Sol demais, proteção de menos

Pesquisa inédita revela que pais e educadores não têm blindado de forma eficaz as crianças contra a radiação do sol

 

Por Rose Araujo

 

Responda com sinceridade: quantas vezes ao dia você usa o protetor solar no seu filho? É, esse hábito que adquirimos nos últimos anos sempre que vamos à praia ou piscina não se concretizou no dia a dia. O uso do filtro geralmente fica restrito aos momentos de lazer, mas a sua ação deveria ser diária.

 

“Este comportamento de risco é um agravante para o aumento do número de casos de câncer de pele no país, que segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), já é o mais frequente no Brasil, representando 25% dos tumores malignos”, alerta o médico Paulo Ricardo Criado, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Regional SP.

 

Uma pesquisa inédita realizada pela entidade revela que a grande maioria dos pais e educadores desconhece a importância da proteção das crianças contra os raios do sol. Apesar de 89% dos entrevistados afirmarem que usam filtro solar nas crianças, uma parcela representativa deles contou que não reaplica o produto, o que deixa os pequenos vulneráveis da mesma forma. Ou seja, existe uma grande falha na rotina de cuidados, o que pode comprometer a saúde da criança.

 

A pesquisa ouviu 823 pais e 157 educadores em todo o país.  “Os pais já sabem que devem utilizar o protetor solar, por exemplo, durante as férias de verão”, explica Criado. “Mas esquecem que, mesmo nos dias nublados, a criança está exposta aos raios UV, muitas vezes, até mais nocivos do que nos dias de sol”, completa.

 

Entre os 11% que declaram nunca usar o protetor solar, 42% alegam que esquecem; 32% não compram por ser muito caro e 15% não consideram o produto importante. Ainda assim, há um número relevante, 23% dos pais e 19% dos educadores, que ignoram também o risco da exposição solar excessiva.

Perguntados sobre a proteção diária, pelo menos 1/3 dos pais não consideram necessário aplicar protetor solar se não estiverem na praia e 38% deles desconhecem a necessidade de proteção nos dias nublados ou fora do verão.

 

Contradições

A pesquisa revela certa incoerência em relação à teoria e prática: 69% dos pais declaram que sempre estimulam os filhos a se proteger do sol evitando horário de pior incidência solar (entre 10h e 15h), porém, quase metade dos educadores analisados (45%) deixa os alunos expostos ao sol nos piores horários ou o dia todo e 29% deles afirmam que nunca estimularam a proteção solar entre seus alunos.

 

Apesar de 58% dos pais e 57% dos educadores afirmarem que a exposição excessiva ao sol na infância pode levar ao câncer de pele, por exemplo, o comportamento de risco das crianças e adolescentes brasileiros em casa ou na escola revela que teoria e prática não andam juntas quando o assunto é prevenção. É aí que entra o trabalho conjunto entre a escola e a família, para que a criança já vá para a escola com o produto aplicado ou leve o protetor na mochila, para que seja utilizado nos períodos de exposição (recreio, educação física, entre outros).

 

Mais vulneráveis

O levantamento ainda aponta que as crianças abaixo dos três anos são as mais vulneráveis, já que muitos pais consideram que elas ainda não podem usar o protetor. Do total, 32% deles afirmam que iniciaram o uso de proteção solar somente após os três anos de idade ou mais, indicando um longo período sem proteção.

 

Grande parte dos pais e educadores acredita que deve ensinar os filhos a se protegerem do sol desde cedo (57% dos pais e 71% dos educadores), porém, 15% dos pais consideram que não se deve usar proteção solar nas crianças abaixo dos 2 anos e 25% tem dúvida sobre o uso nesta faixa etária. Entre os educadores este número é maior – 20% discordam do uso de proteção solar na primeira infância e 28% têm dúvida.

 

Mais da metade da amostra entre os pais, 52%, acredita que antes de usar o protetor solar em crianças é preciso buscar orientação de um médico pediatra ou dermatologista. Entre os educadores este número é de 65%. Porém, um terço dos entrevistados afirma que nunca levou ou levou apenas uma vez o filho ao dermatologista. O dermatologista só entra em ação quando há alguma alteração na pele do filho (58%). 

 

Criado acredita que os números refletem um comportamento cultural do brasileiro em relação à doença. “Apesar dos avanços em informação sobre a incidência solar e os prejuízos do acúmulo de exposição inadequada ao sol para a saúde, as pessoas ainda veem o melanoma como algo distante da sua realidade, já que estamos falando de uma doença de longo prazo”, explica. A análise do médico é corroborada pelo estudo, já que a grande maioria dos entrevistados (84%) não aponta nenhum caso de câncer de pele na família.

 

Vale lembrar que, embora possa ser bastante nocivo, o sol é extremamente necessário à saúde. Ele regula o sono, melhora o humor e ajuda na produção da vitamina D, necessária ao crescimento ósseo e à imunidade. “A exposição dos braços e pernas, por 5 a 15 minutos, duas vezes por semana, em torno das 11h ou 13h já é suficiente para sua produção. Após isso deve haver proteção”, enfatiza Criado, lembrando que esse é o melhor horário para absorção da vitamina D, mas o pior com relação à incidência dos raios ultravioletas. Então, nada de abusar!

 

Importante usar!

O protetor solar ajuda a minimizar os efeitos do sol sobre a pele, já que o astro produz uma radiação invisível que pode prejudicar a saúde – os famosos raios UVA e UVB. O primeiro atinge a Terra durante todo o dia e pode causar manchas na pele, envelhecimento e câncer de pele. O segundo é mais agressivo e tem seu horário de pico entre 10h e 15h. Ele pode causar queimaduras, sendo o principal responsável pelos tumores.

 

Como usar?

  • O uso de protetor solar para bebês menores de 6 meses deve ser feito somente por orientação médica. Porém, o recomendado é que ele não seja exposto ao sol – ou, se for preciso devido à icterícia ou outras indicações, que seja o mínimo possível (15 minutos) nos horários menos agressivos – antes das 10h ou depois das 16h.

  • Para crianças entre 6 meses e 2 anos, escolha um protetor solar composto por filtros físicos (está escrito na embalagem), pois é mais seguro para esta faixa etária.

  • Acima de 2 anos, o protetor solar indicado ao público infantil leva em consideração as características da pele da criança. Converse com o pediatra ou dermatologista para saber qual é a melhor indicação.

  • O FPS indicado para a criança é sempre acima de 30. Se a pele for muito clara, prefira um acima de 40. Protetores que tenham resistência à água e que não ardam os olhos também são recomendados. Sempre que possível, passe o protetor em casa. De preferência, a criança deve estar sem roupa para que nenhuma parte seja esquecida.

  • ATENÇÃO: a primeira aplicação do protetor solar deve ser feita com alguns cuidados: deixe a criança sem roupa, aplique o protetor de forma uniforme e não no sentido circular. Faça a aplicação de área por área e lembre-se das dobras e das orelhas.

 

Nossa fonte:

Paulo Ricardo Criado, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional SP

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