Desmistificando o PARTO HUMANIZADO

Respeito e amor desde a gestação até o nascimento: este é o ponto principal da metodologia que transforma a mãe em protagonista durante o parto

 

Por Marisa Sei

 

Mesmo sendo um sonho para muitas mulheres, ser mãe traz alguns medos – a começar pelo parto. A desinformação sobre o que pode acontecer no processo e o receio de sentir muita dor, somados ainda à falta de preocupação dos profissionais com os sentimentos e desejos da gestante, deixam as futuras mamães inseguras.

 

É para minimizar essa insegurança e devolver às mulheres o poder de escolha e um parto ativo que existe, no Brasil, o movimento de humanização do parto. A metodologia, autorizada no Sistema Único de Saúde e preconizada pela Organização Mundial da Saúde, ainda gera muitas dúvidas. Por isso, convidamos dois profissionais especializados em parto humanizado para responder às principais questões sobre o tema. Confira!

 

O parto humanizado é uma técnica nova?

Na verdade, a metodologia busca trazer de volta a compreensão de que o parto é um processo natural e de que muitas intervenções consideradas tecnológicas na verdade são ultrapassadas. “No parto humanizado, são utilizadas as evidências científicas mais atuais aliadas às escolhas da gestante e à experiência profissional da equipe que se presta a estar atualizada, treinada e disponível em tempo integral para esse atendimento”, explica o obstetra Braulio Zorzella. No Brasil, há um movimento de humanização do parto para que a mulher seja a protagonista e o bebê tenha um nascimento respeitoso e digno.

 

O parto é sempre natural?

“No movimento de humanização, cesárea não é considerada parto, e sim uma cirurgia de médio a grande porte”, diz a doula Fernanda Vasconcelos. No Brasil, quase 40% dos partos realizados no SUS e 84% nos hospitais privados é do tipo cesárea, contrariando a recomendação da OMS de priorizar os partos naturais (o ideal é que o número máximo de cesáreas no país seja de 15%).

 

A cesárea apresenta desvantagens como maior tempo para recuperação, riscos como em qualquer outra cirurgia (hemorragia, infecções), maior taxa de mortalidade materna e neonatal e maior necessidade de internação de recém-nascidos em UTI. A OMS recomenda a cirurgia apenas quando há algum tipo de impedimento para o parto normal.

 

Como decidir pelo parto humanizado?

O primeiro passo é buscar informações, ainda durante a gravidez. No parto humanizado, é a gestante quem faz as escolhas e toma as decisões com a ajuda da equipe médica, da doula (se houver) e do acompanhante e, por isso, precisa estar bem informada sobre gestação, parto e pós-parto.

 

“Além disso, é importante a busca por um serviço ou uma equipe que trabalhe dentro dessa linha”, recomenda Zorzella. Como é um método trabalhoso, já que exige dedicação integral do médico (dando informações à gestante sempre que necessário em consultas que não duram menos de uma hora e estando disponível para qualquer momento em que o bebê decidir nascer), existe a resistência por parte de alguns profissionais.

 

Essa dificuldade foi presenciada pela auxiliar contábil Máyra Rosa dos Santos, que passou por dois médicos que se recusaram a realizar o parto natural. “Antes da gravidez, eu e meu marido já havíamos conversado sobre a ideia de parto normal, em caso de gravidez de baixo risco, o que, para nós, era só chegar, expor essa vontade ao médico durante o pré-natal e pronto, seríamos atendidos”, comenta Máyra. Porém, foi só a terceira obstetra, indicada pela doula e amiga do casal Fernanda Vasconcelos, quem aceitou atender o casal e iniciar o plano de parto humanizado.

 

Como funciona?

Após colher todas as informações necessárias e analisar a saúde da mãe do bebê, a gestante decide, junto com a equipe médica e a doula (se houver), quais técnicas quer utilizar no trabalho de parto, que pode começar em casa mesmo, com procedimentos que aliviem a dor e deixem a mulher mais confortável (como banho quente, luz baixa, presença de pessoas queridas, música suave, exercícios de respiração e agachamento).

 

No caso da nossa entrevistada Máyra, o trabalho começou em casa, com banho e massagens e, quando ela sentiu que estava preparada, dirigiram-se para o hospital. Ou seja, não é o hospital que vai descaracterizar o parto humanizado, já que o local também pode estar preparado para esse procedimento – até mesmo a cesárea pode ser humanizada, com presença de acompanhante, médico preparado e menos ruídos, intervenções e luzes fortes.Nessa metodologia, portanto, o importante são as escolhas e o conforto da mãe.

 

 

 

 

 

 

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No parto humanizado, as escolhas da gestante são respeitadas e a equipe médica está pronta para realizar intervenções apenas quando houver necessidade (na maioria dos casos, não há). A mãe é a protagonista e seu trabalho e o contato com o bebê logo após o parto são valorizados

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É menos dolorido?

“A dor do parto é um dos temas-chave em relação à escolha do parto. Hoje, muitas mulheres acabam optando por uma cesárea na esperança de se livrarem dessa dor, mas ela é subjetiva e, quanto mais medo, mais dor. Assim, as gestantes com melhor preparo psicológico conseguem lidar melhor com a dor”, explica o obstetra. Estar bem informada, portanto, é essencial para passar pelo parto com mais tranquilidade.

 

Além disso, no parto humanizado, diversas técnicas podem ser usadas para aliviar o desconforto, como a organização, silêncio e luz baixa, presença do acompanhante, massagens, agachamentos, alongamentos e, em alguns casos e dependendo da equipe, acupuntura, eletroestimulação e hipnose. Em casos de maior necessidade, pode haver a utilização de métodos farmacológicos, como a analgesia para o parto. “Em geral, a maioria das gestantes, em torno de 80%, não sente a necessidade de analgesia”, acrescenta o especialista.

 

Existem outras vantagens?

Inúmeras. No parto humanizado, a gestante fica livre de desconfortos provocados durante o parto realizado com profissionais despreparados ou desatualizados, como múltiplos exames vaginais, posição fixa deitada, força desnecessária, empurrões na barriga, jejum, episiotomia (corte vaginal), entre outros que, em alguns casos, pode ser dolorido e humilhante. A mãe pode beber água ou comer algo leve caso sinta sede ou fome, mexer-se à vontade para encontrar a posição mais confortável, ter direito a um acompanhante e à presença da doula.

 

Além disso, assim que o bebê nasce, tem contato direto com a mãe em vez de ser levado para longe pelas enfermeiras. Mãe e filho têm direito de ficarem juntos e terem a amamentação na primeira hora de vida – ou seja, o respeito e o carinho duram até o fim do nascimento. Procedimentos desnecessários com o bebê também são evitados, como aspiração das vias aéreas, uso de colírios e banho imediato. “Quando o Rafa nasceu, veio direto para o meu colo. Eu estava completamente exausta e feliz. Levantei devagar, fui para a cama e, enquanto isso, a pediatra pegou meu bebê para medir, pesar, colocar a fralda e, logo em seguida, me devolver. Minha alegria foi tão grande ao ver meu bebezinho, inteirinho e prontinho em meus braços”, conta Máyra.

 

O papel da doula

“Doula é a mulher que serve a gestante, fornece informações e acompanha antes, durante e depois do parto, dando apoio físico, psíquico e emocional para que a futura mãe consiga parir com dignidade e tranquilidade”, define Fernanda. A doula não examina a gestante nem faz o parto, porém sua presença é importante para dar força e poder à mulher durante o parto e reduz as taxas de cesáreas e intervenções desnecessárias.

 

Existem doulas com outras formações, como fisioterapia, enfermagem, psicologia, massoterapia, dança, etc., mas são sempre mulheres interessadas no resgate da força feminina na gestação, parto e pós-parto. “São funções da doula ajudar a gestante na elaboração do plano de parto, trabalhar aspectos emocionais da gestação, fazer massagens e outras terapias alternativas para alívio da dor, preparar chás e sopa para alimentar a gestante, acalmar e dar força em um momento de fraqueza, segurar a mão da mulher nas contrações, dar orientações sobre puerpério e amamentação. Isso vai depender das necessidades de cada gestante”, completa Fernanda.

 

 

Nossas fontes

Braulio Zorzella é ginecologista e obstetra

Fernanda Vasconcelos é doula, instrutora de yoga e jornalista

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