Não fale com estranhos!

 

Para que seus filhos entendam essa “ordem”, o diálogo é a melhor forma de prepará-los para que sejam independentes, e ainda de garantir sua proteção

 

“Não converse com estranhos, nem aceite doces de quem você não conhece”. Provavelmente esses foram os primeiros conselhos que ouvimos dos nossos pais e, certamente, os primeiros que temos a preocupação de repassar aos nossos filhos assim que eles dão seus primeiros passos fora de casa, desbravando o mundo que está do outro lado do muro.

 

Junto com outras orientações, como “olhe para os dois lados ao atravessar a rua” e “não solte a minha mão”, essas regrinhas são as soluções mais tradicionais para um dilema que acompanhar gerações. Afinal, como preparar as crianças para que sejam independentes sem deixar de protegê-las?

 

Mesmo que não exista uma garantia contra os acidentes, a orientação é o caminho para evitá-los. E nesse caso o papel dos pais e da família é fundamental, uma vez que ao saber onde estão os perigos, a criança poderá ter mais cuidado. Neste caso, especialistas indicam essa proteção começa com o diálogo dentro de casa.

 

“O diálogo familiar deve começar nos primeiros anos de vida. A proteção física e mental da criança é muito importante e é dever intransferível dos pais”, explica a psicopedagoga Patrícia Reltersinger Costa, 43 anos.

 

Há mais de dez anos trabalhando com crianças entre 3 e 5 anos, ela considera que a melhor maneira de ensinar é usar a linguagem delas. “As crianças assimilam algumas noções de segurança se forem ensinadas de forma correta, ou seja, com um vocabulário compreensível para a idade”.

 

Nesse caso, ao invés de frases clássicas sem muita ou nenhuma explicação, algumas simples conversas podem fazer a diferença.

 

 Linguagem 

 

É o que exemplifica a professora e psicóloga infantil Karina Vargas, que trabalha com alunos de 3 anos e tem dois filhos (um menino de 8 e uma menina de 12) . “Você não vai falar para um garoto de 5 anos que alguém pode ter colocado uma droga injetável para fazê-lo dormir, dentro de uma bala, usando uma seringa. Mas você pode dizer que não se deve aceitar balas de estranhos porque podem dar uma dor de barriga. Assim você entra no mundo da criança, dando exemplos reais para que ela possa entender a mensagem e ter confiança em você”.

 

Ela lembra ainda que o “não” dos pais deve sempre vir seguido de uma explicação. “E a melhor forma de explicar alguma coisa é falando a verdade, claro, de uma maneira que ela possa entender”, destaca.

 

 Era uma vez... 

Quase tão utilizadas quanto às frases do início do texto, as fábulas e Contos de Fada ainda são estratégias escolhidas na hora de impor regras e aconselhar as crianças.

 

Uma menina chamada de Chapeuzinho Vermelho desobedeceu a sua mãe e o lobo mau apareceu. João e Maria aceitaram doces de uma estranha e acabaram nas garras de uma bruxa má. Branca de Neve comeu a maçã oferecida por uma desconhecida e foi envenenada. A mensagem oculta nesses contos é o que chamamos de moral da história. Método que, para a psicopedagoga Patrícia Costa, não passa de uma forma de despertar a atenção nas crianças.

 

“Se fizermos uma análise com olhar do adulto, essas histórias não são tão boas com as crianças. Os personagens são lobos, bruxas, sempre com intuito de invocar nas crianças o medo. Não é coincidência, é proposital. Se você tem medo, tem mais cuidado em suas atitudes”, conta. Porém, a especialista alerta quanto ao exagero: “não se pode transformar uma orientação em traumas, ou terror noturno e fobias”, destaca.

 

Foi o que aconteceu com o pequeno Arthur Santos, hoje com 6 anos. Temendo uma traquinagem maior do filho, a mãe Elaine usou a tática do medo e o resultado foi pior do que o esperado.

 

“Ele sempre foi muito moleque mesmo, não tinha medo de nada e eu tinha receio que ele fosse embora com um estranho ou saísse pelo condomínio sem avisar. Foi então que um dia eu inventei a história do bicho papão. Ele ficou com tanto medo que depois não conseguia dormir no quarto sozinho. Eu tinha que ficar com ele na minha cama até ele pegar no sono. Demorou a perder o medo. Só conseguiu quando cresceu um pouco mesmo”, conta.

 

 Como falar? 

O que fica claro é que a ideia de amedrontar a criança não funciona, e o mais eficiente em todos os casos é informar. A criança deve ser estimulada a ser mais esperta que os perigos que vai encontrar no mundo fora de sua casa.

 

“Esqueça lição de moral e tenha consciência de que você precisa explicar o processo de que cada ação tem uma reação, um erro ou acerto tem sua consequência, só que na linguagem apropriada”, destaca Karina Vargas.

 

“Não é preciso inventar o homem do saco que sai recolhendo crianças nas ruas, pois eles existem. Acontece que não são mal vestidos e nem sujos. São bem espertos. Por isso é importante a relação de confiança entre a criança e os pais, para que ela entenda que estranho é todo mundo que ela não conhece”.

 

A maneira mais eficaz é exemplificar o processo todo. “Do mesmo jeito que tentamos explicar a necessidade de escovar os dentes, para não criar bichinhos e acabar com dor de dente, temos que falar que se ela for embora com um estranho pode nunca mais ver os pais. Se você não explicar todo o processo, ela ficará curiosa e vai fazer o teste. Então, explique o motivo do seu conselho. Se for preciso, dez vezes. Pois cada criança, dependendo da idade, tem seu processo de absorção das informações. Umas demoram um pouco mais que outras, mas o segredo é a repetição”.

 

 E se acontecer? 

Não grite, não faça escândalos. “Lembre-se que o medo não é um aliado. A criança tem que saber das consequências, mas não precisa criar traumas. Converse. Lembre-a que já havia dito o que poderia ocorrer”, explica Karina Vargas.

 

Sem frases prontas, mas com diálogo, a conversa entre pais e filhos é a chave para que muitos problemas possam ser evitados. Crianças que têm pais presentes crescem mais seguras, sendo capazes de entender os perigos e de evitá-los.

 

“O diálogo familiar é e sempre será o alicerce de aprendizado da criança, para que ela se transforme em um adulto consciente e para que possa também cumprir o seu papel de orientação com as novas gerações”, conclui a psicopedagoga Matilde Costa.

 

 

Texto Neto del Hoyo

 

Nossas Fontes:

Matilde Patrícia Reltersinger Costa, psicopedagoga

Karina Vargas, professora e psicóloga infantil

Please reload

Please reload

+ NOTÍCIAS

Criança que passa pouco tempo ao ar livre tem mais chance de desenvolver miopia

1/10
Please reload

Siga
  • Grey Facebook Icon
  • Grey YouTube Icon
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Pinterest Icon
RSS Feed

Fale conosco

Whats: 15 99129-4846 | 11 3368-7702

Email: redacao@namochila.com

A revista das escolas particulares de Sorocaba e região
A revista das escolas particulares de Sorocaba e região

Certificado

SELO SOCIAL 2014 / 2015