Meu filho mente!

Muitos pais se preocupam com as histórias inventadas pelas crianças e procuram repreender o comportamento; saiba como agir diante dessas situações

 

Por Rose Araujo

 

Que criança nunca contou uma mentirinha de vez em quando? Seja para fingir que é uma princesa de um conto de fadas ou um super-herói corajoso, seja para esconder pequenas travessuras, esse recurso costuma aparecer no cotidiano das famílias com frequência. O problema é quando se torna um hábito.

 

Mentir sempre e para tudo é doença e tem nome: mitomania ou pseudolalia. Trata-se de um desvio de comportamento patológico, ou seja, a pessoa não tem controle sobre isso. Pode ocorrer desde a infância e nada tem a ver com as mentiras pregadas para fugir da bronca ou para fantasiar uma ação.

 

O mitônomo desenvolve uma espécie de compulsão pela mentira e precisa dela para se sentir uma pessoa interessante e aceita. A patologia precisa ser diagnosticada e tratada com a ajuda de profissionais.

 

Agora, quando as mentiras são um escudo para uma punição, é outra história. “O comportamento de mentir é chamado de comportamento de contracontrole, porque tem a função de fugir de uma situação de punição sobre a qual não se tem possibilidade de enfrentamento. Ou seja, em vez de dizer uma verdade que será punida, eu digo uma mentira que não será punida”, explica a psicóloga comportamental Adriana Serrano.

 

A psicóloga avalia que, na maioria das vezes em que a criança mente, está buscando uma saída para uma situação de punição. “É um caminho alternativo à punição. As crianças vivem o presente e não conseguem antecipar o futuro, então acreditam que a mentira que a protegeu naquele momento jamais será descoberta”, destaca Adriana.

 

Nesse ponto, o questionamento deve voltar-se aos pais. Se seu filho anda mentindo muitas vezes para se safar das broncas, será que você não anda exagerando nas punições? “Se punimos a verdade, gerando a mentira, e depois punimos a mentira, o que estamos ensinando aos nossos filhos sobre seus comportamentos e sobre sua comunicação conosco? Vivemos numa sociedade extremamente punitiva, que faz com que nos comportemos para evitar punições, raramente para sermos compreendidos e amados pelo que somos”, salienta a psicóloga.

 

O certo e o errado

Claro que, se a criança fez alguma coisa errada que pretende esconder com uma mentira, não se pode relevar o comportamento inadequado. No entanto, é preciso tomar muito cuidado para não punir seu comportamento de falar a verdade. Mas, como fazer isso? “Temos de estar abertos, como pais, aos comportamentos inadequados de nossos filhos, e dispostos a ajudá-los no aprendizado do que é certo e errado, sem raiva e com paciência”, ensina Adriana.

 

Isso significa driblar a frustração, a raiva e a vergonha perante os envolvidos para se voltar à criança e tentar entendê-la e ensiná-la a mudar esse padrão de comportamento. “Precisamos nos abrir para discutir o assunto com ela, ponderar o que foi errado e por que a criança agiu da forma como agiu. Essa postura aberta e disposta a compreender e ajudar é a melhor forma dos pais ensinarem os filhos a falarem a verdade, pois faz com que as crianças vejam nos pais alguém em quem podem confiar, alguém que vai ajudá-las a resolver seus problemas e que as aceitam mesmo com seus erros.”

 

Adriana ressalta, no entanto, que é preciso mostrar à criança que o que ela fez não foi legal. “É importante levar o filho a perceber que o que fez foi errado, que traz consequências para os outros e para si mesmo, que é preciso resolver o problema e comprometer-se a não mais se engajar no comportamento inadequado.”

 

Para isso, ela explica, é imprescindível que os pais discutam com os filhos como poderiam ter agido para produzir melhores resultados. E tem mais: é necessário orientá-los com estratégias para resolverem o problema em questão de modo satisfatório para todos os envolvidos. “Lembre-se que seu filho é um aprendiz e erra porque está aprendendo formas adequadas de agir. E você, pai e/ou mãe, é responsável por esse ensinamento”, conclui a psicóloga.

 

Seja modelo

Quando você pede ao seu filho que minta em seu nome (por exemplo, quando manda ele dizer ao telefone que você não está), automaticamente está dando ao pequeno um exemplo de que faltar com a verdade é permitido. “É incoerente que digamos a elas que mentir é proibido, pois todos nós, em algum momento, mentimos. Por isso, além de não punirmos a verdade, é importante discutir com a criança os efeitos que a mentira produz”, explica Adriana.

 

Em primeiro lugar, ela protege um comportamento inadequado, que pode esconder injustiças e desigualdades. Em segundo, pode fazer com que as pessoas não acreditem em nós quando falarmos a verdade. Mas, em terceiro, pode proteger alguém de uma verdade difícil.

 

“Por exemplo, às vezes mentimos para alguém para lhe fazermos uma surpresa. Ou para uma tia, que comprou um presente para nós com tanto carinho, mas errou no nosso gosto. É mais importante se focar no carinho do presente do que no objeto dado de presente. Essas são mentiras adequadas, e essa diferença pode ser explicitada para as crianças. Não só porque mentir é errado, mas principalmente porque precisamos construir um ambiente onde mentir não seja necessário!”

 

Como tornar a mentira desnecessária

1º passo: entender

- pergunte o que houve

- pergunte por que seu filho agiu daquela maneira

- controle sua frustração: lembre-se que a criança está aprendendo como resolver problemas e você é responsável por esse ensinamento.

 

2º passo: resolver

- discuta com seu filho as consequências geradas pelo comportamento dele (por exemplo: machucou o amigo, quebrou o brinquedo, etc.)

- aponte que é preciso cuidar dessas consequências e que, por estar errado, ele deverá resolver o que provocou e como.

 

3º passo: planejar a próxima vez

- discuta com seu filho como ele poderia ter resolvido o problema de modo a não causar as consequências que provocou

- dê modelos, exemplos de situações parecidas que já aconteceram com você

- peça que a criança faça um resumo da conversa e explique o que fez de errado, que consequências provocou e como poderia ter feito para obter melhores resultados.

 

O que as mães dizem?

“Particularmente, acredito que minhas filhas não mentem exageradamente. Acho que são só algumas mentirinhas de vez em quando. Mas estou sempre atenta, pois adolescente é sempre uma caixinha de surpresa”, Fabiana Kizaki, mãe de Larissa, 16 anos, e Sofia, 6 anos

 

“Minha filha tem contado umas mentirinhas, sim. Mas sempre coisas bem bobinhas. Por exemplo, dei um chiclete pra ela e, quando ela me devolveu (sou eu quem joga fora sempre), vi que estava menor do que o normal. Perguntei se ela tinha engolido uma parte e ela disse que não. Em seguida, perguntou se o nariz dela tinha crescido... rs”, Liliane Ito, mãe de Giovana, 3 anos

 

“Eu acredito que, por mais que eu tente ensinar - e já conversei várias vezes sobre esse assunto -, ela pode mentir sim. Passo para minha filha o que é certo e chego a dar exemplos. Mas acredito que quando a criança se sente com vergonha ou ameaçada por uma situação, no desespero, ela mente. Daí é onde entramos para descobrir o porquê. Tem que conversar e colocar para ela que a mentira não tem tamanho. Seja ela pequena, do tipo mentir que já escovou os dentes, até algo mais sério”, Mirian Bravin, mãe de Manuela, 9 anos

 

 

Nossa fonte

Adriana Serrano, psicóloga comportamental

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