Ajuda do pai é fundamental durante a amamentação

 

Que a amamentação é um dos maiores vínculos entre mãe e bebê, todo mundo sabe. O que muita gente não sabia, a ciência confirmou: o papel do pai é fundamental no sucesso deste ato. Os dados são de uma pesquisa realizada no Canadá e publicada na revista científica Pediatrics, da Associação Americana de Pediatria. De acordo com o estudo, quando as mulheres se sentem amparadas pelos companheiros, elas se enxergam como parte de uma equipe, e, assim, têm mais chances de manter a amamentação, mesmo quando estão exaustas ou inseguras.

 

 

A pesquisa reuniu 214 casais prestes a ter seu primeiro bebê e os dividiu em dois grupos. No primeiro, os pais só receberam informações sobre amamentação na maternidade e, no segundo, eles estudaram de seis a doze semanas antes do parto. Todos tinham a intenção de continuar a amamentação exclusiva até os seis meses da criança, mas o segundo grupo foi bem mais sucedido. Aos três meses, 95% das mães ainda davam de mamar, enquanto no outro, a taxa era de 88%. No primeiro grupo, as mães relataram estar mais satisfeitas com o apoio do parceiro e os pais mostraram maior nível de confiança.

 

Segurança

A psicóloga Ana Paula Barcelos Correia confirma que mães que recebem apoio do parceiro costumam ter mais sucesso na amamentação. Isso porque se sentem mais seguras e comprometidas com o ato de dar leite aos seus bebês. “Tais aspectos interferem diretamente nas chances de sucesso na amamentação e demais cuidados com o bebê”, ressalta.

 

A boa notícia é que hoje os pais são muito mais participativos nos cuidados com os filhos do que em outras gerações. “Podemos observar uma mudança na cultura atual, em que os pais estão entendendo e sentindo a importância do seu papel na educação dos filhos. Neste aspecto, ainda observamos diferenças em relação às classes econômicas e sociais, mas, de forma geral, com a oferta de incentivo e informações sobre o tema, observamos maior participação e demonstração de afeto dos homens”, frisa a psicóloga.

 

A professora universitária Marília Valencise Magri sabe bem o que é contar com o parceiro nesses momentos. Seu marido, Felipe Jordani, sempre esteve presente e é extremamente participativo nos cuidados com a filha, Júlia Jordani, de 3 anos e 5 meses. “Desde que a Júlia nasceu ele sempre teve papel muito importante nesse processo. Primeiramente pelo incentivo, já que o início foi bem complicado por conta de inúmeras dificuldades. Depois, auxiliando com todo o suporte necessário: conversando, ajudando a buscar informações sobre o processo, oferecendo água, me ajudando a me alimentar, entre outras coisas”, explica.

 

Tudo isso sempre fez a diferença para superar os obstáculos que surgem pelo caminho. “Quando se está sozinha, ou o companheiro tem um discurso em desalinho com o que se espera, a tendência ao processo de desmame aumenta muito. No nosso caso, conversamos muito sobre os problemas da introdução de bico artificial e fórmula específica e ele buscou auxílio com profissional especializado para nos orientar, já que eu estava em uma situação de mobilidade restrita por conta do pós-operatório da cesárea”, lembra Marília.

 

Perseverança

O mesmo acontece com a funcionária pública e confeiteira Denise Garcia. Ela diz que se sente segura e acolhida com a ajuda do marido, Cleber Thiago Lima. “Meu marido sempre ajudou muito, tanto no cuidado com a alimentação e no maior consumo de líquido, como na hora de amamentar mesmo”, frisa.

 

Ela sempre precisou superar muitas dificuldades para amamentar os três filhos. Mas agora, no terceiro, está feliz e satisfeita por conseguir mantê-lo no peito por mais tempo. “Na primeira tive mastite e acabei sem leite; o segundo filho consegui amamentar um pouco mais, porém tive dificuldades porque tenho problemas de saúde e isso atrapalhou bastante; no terceiro filho fiz uma cesárea de emergência e não tive leite por cinco dias. Como não pude nem cuidar dele por complicações, ele ficou estes dias no berçário tomando fórmula pronta”, relembra.

 

Mas ela e o marido não desistiram. Ao voltarem para casa com a criança, tentaram de tudo para fazê-la pegar o peito. “O leite não saía de jeito nenhum. Então eu soube de medicamentos que ajudam e comecei a usar. Agora ele tem 4 meses e mama praticamente exclusivo, pois só damos uma mamadeira à noite quando o peito já está vazio. Em todos os momentos meu marido está junto. Aqui o apoio é total, os filhos são nossos!”, conta Denise.

 

Como conseguir ajuda?

Para a psicóloga Ana Paula, a participação do pai é extremamente importante para a melhora da relação do casal, mas, principalmente, para o fortalecimento do vínculo entre pai e filho. “A amamentação demanda tempo e esforço da mãe. Desta forma, o pai precisa contribuir nos afazeres domésticos e no cuidado com os filhos mais velhos. Além disso, é importante o incentivo e apoio do pai na amamentação, já que este pode ser um momento de crise e dificuldade da mãe, que muitas vezes pensa em desistir”, destaca.

 

O pai também pode ser participativo colocando o bebê para arrotar após a mamada ou mesmo dando a mamadeira futuramente, por exemplo. “Se o pai incentiva, auxilia e permite que a mãe fique menos cansada e ocupada com outras tarefas, a amamentação, sem dúvida, terá mais chances de sucesso”, avalia a psicóloga.

 

No entanto, algumas mães têm dificuldade em trazer o parceiro para essa aventura chamada “amamentação”. Marília dá a dica: “é preciso ter a sensibilidade de incentivar a presença paterna, porque essencialmente as pessoas relacionam a amamentação como um ato entre a mãe e o bebê. Muitos pais pensam incomodar nesse momento, mas é justamente o contrário: o afeto é sensível sim, pela mãe e pelo bebê, e o incentivo do pai presente faz da amamentação um ato de amor entre a família”.

 

Cada um pode ajudar na medida das necessidades de cada mãe, não há fórmula para isso: um carinho, palavras de conforto, oferecer alimentos ou bebidas, a troca de olhares. “Foi justamente na soma desses pequenos atos que construímos o sucesso do nosso lindo percurso de amamentação prolongada que, não sem muitos percalços, foi sem dúvida um processo de conhecimento e cumplicidade familiar para nós três”, conta Denise.

 

Texto: Rose Araujo

 

Nossa fonte

Ana Paula Barcelos Correia, psicóloga clínica, especialista em Psicologia Hospitalar e Psicossomática

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