Pegou dengue, e agora?

 

Os cuidados que devem ser tomados para proteger e cuidar das crianças

 

Dores no corpo, cansaço extremo, falta de apetite, febre, enjôo, entre outros tipos de mal-estar. Se os sintomas da dengue já incomodam bastante os adultos, imagine as crianças. A doença não é novidade, mas a cada ano faz novas vítimas, entre elas, os pequenos. 

 

De acordo com o Ministério da Saúde, só nos primeiros quatro meses de 2015 foram registrados mais de 800 mil casos da doença no país. Este número já é o triplo registrado no ano passado. São Paulo é o estado com maior número de pessoas infectadas no Brasil. Algumas cidades, como Sorocaba, Campinas e a própria Capital estão vivendo verdadeiras epidemias.

 

A dengue é coisa séria, pode apresentar sintomas graves e ter o quadro piorado caso não seja tratada com eficácia. Pais e cuidadores devem estar sempre atentos a qualquer sinal de manifestação da doença.

 

Risco maior

Crianças são mais sensíveis a qualquer tipo de doença e no caso da dengue não é diferente. Por isso, requer atenção redobrada por parte dos pais e médicos, principalmente no momento de identificar os sintomas e fazer o diagnóstico. 

 

De acordo com a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em crianças a dengue pode ser assintomática ou apresentar apenas febre. Em alguns casos, ainda, apresenta sonolência, recusa da alimentação, vômitos, diarréia e até sangramentos (caso da dengue hemorrágica). “Nos menores de dois anos de idade, especialmente em menores de seis meses, sintomas como dor de cabeça e dores musculares não são referidas porque a criança não sabe contar como os adultos, podendo apenas apresentar choro persistente e irritabilidade, o que se confunde com outros quadros infecciosos febris, próprios dessa faixa etária”, explica.  

 

A dengue é comumente confundida com virose, por exemplo, por ser recorrente em crianças. “Entretanto, dengue costuma ter sinais e sintomas mais intensos”, destaca o infectologista Carlos Alberto Lazar, professor de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Sorocaba. De modo geral, os sintomas são os mesmo dos adultos, porém, pesquisas sugerem que há maior frequência de vômitos e pequenas manchas vermelhas nas crianças. Outra questão que deve ser levada em consideração na hora do diagnóstico é se a cidade onde a criança mora tem número elevado de casos de dengue. 

 

O importante é encaminhar os pequenos ao médico o quanto antes, principalmente os menores de dois anos, já que a desidratação pode acontecer mais rapidamente nestes casos.

 

Tratamento

Por se tratar de um vírus, não existe medicamento que cure a dengue. Diagnóstico confirmado, é preciso cuidar para que os sintomas sejam amenizados. Febres e dores no corpo devem ser tratados somente com remédios à base de paracetamol e dipirona, pois não interferem no quadro da doença. Repouso também é fundamental para a recuperação mais rápida. Já a hidratação merece atenção especial, pois crianças se desidratam muito rapidamente. “Quando são acometidas por essa doença, elas têm dificuldades de compensar a perda de líquidos”, afirma a doutora em Saúde Pública Maria Glória Teixeira, da Universidade Federal da Bahia. Ingerir bastante líquido, em especial água e soro, pode evitar que a doença fique mais grave. Ainda é preciso lembrar que as crianças pequenas têm maior chance de desenvolverem convulsões febris, por isso, é importante estar sempre de olho no termômetro. 

 

Após a cura

O tempo de manifestação da dengue varia em cada caso, tendo como média 15 dias de prostração. Passado os principais sintomas, a criança volta a ter ânimo e apetite. Geralmente, após a cura, não há sequelas, e pode-se viver uma vida normal. “Mas é importante lembrar que há quatro tipos de dengue e a criança, em outro momento, poderá ter dengue de novo”, salienta Bellei.

 

Prevenção é o melhor remédio

Não há segredo: dengue só se evita combatendo o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus. Mosqueteiros, telas e repelentes, além da devida limpeza que evita água acumulada (onde o mosquito se reproduz) são fundamentais para crianças e adultos não correrem o risco de levarem picadas. 

 

Quem tem bebê em casa deve tomar cuidado com o uso de inseticidas e repelentes, já que podem fazer mal a eles. “Não se deve usar repelentes em bebês, principalmente antes dos seis meses de idade. As substâncias dos repelentes podem causar alergia e irritação na pele”, destaca Teixeira.

 

Diagnósticos errados

A arte finalista Camila Medina, de Bauru (SP), passou um verdadeiro sufocou com sua filha Helena, de 7 anos. Em meados de fevereiro, a pequena começou a apresentar febre alta. Ela foi levada a uma pediatra que diagnosticou garganta inflamada e receitou o anti-inflamatório ibuprofeno, contraindicado em casos de dengue. Após três dias a febre não baixava e Helena se apresentava cada dia mais abatida, além de chegar a vomitar sangue, ter pintinhas vermelhas no fundo da garganta e a gengiva muito vermelha e inchada. “Em nenhum momento desconfiei de dengue, por sempre ouvir que as pessoas com dengue tinham dores insuportáveis no corpo. Ela não reclamava de dor e só dormia”, conta Camila. 

 

Mãe e filha voltaram à pediatra que solicitou diversos exames para investigar sinusite e, só então, cogitou a hipótese de ser dengue. No dia seguinte, manchas vermelhas surgiram em todo o corpo. Assustada, Camila levou a filha ao pronto-socorro. Ali, de acordo com ela, alguns profissionais que atenderam Helena se mostraram assustados e despreparados. Chegaram a indicar que poderia ser queimadura, púrpura e até aumento do baço. Helena foi internada e, com prescrição de soro, já apresentou melhora. O resultado da sorologia deu positivo para dengue e a menina precisou ficar ainda uma semana em casa para se recuperar. “Se desde o começo eu tivesse sido alertada sobre a chance de ser dengue, eu teria seguido as recomendações, principalmente em relação ao uso do medicamento correto”, destaca a bauruense. 

 

Camila conta que não costumava ser rigorosa com os cuidados de prevenção em casa: “Nunca levei muito a sério a possibilidade de ter algum caso de dengue com meus filhos e também não gostava de colocar ‘veneno’ em casa. Além disso, não sabia de muitos casos de crianças infectadas, até então”. Porém, desde o susto com Helena, novos hábitos, como o uso de repelente, fazem parte da rotina da família.

 

Grande susto

Também em fevereiro deste ano a empresária Michele Carriel, de Sorocaba (SP), teve que lidar com a dengue no seu filho Leonardo, de 9 anos. Apesar de se precaver passando repelente todos os dias, o garoto apresentou os primeiros sintomas da doença ao reclamar de dor de cabeça. Mas o que mais espantou sua mãe foi a febre alta e persistente. No mesmo dia, foram para o pronto atendimento do hospital, onde o diagnóstico não foi dado, mas havia suspeita de dengue. Sob prescrição de antitérmico, Leonardo foi liberado, porém, ao chegar em casa, ficou ainda pior e começou a vomitar. A febre continuou no dia seguinte e a família voltou ao hospital. O resultado de alguns exames fez a desconfiança de dengue aumentar, como o número baixo de plaquetas, fazendo com que Leonardo fosse internado. 

 

“Ele ficou fraquinho de tanto vomitar e no exame deu um pouco de sangue na urina, então podia ser dengue hemorrágica”, conta Michele. As fortes dores abdominais ainda levantavam a suspeita de apendicite. Contudo, dois dias depois de estar internado, o diagnóstico de dengue foi confirmado. 

 

De acordo com Michele, o que mais a incomodou durante os dias de internação foi a falta de informação por parte dos médicos. “Ninguém me dizia o que ele tinha, quais eram os riscos, como a doença pode evoluir, etc. Acabei buscando informações na internet e conversando com os amigos, porém, não sei se isso é pior ou melhor, porque escutamos muitos desastres e nos assustamos bastante”, destaca.

 

Leonardo ficou uma semana internado e, como é comum na maioria dos casos de dengue, os sintomas foram mudando com o passar do tempo. “Com quatro dias de internação, começou a soltar o intestino e o corpo encheu de bolinhas vermelhas, como se fosse uma grande alergia”, lembra a empresária. A recuperação foi gradual e, mesmo após a alta do hospital, o menino ficou alguns dias em casa antes de voltar à escola. “No total, deu quase 10 dias de tratamento intensivo”, destaca Michele. 

 

   Fique atento!   

 

Principais sintomas da dengue:

- Febre persistente

- Dores no corpo (inclusive atrás dos olhos)

- Manchas vermelhas pelo corpo

- Falta de apetite

- Desânimo

- Enjôo

- Intestino solto

- Vômitos

 

  Vacina à vista   

A busca pela erradicação da dengue impulsiona uma verdadeira corrida farmacológica. Diversos laboratórios ao redor do mundo têm estudado vacinas imunizadoras da doença, inclusive no Brasil. Uma parceria entre o Instituto Butantan, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e o NIH (Institutos Nacionais de Saúde, dos Estados Unidos) promete um antídoto ainda para 2015. No momento, a vacina está em fase de teste, porém, promete ser eficaz com apenas uma dose. A urgência é tanta que o projeto tem recebido incentivos governamentais. 

 

 

 

Nossas fontes:

Carlos Alberto Lazar, infectologista

Maria Glória Teixeira, infectologista

Nancy Bellei, infectologista

 

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