O problema não é meu, é nosso!

Veja por que é importante dividir as dificuldades do dia a dia com os pequenos

 

Por Amanda Araújo

 

Saber o jeito certo de criar os filhos é a dúvida diária dos pais. Portanto, sempre surge a dúvida: é melhor contar tudo ou deixá-los em uma redoma de vidro? Nem um, nem outro. Segundo o médico, professor e pesquisador na área de  Neurociência do Comportamento, Jô Furlan, preservar muito os filhos pode ser um verdadeiro pesadelo na formação do indivíduo – mesmo que alguns cuidados tenham que ser tomados.

 

“Os filhos devem ser informados da importância da rotina, do trabalho dos pais, da necessidade das regras de convívio. A grande questão não é compartilhar os problemas com eles, mas sim dar aos problemas um perfil dramático. Problemas fazem parte da vida; o que muda é forma como lidamos com eles”, diz.

 

E agora, o que fazer?

É importante lembrar que os obstáculos do dia a dia devem sempre ser compartilhados, principalmente, quando for necessário um esforçoconjunto para a resolução deles, assim como quando o problema representa uma mudança na dinâmica familiar ou na vida como um todo. Veja dicas de profissionais em algumas situações:

 

* Problemas financeiros: é precisoexplicar claramente que se a família não faz alguma coisa por restrição financeira como ir ao cinema, ir a uma lanchonete famosa ou comprar um presente, não se trata de uma punição, mas sim de uma incapacidade temporária. Não é que a criança não mereça, mas, no momento, isso não é possível.

 

* Separação: evidenciar a importância de que, independentemente de os pais não estarem morando mais juntos, ambos continuam amando o filho e que estarão juntos sempre que possível. “É importante esclarecer que a separação que ocorreu não é por causa da criança”, diz Furlan.

 

* Doença ou morte na família: explique que as pessoas podem ficar frágeis e doentes, necessitando de cuidados especiais. Já a abordagem em relação à morte deverá seguir os preceitos religiosos da família.

 

Mas atenção! É importante considerar que as relações em todos os níveis ficam contaminadas, principalmente as familiares. Como assim? A psicóloga Sandra Monice explica que nem sempre conseguimos o distanciamento emocional necessário para pensar com frieza na questão, por isso mesmo é importante ter com quem compartilhar.

 

“Para que isso não gere mais problemas, é necessário respeitar os nossos limites e os de quem ouve, principalmente quando são crianças. O melhor jeito é ser sincero, não mentir e não descontar no outro o nervosismo que acompanha essas situações, lembrando que nem sempre a criança precisa saber de todos os detalhes ou da profundidade do problema; apenas o suficiente para compreender as mudanças que se farão necessárias”, afirma.

 

Não leve os problemas para a casa!

Conseguir separar os problemas do trabalho e não levá-los para fora do expediente, nem sempre é fácil. Mas saber se controlar e manter esse equilíbrio emocional é fundamental para não descontar nos filhos. “A corda sempre estoura do lado mais fraco. É muito comum no momento de maior pressão e estresse que haja o desconto ou o redirecionamento da raiva para outra coisa diferente da razão original. Aprenda a separar correção de punição. Por isso, na dúvida, em um momento desses, vale a pena contar até 100”, ensina Jô Furlan.

 

O médico ainda recomenda aos pais uma técnica comportamental criada por ele chamada‘Cachorro Molhado’. Essa técnica baseia-se em dar pequenos pulos e chacoalhar o corpo simultaneamente podendo emitir algum tipo de som. “Isso será o suficiente para que, ao menos por um curto espaço de tempo, seu cérebro mude de frequência emocional, permitindo uma visão mais objetiva da situação. Parece uma brincadeira, mas gera bastante resultado”, diz.

 

Vale também serhonesto e pedir um isolamento momentâneo para que se possa reavaliar a conduta e desviar o foco do problema. “A sinceridade e a verdade são sempre os melhores conselheiros nessas horas”, completa Monice.

 

Sem dúvidas!

P: Todos os problemas devem ser compartilhados com os filhos?

R: “Não, problemas afetivos do casal devem ser resolvidos pelo casal, apesar de as crianças perceberem que algo está errado. Por isso, vale a pena esclarecê-las sobre como é desafiador construir uma família, que a criança é muito amada e que faz parte dos motivos que fazem com que os pais se amem. Não é prudente preocupar em excesso as crianças, mas também é perigoso construir um mundo de fantasia com a plena ausência de problemas e dificuldades”, diz Jô Furlan.

 

P: Quando não contados de forma correta, quais as consequências que os problemas podem trazer para os filhos no futuro?

R: “Inicialmente, acredito que, quando os problemas não são contados, eles são vividos no seio da família. Quando as relações familiares não são estáveis e fortes o suficiente para vivenciar os problemas decorrentes da vida de todas as pessoas, os filhos são inseguros, ficam doentes e se tornam indisciplinados. Lembremos que o sujeito se constitui por meio das vivências e experiências que acumula no decorrer de sua vida. Ninguém nasce pronto: nem os filhos!”, lembra a professora de Pedagogia, Neuzi Schotten.

 

P: A partir de qual idade os pais devem compartilhar os problemas?

R: “A partir dos 5 anos a criança já tem consciência do mundo, de limites e referências emocionais para lidar com algumas questões, por isso conseguem perceber que algo está errado e a omissão, neste caso, pode ser prejudicial”, diz Sandra.

 

 

Nossas fontes:

Jô Furlan,médico, professor e pesquisador na área de  Neurociência do Comportamento;
Sandra Monice, psicóloga;
Neuzi Schotten, professora no curso de licenciatura em Pedagogia

 

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