésticos, a maioria dos afogamentos acontece em águas naturais. De acordo com dados do Datasus, do Ministério da Saúde, afogamentos em piscinas acometem principalmente crianças entre um e quatro anos; já nas chamadas águas naturais, isto é, rios, lagos e praias, o público mais afetado são jovens entre 10 e 14 anos. No entanto, na somatória dos números, afogamentos em águas naturais contabilizam quase a metade dos acidentes entre crianças de zero a 14 anos.

 

“Quando comparamos o Brasil com outros países de menor litoral percebemos que os índices de afogamento aqui são maiores. Porém, não é somente o litoral que nos traz alto risco para esse acidente, mas também o grande número de rios e lagoas”, destaca a coordenadora da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia.

 

Algumas medidas são essenciais para a criançada se divertir de forma segura, como não brincar sozinho, mesmo em lugares considerados rasos, e ficar atento à maré, ondas e correntes. Checar a presença de um salva-vidas e questioná-lo sobre os lugares seguros para brincar, além de ler e seguir os cartazes de alerta presentes no local também são medidas importantes.

 

“Mais de 70% das pessoas que se afogam em nossas praias vivem fora da orla e, portanto, não estão habituadas aos seus perigos e peculiaridades”, afirma o médico especialista em afogamentos David Szpilman, diretor da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) e membro da International Life Saving Federation (ILF).

 

Piscina Mais Segura

Seja no clube ou em casa, a piscina é um perigo constante se não aproveitada da forma correta. Buscando amenizar esse fato, Szpilman e sua equipe desenvolveram uma campanha chamada “Piscina Mais Segura”. São cinco medidas que garantem 95% de proteção durante o uso das piscinas:

1 - Atenção 100%. Pais ou responsáveis precisam ter total supervisão e estar na distância de um braço da criança. A responsabilidade é sempre dos pais, mesmo se houver salva-vidas.

2 - Guarda-vidas presente. É preciso exigir os profissionais em piscinas de uso comum.

3 - Urgência. É preciso saber como agir, não se arriscando e sabendo como ajudar.

4 - Acesso restrito. Piscinas devem ser cercadas a uma altura que impeça crianças de entrarem no recinto sem um adulto.

5 - Sucção. É preciso a instalação de ralos antissucção e meios de interrupção da bomba.

Mais informações podem ser vistas no site www.sobrasa.org/piscinamaissegura

 

Prevenção

Aulas de natação não são garantias contra afogamentos em crianças pequenas, mas são importantes para a consciência do perigo.Após os cinco anos, já surgeuma noção maior sobre como nadar bem, contudo, é preciso deixar sempre claro o respeito às normas de segurança, como os riscos de mergulhar em águas desconhecidas onde não se sabe a profundidade, presença de pedras, entre outros perigos. Tomar cuidados básicos, como conhecer o local onde nadar e usar colete salva-vidas diminui em 90% o índice de acidentes.

 

Principais cuidados

Quando se trata de crianças em situações que envolvem água o primeiro mandamento é não deixar o pequeno sozinho nem por um instante. Além disso, algumas medidas devem ser tomadas:

 

No banho

- Deixe ao alcance da mão todo o material necessário, como xampu, sabonete e toalha.

- A banheira deve ser apoiada em uma altura que permita movimentos fáceis do adulto.

- Dez centímetros de água na banheira são suficientes para o banho.

- Segure o bebê sem deixá-lo escorregar.

- Banheiras, baldes e bacias devem ser guardados vazios e em locais altos.

 

Em casa

- Vasos sanitários devem estar sempre fechados ou a porta do banheiro trancada.

- Mantenha tanques e piscinas infantis sempre vazios.

- Se a casa tiver piscina, mantenha-a tampada com lonas ou cercada.

- Evite deixar brinquedos e outros atrativos próximos à piscina.

 

Na piscina, praia e rio

- Coletes salva-vidas são mais seguros que boias, que podem estourar, virar ou ser levados pela correnteza.

- Não ingerir bebidas alcoólicas, para ter 100% de supervisão.

 

Afogamentos no Brasil

O estado de São Paulo é o mais afetado por mortesde crianças vítimas de afogamento no país (12%), seguido por Bahia (9%) e Minas Gerais (8%). No entanto, considerando as regiões, a Nordeste lidera com 35%.

(Fonte: Ministério da Saúde / ONG Criança Segura)

 

Como agir

Pais e cuidadores devem saber técnicas de primeiros socorros, principalmente aqueles que têm piscina em casa. É possível encontrar informações em prontos-socorros e hospitais, no site da Sobrasaou até mesmo com o pediatra.“Em qualquer situação aquática, antes de ajudar alguém que está se afogando, é preciso estar seguro para na hora de ajudar não se afogar junto”, destaca David. Além disso, antes de ir ao encontro do afogado, é importante jogar objetos de flutuação e avisar alguém para que peça ajuda especializada. “É também recomendado ter um telefone perto da piscina, para ligações de emergência. Tanto o Samu 193 como o corpo de bombeiro 192 poderá ser acionado”, complementa Marislaine.

 

 

Nossas fontes:

Alessandra Françoia, coordenadora da ONG Criança Segura

David Szpilman, médico especialista em afogamentos

Marislaine Lumena de Mendonça, pediatra

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