Carinho é fundamental para o desenvolvimento do cérebro da criança

 

 

O afeto com as crianças ainda não é prioridade dos pais: apenas 12% consideram importante o bebê receber carinho. Até os seis anos de idade: essa é a fase em que o contato com os pais mais faz a diferença para o desenvolvimento saudável.

 

Todo pai e mãe já deve ter ouvido falar que, para a criança não ficar “mal acostumada”, é preciso evitar colo demais e até ignorar seu choro de vez em quando; dessa forma, ela se acostuma com a ausência dos adultos. O desapego, algumas vezes, pode ser realmente necessário, como quando o filho precisa fazer uma viagem com a escola ou os pais precisam sair um pouco de casa. Mas as pesquisas científicas apontam que bom mesmo é dar carinho, pelo menos nos primeiros anos de vida: o afeto é necessário para o desenvolvimento dos pequenos. E o contato com os pais nessa fase vai influenciar até mesmo na vida adulta.

 

Benefícios comprovados

É a primeira infância o período em que as crianças mais precisam de atenção e afeto. Esse período vai desde a concepção do bebê até o momento em que a criança ingressa na educação formal. No Brasil, considera-se o período até os seis anos de idade. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas em mente infantil do país, destaca que o carinho molda o cérebro nessa fase. “São várias pesquisas científicas que comprovam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem”, explica.

 

Esses benefícios em relação ao desenvolvimento físico, portanto, já são conhecidos, como confirma o neurologista infantil Christian Muller: "Tal fato ficou evidente em pesquisas com crianças em situações de fragilidade social e abandono por parte dos pais, com perceptível atraso global no desenvolvimento. Por outro lado, tão logo foram estas crianças expostas a lares afetivos e protegidos, muitas se recuperam, dependendo de um conjunto de fatores", relata.

 

Apoio necessário

Colo e abraço, portanto, estão liberados: em vez de mimar, esses hábitos colaboram para que a criança desenvolva suas capacidades motoras e cognitivas, e ainda fortalecem o sistema imunológico. Mas o afeto familiar significa mais do que apenas o contato físico. Segundo o professor Walter Eustáquio Ribeiro, o ambiente amoroso, com uma família compreensiva e tranquila, faz com que a criança fixe melhor o conhecimento. "Os primeiros anos de vida são o momento em que a criança mais precisa de colo, pois ela precisa se sentir segura. Quando ela começa a interagir com os pais, é hora de demonstrar que estão presentes de outras formas: conversando, mostrando interesse pelas atividades da criança, ensinando, porque é hora de ela se socializar. Quem recebe afeto fica mais seguro, inclusive, para ingressar na escola".

 

Ribeiro ainda destaca que o sentimento de indiferença já é nocivo para os adultos e muito mais para os bebês, que nascem precisando de alimento, ajuda para se locomover e presença dos pais para saberem que estão protegidas em uma fase tão frágil.

 

Emocional deve ganhar atenção

Os benefícios são muitos, porém dar carinho às crianças ainda não é prioridade dos pais. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope, em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, instituição que se dedica à promoção do desenvolvimento da primeira infância, para 51% das mães o principal é cuidar da saúde, levando o filho ao pediatra e dando as vacinas regularmente. O estudo foi realizado com mais de 2 mil pessoas, que foram questionadas sobre o que é importante para o desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos. Apenas 12% consideram importante o bebê receber carinho e afeto e só 11% acreditam que proporcionar estímulos auditivos, visuais e táteis é fundamental. Para os pesquisadores, o resultado da pesquisa mostra que é preciso reforçar a importância do lado emocional e social para o desenvolvimento infantil.

 

            Esses estímulos, somado ao afeto que a criança recebe, são fundamentais para que ela desenvolva suas capacidades, principalmente a de comunicação. “As crianças têm seu aprendizado baseado em 'neurônios em espelho', ou seja, baseado em imitação”, afirma o neurologista. Segundo Muller, o vínculo entre mãe e filho é construído já ao longo da gestação, por meio de sons e voz, e continua após o nascimento, com colo, toque, cheiro, sorriso e conversa. Observando as reações dos adultos, o bebê aprende a demonstrar afeto com o olhar e com o sorriso. Toda essa bagagem será levada pela criança para os anos futuros. “O contato familiar sadio facilita os relacionamentos da criança quando ela cresce, ela se socializa de forma adequada”, completa Ribeiro.

 

Primeiros e importantes anos de vida

Segundo o neurologista Christian Muller, é na primeira infância que o desenvolvimento dos neurônios avançam, adquirindo melhores conexões entre as células nervosas, contribuindo para as funções motoras, de linguagem e social. Ocorrem o crescimento e amadurecimento do cérebro, aquisição dos movimentos, desenvolvimento da capacidade de aprendizado, iniciação social e afetiva, entre muitos outros aspectos interligados e influenciados pelo ambiente onde a criança vive. Segundo informações da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, o estímulo adequado às crianças de até seis anos, aliado à boa alimentação, gera benefícios que vão desde o aumento da aptidão intelectual até a formação de adultos preparados para lidar com os desafios do cotidiano. A qualidade de vida nesse período, portanto, além de ajudar no desempenho escolar, colabora para uma vida adulta mais tranquila.

 

Texto: Marisa Sei

 

 

Nossas fontes:

Walter Eustáquio Ribeiro é professor e vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF)

Christian Muller é neurologista infantil

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