Perigo eminente

 Não descuide das crianças, pois casos de sufocação podem acontecer a qualquer momento, colocando em risco a vida dos pequenos

 

Acontece como todo acidente: basta um pequeno descuido de atenção e a criança pode se engasgar com algum alimento ou objeto levado à boca. A sufocação ou engasgamento é a primeira causa de morte acidental de crianças de até um ano no Brasil, e fica em terceiro lugar no ranking de mortes de crianças vítimas de acidentes no país.Todos os anos, cerca de 700 crianças de até 14 anos morrem vítimas de engasgamento, segundo dados do Ministério da Saúde. A boa notícia é que a supervisão dos adultos e ações de prevenção podem solucionar 90% dos casos.

 

Por toda parte

Da refeição à hora de brincar e até durante o sono:o risco está presente em casa, na escola e onde mais a criança estiver. “Os pais devem estar atentos quando o bebê está no berço ou quando a criança, especialmente entre a idade que começa a engatinhar e os quatro anos, está se locomovendo, momento em que pode levar objetos à boca”, destaca a coordenadora da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia.

 

Nesta fase, a criança fica muito exposta à sufocação, já que é quando ela inicia a exploração do mundo ao seu redor por meio dos sentidos – tato, audição, paladar, visão e olfato. Antes do um ano de vida a sufocação ocorre, principalmente, com leite e vômito, além objetos presentes no berço.Já nas demais idades, as principais causas são a inalação de conteúdo gástrico, o engasgamento com alimentos ou corpo estranho e o estrangulamento no próprio berço ou cama, devido ao excesso de tecidos e brinquedos e até por um adulto quando está dormindo.“Corpo estranho é qualquer objeto ou substância que inadvertidamente penetra o corpo. Pode ser ingerido ou colocado pela criança no nariz e orelha, mas apresenta um risco maior quando é colocado na boca e aspirado para o pulmão”, explica a pediatra Adriana Pires, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

 

No Brasil, milho, feijão e amendoim estão entre os grãosmais comumente aspirados por crianças pequenas. Porém, o material mais relacionado à morte imediata por sufocamento é o sintético, como balões de borracha e estruturas esféricas, como bola de gude e brinquedos. Os casos de aspiração de corpo estranho são observados, principalmente, em crianças do sexo masculino.

 

A obstrução das vias aéreas, muitas vezes, ocorre quando um adulto não está presente, por isso, é importante suspeitar quando uma criança saudável de repente apresenta tosse, chiado no peito, rouquidão ou cianose (boca ou unhas arroxeados). Ao sofrer esse tipo de acidente, a criança pode ter sua vida interrompida ou seu desenvolvimento comprometido, tendo que conviver com sequelas por toda a vida.

 

Travessura perigosa

A dona de casa Sandra Gaspari lembra até hoje de quando seu filho caçula, hoje com 20 anos, colocou a vida em risco com uma travessura dentro de casa. Ela e o marido perceberam que Alexandre, então com três anos de idade, estava com dificuldade para respirar. “Ele respirava com a boca aberta e a respiração estava ofegante, fora do normal”, conta. Os pais perguntaram ao menino se ele havia feito algo, mas o travesso negou. Foi então que o deitaram no colo, com a cabeça para cima, e viram que uma das narinas estava mais escura que a outra. O pai pegou uma pinça e dali puxou uma pequena espuma. “Tinha mais ou menos uns cinco centímetros, não estava suja de sangue nem nada. Até hoje não sabemos de onde ele tirou aquilo. Deve ter sido de algum brinquedo”, diz. Felizmente, neste caso não foi preciso uma intervenção médica e não houve danos graves ao pequeno arteiro.

 

Dicas de prevenção

“A sufocação é um acidente e, portanto, passível de ser evitado”, destaca Adriana. Cuidadores, pais e familiares devem estar cientes de alguns cuidados:

- Ensinar desde sempre a criança a mastigar.

- Supervisionar sempre a alimentação de crianças com menos de quatro anos.

-Ter atenção redobrada ao oferecer os seguintes alimentos: sementes, amendoim, castanhas, nozes, milho, feijão, carne, queijo, uva, salsicha, balas, pipoca e chiclete.

- Manter balões, embalagens, sacolinhas, moedas, bolinhas de gude, brinquedos com peças pequenas, botões, clipes, baterias, tampas de caneta e demais objetos pequenos fora do alcance da criança.

- Evitar alimentar a criança enquanto ela corre, anda, brinca ou ri. O lugar certo para a refeição é à mesa.

- Nunca deixar a criança deitar enquanto estiver comendo algo.

- Ficar atento aos irmãos mais velhos, para que eles não ofereçam objetos ou alimentos perigosos aos menores.

- Seguir as recomendações das embalagens dos brinquedos e adquirir somente os com o selo do Inmetro e da indicação etária da criança.

- Manter o berço ou cama da criança o mais livre possível, sem bichos de pelúcia ou cobertores e travesseiros demais. O ideal é usar lençóis com elástico, que se prendem mais facilmente.

- Atentar para a posição do bebê no berço, que deve dormir de barriga para cima, coberto até a altura do peito, em colchões firmes.

- Atenção a cordões, colares, babadores ou fraldas ao redor do pescoço da criança.

- Presilhas, laços, brincos, pulseiras e anéis devem estar bem colocados, impedindo que a criança os retire e leve à boca.

 

Como proceder

Apesar do nervosismo, é preciso tentar manter a calma quando se presencia um engasgamento ou sufocação. O ideal é ter conhecimento de manobras de desobstrução, mas antes de tudo, é imprescindível ligar imediatamente para a emergência. “Nunca usar métodos populares como tomar água, comer miolo de pão, assoprar a moleira,fazer respiração boca a boca, ou enfiar o dedo às cegas a procura do objeto.Essas medidas não devem ser realizadas porque não ajudam e podem empurrar o objeto ainda mais, além de provocarem vômitos que podem obstruir mais a passagem de ar para os pulmões. Só retire o objeto da boca se você conseguir vê-lo”, destaca a pediatra.

 

Em casos de engasgamento com líquidos, como leite e vômito, deixe a criança em pé ou deitada de lado. Nunca bata nas costas ou a coloque de cabeça para baixo, pois pode sair mais alimento do estômago, piorando a situação. “Quando a criança está engasgada, mas consegue tossir ou falar, não faça nada com ela, apenas a estimule a tossir e a leve a um serviço de emergência. Tosse com barulho quer dizer que a obstrução não foi total e assim ela consegue ainda respirar, mesmo que com dificuldade”, ressalta Adriana. Porém, se perceber a impossibilidade de falar ou tossir, significa que a obstrução foi total e há pouco tempo até faltar oxigênio e a criança desmaiar, por isso a importância de pedir ajuda o quanto antes.

 

A síndrome SIDS

Também conhecida como síndrome da morte súbita, a SIDS (do inglês SuddenInfantDeathSyndrome) tem na asfixia uma das suas causas de morte inexplicável de um bebê no primeiro ano de vida. Um estudo realizado pelos Institutos Americanos da Saúde, nos Estados Unidos, apontou que cobertores, mantas, almofadas, brinquedos, lençóis e outros objetos postos juntos na hora de dormir representam ameaçam à vida de 55% dos bebês. Eles podem obstruir as vias respiratórias dos pequenos e trazer riscos de sufocação durante o sono.

 

 

Nossas fontes:

Adriana Pires, pediatra 

Alessandra Françoia, coordenadora da ONG Criança Segura

 

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