Você é adepta do método "estamos combinados"?

 

 

A geração que cresceu ao som de “sou seu pai e quem manda aqui sou eu!”, ou “se você não fizer o que estou mandando vai apanhar!” hoje se vê do outro lado da gangorra. São pais e mães com responsabilidade de educar os filhos em meio a novas descobertas, revoluções online e definição de papéis controversa. Por isso, a saída para determinar regras em casa ganhou uma nova roupagem. Bem-vindo à era do “tá combinado!”.

 

“Os pais de hoje parecem estar menos voltados a castigos e mais abertos ao diálogo, como consequência desta nova formação familiar, onde ambos trabalham fora, muitas vezes contam com a colaboração de alguém da família, têm pouco tempo para se dedicar à educação dos filhos e buscam a harmonia familiar. O diálogo pode ser um forte aliado no estabelecimento de regras, acolhimento, estreitando os relacionamentos entre os membros da família”, salienta a psicóloga Marcela Caiado de Castro.

 

Se antes os pais usavam de sua autoridade, de ameaças e palmadas para mostrar aos filhos o caminho a seguir, hoje é possível observar em grande parte das famílias a tendência de fazer acordos e delimitar regras através da conversa. Os pais costumam se valer da expressão “tá combinado!” para mostrar aos filhos o que esperam que eles façam.

 

A administradora de empresas Camila Emmanuelle de Araújo Schirmer, mãe de Pietro de Araújo Schirmer, 5 anos, é adepta desse modo de educar. “Muitas vezes tento explicar todas as situações e adoro dar exemplos, acho mais fácil para entender os porquês. Procuro fazer certas competições pra estimular a vontade de fazer nele. Fazemos competição para quem tira a roupa primeiro pra tomar banho, quem se troca primeiro, quem se arruma mais rápido pra sair”, destaca.

 

Quando quer mostrar a ele o que é certo e errado, ela estabelece os limites antes. “Procuro explicar o porquê em ter que fazer e o jeito que tem que ser feito. E sempre dou exemplos da situação com a regra sendo seguida e sem a regra, mostrando que sem regras, muitas vezes, as coisas dão errado”, frisa.

 

Numa escala de 0 a 10, ela dá nota 7 para a obediência do menino. “Apesar de gostar dessa competição, desses acordos, ele é meio preguiçoso. Então, às vezes, não quer fazer de maneira correta e combinada só por preguiça”, completa.

 

Já a microempresária Marília Sarmento, que também segue a linha do “tá combinado” com o filho Mateus Sarmento Machado, 8 anos, diz que o menino chega a atingir a margem de 9 nesta mesma escala de obediência. “E quando não cumpre o que foi estabelecido, sempre há uma consequência, proporcional à falta cometida, lógico!”, afirma.

 

Questão de respeito

“Meu pequeno desde sempre foi acostumado aos combinados. Quando tinha por volta dos 2 anos já costumava combinar pequenas ações,  como por exemplo: você brinca mais 15 minutos e depois já vai para o banho, combinado? Desta forma acredito que respeitava a atividade que ele estava executando, dando-lhe tempo de finalizá-la sem prejuízos. Ficava mais fácil também estabelecer a rotina e ele saber o que viria a seguir”, lembra Marília.

 

Marília diz que ainda hoje mantém a mesma prática com ele. “Claro que hoje com mais dificuldades, pois penso que começam a adquirir mais autonomia, mas é imprescindível que o combinado seja cumprido! Afinal, combinado é combinado!  Respeito sempre!”, frisa.

Mais do que negociar, os pais precisam gerenciar esse relacionamento com os filhos. É preciso estabelecer regras, fazer o “pacto” (por exemplo: “vou levar você ao cinema, mas não vou comprar brinquedos no shopping hoje, tá combinado?”) e cumprir o trato. “É necessário ter diálogo com os filhos para mostrar o certo e errado; pontuar as prováveis consequências e retomar sempre que necessário. Além disso, os pais devem ter cuidado com as regras e ser modelo para os pequenos. Que sentido faria ter uma regra para as crianças e nem os pais seguirem de forma adequada?”, salienta a psicóloga Debrah Garcia Sé.

 

Ela ressalta que os combinados são ótimas estratégias de educação, desde que não ultrapassem o limite do bom-senso. “Não devemos ´comprar´ atitudes das crianças, mas sim mostrar de uma maneira clara que alguns comportamentos terão consequências, além de conversar sobre o que é certo e errado”.

 

Para a pedagoga Lívia Mendes, é preciso tomar cuidado ao associar os pactos a bens materiais. “Esse tipo de comportamento dos pais ao educar seus filhos pode ser muito perigoso. Ao condicionar a educação da criança a bens materiais, pode levá-la a criar valores equivocados da realidade”, avalia.

 

Causa e consequência

Para Lívia, o importante é deixar claro quais são as regras e quais as consequências se elas não forem cumpridas. “O diálogo é o caminho ao esclarecer para a criança qual o comportamento desejado para as diversas situações cotidianas que ela convive. Outro ponto importante é um bom diálogo e relacionamento com os ambientes que a criança frequenta, como a escola, por exemplo.”

 

Deborah também ressalta a necessidade de os pais levarem o combinado até o fim. “Se combinaram alguma consequência, os pais deverão cumprir com aquilo que haviam falado. Caso contrário, eles correm o risco de perder sua credibilidade e abalar a relação de confiança com os filhos, uma vez que não cumprem com sua ‘palavra’. Por isso, costumo dizer sempre aos pais que as consequências devem respeitar as suas possibilidades. Uma vez combinado, não é bom não seguir com o que combinou – tanto para consequências positivas quanto negativas”, diz a psicóloga.

 

E esse treinamento pode começar desde cedo. Para Marcela, não há idade mínima. “A criança tem condições de assumir compromissos desde os primeiros anos de vida, se isso for ensinado a ela. Desde guardar os brinquedos, colocar a roupa no cesto, ter responsabilidade com o consumo de água no banho, jogar lixo no lixo, carregar a própria mochila ao sair da escola... Se estas pequenas responsabilidades fizerem parte da vida da criança, provavelmente será natural que ela assuma novas responsabilidades nas etapas subsequentes do seu desenvolvimento.”

 

 

O que seu filho tem aprendido com o seu método de educar?

 

“Acredito que o Mateus tenha aprendido as regras da vida. Nem sempre é como queremos, mas temos que tirar o melhor de tudo. Aprendemos juntos a construir uma relação de confiança. Argumentar e aprender a ouvir, sempre com atenção e respeito, também é base para uma vida feliz e de sucesso”. Marília Sarmento

 

 

 

 

“Ele nos lembra das coisas que conversamos e combinamos, cria as próprias regras para as coisas dele, para as brincadeiras. O Pietro aprende a cada dia uma coisa nova e tentamos mostrar que na vida temos que ter regras pra fazer sempre o melhor possível, pra sermos boas pessoas, pra termos bons amigos”. Camila Emmanuelle de Araújo Schirmer

 

 

Texto: Rose Araujo

 

 

Nossas fontes:

Deborah Garcia Sé, psicóloga

Marcela Caiado de Castro, psicóloga clínica, especializada em Terapia de Casal e Família pelo IBAP Bauru

Lívia Leme, pedagoga e professora da Universidade do Sagrado Coração (USC)

 

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