Fofos demais, saúde de menos

 

A obesidade nos primeiros mil dias de um bebê pode comprometer seu futuro quando  adulto

 

Todo mundo sabe que o desenvolvimento do bebê começa a partir da fecundação. Porém, poucas famílias têm o conhecimento de que os primeiros mil dias são essenciais para garantir uma vida saudável na idade adulta – em todos os sentidos: físico, comportamental e cognitivo. A contagem começa na gestação e se completa por volta dos dois anos. E um dos problemas desta fase da vida que está chamando a atenção dos especialistas é em relação ao aumento do número de bebês obesos antes dos dois anos de idade.

 

“Bebês e crianças obesas têm maior chance de serem adultos obesos com todas as comorbidades às quais a obesidade leva, como diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto”, destaca a endocrinologista Patricia Dualib, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Ainda que a obesidade tenha natureza genética, é preciso fatores externos para que o quadro se instale, como a má alimentação.

 

Ainda na barriga

“Ao nascer, o bebê já é um ‘velhinho’ de nove meses. Diversas características metabólicas do indivíduo são determinadas no período intra-útero”, destaca o endocrinologista Paulo Ferrez Collett Solberg, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A afirmação do especialista pode parecer exagero, mas é inegável que os cuidados com a saúde do bebê devem começar ainda durante a gestação, principalmente com seu peso. Como o feto é totalmente dependente da genitora, os quilos demais da mamãe são sinal de perigo também para o bebê.

 

O Estudo Nutriplanet Danone Baby Nutrition apontou que 31% das grávidas brasileiras são obesas e mantêm uma dieta sem cuidados. É um número preocupante, uma vez que estar acima do peso colabora para que o recém-nascido também seja gordinho, fator que pode persistir até os cinco anos de vida da criança.

 

Além disso, é já durante os nove meses que se dá o desenvolvimento do paladar infantil. Portanto, quanto mais saudável e variada for a alimentação da gestante, melhor para ela e o filho.

 

Após o nascimento

Fugir da obesidade infantil não tem segredo: é preciso cuidar da alimentação. O primeiro e único alimento que o bebê deve ter contato até os seis meses de idade – no mínimo – é o leite materno. Ele é completo em nutrientes, servindo para alimentar e fortalecer a imunidade. “O aleitamento materno tem que ser incentivado, visto que é por meio dele que o bebê receberá os nutrientes importantes para a sua boa saúde”, salienta a nutricionista Paula dos Santos Ribeiro. Alergias, doenças e até o excesso de peso são evitados com o fornecimento exclusivo do leite da mãe.

 

Somente após os seis meses é recomendável incluir na alimentação do bebê as frutas, papa salgada e carne, sempre diversificando. “A papinha deve ser completa em nutrientes. Fornecer uma alimentação equilibrada e saudável desde o início trará diversos benefícios para o bebê”, destaca Paula.

 

A partir de um ano de idade, a criança tem que comer a dieta da família, porém, é muitas vezes nesse período que mora o perigo. Comer como os demais integrantes da família pode significar comer mal. “Ter filhos significa repensar seus hábitos. Quando não se cuida da alimentação desde pequeno, é muito mais difícil quando a criança tiver seus seis, sete anos. Os pais precisam rever o que querem para seus filhos. É preciso ter consciência de que alimentação saudável é o maior patrimônio”, afirma a doutora em saúde pública Anna Chiesa, consultora do Programa Primeira Infância da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV).

 

Alimentos ricos em açúcar e gorduras e pobres em nutrientes, como biscoitos, refrigerantes, bala, pizzas, hambúrguer e massas, além de colaborarem para o ganho de peso, ainda favorecem o surgimento de doenças e reflete no processo de crescimento da criança. “Muitas pessoas oferecem esses alimentos para seus filhos sendo que eles nem sabem o que são. Enquanto puder não dar esses alimentos, não dê! Quando não tiver como, que seja muito bem explicado para a criança que o consumo não pode ser frequente”, explica a nutricionista.

 

Até os dois anos de idade também é quando acontece o desenvolvimento do paladar. Por isso, a importância de explorar ao máximo os alimentos e pratos, sempre prezando pelo mais saudável. “Nos primeiros mil dias, há muitas mudanças. O bebê passa de dependente a ter opiniões. Mas quem decide o que comer não pode ser a criança. Os pais não podem deixar de definir o que é bom e o que não é”, destaca Anna.

 

Dicas para seu filho comer bem

- Não deixe de oferecer algum alimento mesmo quando recusado.

 

- Tenha pulso firme quando o assunto é alimentação.

 

- Explique os benefícios de uma boa alimentação.

 

- Adicione, sempre, alimentos saudáveis na alimentação da criança.

 

- Evite dar bebidas durante a refeição. A criança pode beber muito e comer pouco.

 

- Não engrosse o leite da mamadeira com produtos industrializados, como farinhas infantis. São mais calorias do que a criança precisa.

 

- Opte pelos alimentos integrais, ricos em fibras que retardam a absorção de açúcares e gorduras.

 

- Faça do momento da refeição algo tranquilo. Televisão, rádio, celulares devem ser desligados para que a criança foque no que está comendo

 

- “O estímulo a atividades que gastem energia, como brincadeiras ao ar livre é igualmente importante”, destaca Patricia.

 

   A relação com o parto   

Uma das discussões sobre o sobrepeso infantil envolve o tipo de parto. Pesquisas vêm apontando que a cesária leva à maior incidência de obesidade nos recém-nascidos, como a publicada no Internal Journal of Obesity em novembro de 2014, que apontou que as crianças nascidas assim tinham 46% mais chance de desenvolverem obesidade.

 

Já defensores do parto normal afirmam que, ao passar pela abertura vaginal, o bebê é contaminado positivamente com bactérias da microflora materna, que têm ligação com a modulação do gasto energético. Apesar de diversos estudos, ainda não chegou-se a uma conclusão definitiva.

 

 

 

Nossas fontes:

Anna Chiesa, consultora da FMCSV

Patricia Dualib, endocrinologista

Paulo Ferrez Collett Solberg, endocrinologista da SBP

Paula dos Santos Ribeiro, nutricionista

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