Chegou a época das “ites”

 

 As crianças são as mais atingidas pelos problemas respiratórios, que costumam aparecer no tempo frio e seco. Especialistas dão as dicas para evitar rinite, sinusite e outras infecções

 

Chá quentinho, canja de galinha, edredom macio, festas juninas... A época do ano que lembra tantas delícias também traz uma preocupação para os pais: o aumento dos casos de problemas respiratórios nas crianças. Com o inverno chegando, é necessário tomar algumas medidas de precaução. “O ar frio, por si só, já é um irritante para a mucosa respiratória. Em algumas áreas do Brasil, como o sudeste, o frio é acompanhado da seca e por conta disso os poluentes se concentram no ar. Esse conjunto de fatores é muito ruim e pode piorar os sintomas”, explica o pneumologista Francisco Mazon.

 

Rinite e sinusite são os mais comuns, mas os pequenos ainda podem ser afetados por outros problemas semelhantes. Eles são o principal alvo porque o sistema imune ainda não está completamente maduro. “Também há mais entrada de alérgenos e irritantes, graças ao estilo de vida das crianças, que normalmente possuem um contato maior com substâncias que provocam alergias”, acrescenta o médico Ayrton de Magistris, especialista em patofisiologia. Confira as diferenças e saiba como evitar as crises!

 

Rinite

“É uma inflamação das vias respiratórias superiores, especialmente da mucosa nasal, desencadeada por irritantes ou alérgenos. A falta de tratamento gera sintomas locais, como coceira no nariz e olhos, coriza, congestão nasal e até sangramento nasal”, explica o pneumologista. A forma mais comum é a rinite alérgica, que ocorre com o contato com substâncias irritantes, como produtos químicos, poeira, pólen e perfume.

Como tratar?

É fundamental ter cuidados com a prevenção, já que o tratamento tem o objetivo de controlar as crises, mas não curar a doença, que pode reaparecer em qualquer fase da vida. O otorrinolaringologista é quem vai avaliar cada caso e indicar a melhor saída. “Em casos mais leves, o controle do ambiente e a lavagem nasal com soro fisiológico podem resolver. Casos mais sintomáticos necessitam de spray nasal com corticoesteroide, para manejar a inflamação local”, indica Mazon. Se o problema persistir ou se intensificar, podem ser indicados medicamentos orais.

 

Sinusite

Diferente da rinite, a sinusite é uma inflamação da mucosa que reveste os seios da face, também chamados de cavidades paranasais. Ela pode ser resultado do agravamento da rinite, de uma infecção por bactérias ou de qualquer outro fator que atrapalhe a drenagem da secreção, que fica acumulada no local. “Em casos mais graves, pode levar à progressão da infecção para áreas vizinhas: ouvido, ossos e até cérebro”, destaca o pneumologista. Por isso, se a criança apresentar sintomas como pressão ou dor na face, redução do olfato, tosse, garganta inflamada, dor no maxilar ou nos dentes, não hesite em procurar um médico.

Como tratar?

Dependendo da causa do problema, podem ser receitados antibióticos, corticoides e descongestionantes, além do soro fisiológico.

 

Otite

Infecções respiratórias ainda podem atingir o ouvido, causando a otite média (diferente da otite externa, que é uma infecção da região da orelha). O problema é caracterizado por dor, diminuição da audição, febre, falta de apetite e secreção local. Crianças até três anos são o principal alvo da doença, que pode ser diagnosticada por exame clínico ou testes de audição, timpanometria e exames de sangue.

Como tratar?

Além dos analgésicos para aliviar a dor, o tipo de medicamento varia de acordo com a causa do problema: como nas laringites e faringites, o antibiótico é receitado quando a infecção é provocada por bactérias. Se a otite for recorrente, pode ser indicada a drenagem do ouvido, além de buscar combater outras causas, como a hipertrofia da adenoide, tecido que se localiza na região atrás das cavidades nasais.

 

Faringite e laringite

Ambas afetam a região da garganta. “A faringe fica na parte mais alta, perto dos orifícios por onde sai o ar do nariz, enquanto a laringe é onde estão as cordas vocais e a entrada dos pulmões”, diferencia Ayrton. Faringite e laringite podem ser igualmente graves: a primeira provoca dificuldade para respirar e a segunda, para engolir, além de ser acompanhada de tosse e rouquidão.

Como tratar?

Os antibióticos só são indicados em caso de infecção bacteriana, assim, um exame minucioso torna-se necessário. Beber bastante água e evitar falar demais ajuda a amenizar os sintomas. Quando a infecção é causada por vírus, o próprio organismo se encarrega de eliminá-lo, desde que haja repouso e cuidados com a alimentação.

 

Cuidados em casa

Algumas medidas simples podem ser tomadas para prevenir problemas respiratórios ou mesmo amenizá-los. “Uma ação efetiva é a higienização nasal. A prática ajuda não só pelo fato de manter a cavidade limpa, mas também evita o depósito de substâncias potencialmente estimulantes das reações alérgicas”, afirma Ayrton. Para o procedimento, basta lavar a parte de dentro das narinas com soro fisiológico. A atenção com o ambiente também pode ajudar na prevenção:

- Mantenha a casa sempre limpa, usando aspirador de pó e pano úmido em vez da vassoura;

- Opte pelo edredom em vez do cobertor felpudo, pois ele acumula menos poeira e não solta pelos;

- Evite tapetes grandes e lave as cortinas regularmente;

- Se tiver bichos de estimação, dê banhos com a frequência indicada pelo veterinário e escove-os diariamente;

- Evite o uso de produtos de limpeza com cheiro forte, dando preferência aos neutros ou caseiros naturais, como os feito com bicabornato de sódio e vinagre.

 

Quando procurar o médico?

“Nem todas as infecções precisam de tratamento específico, a maioria melhora dentro de 5 a 7 dias”, destaca o pneumologista. A rinite é um dos problemas que podem aparecer com frequência e nem sempre exige uma consulta médica. Mas os adultos devem sempre ficar de olho nos sintomas e buscar um pronto atendimento caso seja necessário. “Um sinal de alerta é a febre, especialmente se ela persistir por mais de três dias, além de dor no corpo, prostração, falta de ar, tosse persistente e muco em maior quantidade e não claro”, indica Mazon. 

 

 

 

Nossas fontes: 

Ayrton de Magistris é médico especialista em patofisiologia

Francisco Mazon é pneumologista

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