Colesterol infantil

Estudos apontam que três em cada dez crianças podem ter o problema. Conheça as causas mais comuns e como simples mudanças de hábitos podem espantar esse bicho-papão!

 

Por Jacque Lopes

 

Seu filho torce o nariz para frutas, legumes e verduras, mas não dispensa fast-food, bolachas recheadas e salgadinhos? Fique de olhos abertos, pois ele pode ser um forte candidato a estar com o colesterol alto.Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, aproximadamente 40% dos adultos possuem colesterol alto. Apesar de os números não serem oficiais, médicos e especialistas estimam que a doença atinja até 30% das crianças no país.

 

Amigo ou inimigo?

Colesterol é uma substância similar à gordura (lipídeo), fundamental para o funcionamento perfeito do corpo, e está presente em diferentes órgãos como cérebro, intestinos e coração, além de nervos, músculos e pele. “Ele é responsável pela produção de hormônios e pela composição da vitamina D, necessária para os ossos e para o crescimento na fase infantil”, explica a pediatra Ana Maria Meireles.

 

No entanto, quando o colesterol está em excesso no organismo, aumenta o depósito deplacas de gordura nas artérias, dificultando a circulação sanguínea. Esse entupimento recebe o nome de aterosclerose que, se não tratada, tende a se agravar ao longo dos anos, elevando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

 

O perigo está dentro de casa

Cerca de 70% do colesterol é produzido pelo fígado, enquanto os outros 30% são provenientes da alimentação. E é aí que começa o problema. A escolha errada na hora das refeições é, sem dúvida, a principal causa do aumento do colesterol entre as crianças.

 

Cada vez mais o paladar dos pequenos exige alimentos ricos em gordura saturada (de origem animal), gordura trans (aquela encontrada em guloseimas como salgadinhos, sorvetes, chocolates, bolachas doces e outros produtos industrializados), embutidos (presunto, salsicha, mortadela...) e frituras, não sobrando espaço para frutas, verduras e legumes.

 

Para os especialistas, outro fator que tem colaborado para as altas taxas de colesterol é o sedentarismo. Passar mais de duas horas por dia assistindo televisão, no computador ou no celular, e não praticar atividades físicas regulares, também são situações que agravam o problema.

 

A terceira causa apontadaé a herança genética. Isso explica porque, às vezes, uma criança com o peso ideal ou até abaixo do recomendado pode ter colesterol alto, enquanto outra, que está acima do peso, não possui níveis elevados da substância.

 

“Crianças magras podem ter uma dieta inadequada, rica em gordura ou produzir muito colesterol involuntariamente. Nesse caso, o problema é de origem familiar e precisa ser investigado e tratado desde cedo. Já crianças obesas podem ou não apresentar colesterol alto. Isso vai depender do metabolismo de cada uma”, esclarece Elisabete Almeida, coordenadora do programa Meu Pratinho Saudável. “Porém, vale lembrar que a obesidade infantil é um fator que influencia o desenvolvimento de inúmeras outras doenças como hipertensão e diabetes”, completa Elisabete.

 

Duas faces

Existem dois tipos de colesterol: o HDL (Lipoproteína de alta-densidade) e o LDL (Lipoproteína de baixa-densidade). O primeiro é caracterizado como bom, pois transporta as gorduras das artérias para o fígado, onde são eliminadas. Além disso, ele precisa estar sempre com os níveis elevados para exercer melhor a sua função. Já o segundo é visto como ruim, pois é esse que se acumula nas artérias e nas células, comprometendo a saúde.

 

O tratamento começa pelo prato!

A maneira mais eficaz de prevenir e tratar o colesterol alto em crianças é através de uma alimentação balanceada. O primeiro passo é melhorar o cardápio dentro de casa e estimular seu filho a conhecer e explorar novos paladares. Veja como.

 

  • Leve a carne vermelha à mesa apenas uma vez na semana. No restante dos dias, opte por frango e peixe, que são alimentos mais magros e com menos gordura.

  • Leite e iogurtes devem ser consumidos diariamente, desde que na versão desnatada ou semidesnatada.

  • Queijos amarelos devem sair de cena para dar lugar ao queijo branco, ricota e cottage, que são opções mais leves.

  • Evite as frituras. Prefira assar ou grelhar os alimentos quando for montar o prato dos pequenos.

  • Como sobremesa, ofereça uma taça de gelatina ou fruta picadinha em vez de tortas e sorvetes, que elevam os índices de colesterol no sangue, além de favorecerem quadros de diabetes.

  • Estabeleça regras: nada de comer assistindo à televisão ou mexendo no celular.

  • Invista no azeite e em alimentos oleaginosos (castanhas, nozes e outras sementes) para favorecer o aumento do colesterol bom no sangue. Você pode inseri-los na salada ou nos lanches da escola.

  • Metade do prato do seu filho deve conter legumes e verduras variados. A outra metade deve ser dividida em ¼ de alimentos ricos em carboidratos e ¼ de fontes de proteínas. Os alimentos ricos em carboidratos são arroz, batata, mandioca, macarrão e pães. Já as fontes de proteínas mais consumidas são feijão, lentilha, soja, carnes e ovos.

 

E quando eles estão longe?

Se controlar o que as crianças comem dentro de casa demanda paciência e determinação, imagina quando os pequenos estão fora do seu alcance! As tentações estão por toda a parte: na cantina, não faltam salgadinhos, refrigerantes e outras guloseimas gordurosas. Já em festas de aniversário, a preocupação fica por conta de frituras, bolo recheado e muito, muito brigadeiro.

 

Para driblar essa situação, faça você mesma o lanchinho do seu filho. Aposte em pão integral com peito de peru e queijo branco, além de um copo de suco natural de fruta. Para variar ao longo da semana, troque o pão por cookies, tapioca ou uma fatia de bolo simples com aveia, por exemplo. Já o suco pode ser intercalado com vitaminas à base de leite ou iogurte.

 

Para Elisabete, as festas de aniversário não devem ser evitadas. “O correto é a criança ter educação nutricional e fazer exercícios físicos frequentes, assim, as datas comemorativas ficarão mais saborosas e sem culpa”. Já Márcio Krakauer, endocrinologista, sugere que os pequenos façam uma refeição saudável antes de saírem de casa, evitando que comam em excesso.

 

Fique alerta aos números!

Colesterol alto costuma ser uma doença silenciosa e assintomática, por isso, se há casos do problema na família ou se seu filho tem propensão ao ganho de peso, recomenda-se procurar o pediatra e pedir exames clínicos a partir dos 2 anos de idade.

 

Para realizar o diagnóstico, o médico encaminhará um exame laboratorial para averiguar os níveis de colesterol no sangue. O colesterol total de crianças de 2 a 19 anos deve ser inferior a 170mg/dl (miligramas por decilitro). O nível desejável ao organismo fica em torno de 171 – 199mg/dl. Taxas consideradas elevadas e perigosas ultrapassam 200mg/dl.

 

 

Nossas fontes:

Márcio Krakauer, endocrinologista do Hospital e Maternidade Drº Cristóvão da Gama, em Santo André (SP);

Elisabete Almeida, coordenadora do programa Meu Pratinho Saudável

Ana Maria Meireles, pediatra da Carelink, do grupo B2 Saúde

 

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