Nascer antes do tempo

O nascimento de um bebê prematuro gera ansiedade e muita preocupação. Mas com os cuidados certos e muito amor dos pais, é possível garantir o bom desenvolvimento e mais qualidade de vida para esse pequeno

 

Partos que acontecem semanas ou até meses antes do previsto são mais comuns do que você imagina. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de dados do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sinasc), nascem cerca de 40 bebês prematuros por hora no Brasil.

 

Uma gestação normal tem duração de 37 a 42 semanas completas. Portanto, todo parto que antecede 36 semanas e seis dias é considerado prematuro. Em casos de o bebê nascer antes de 28 semanas, temos o quadro de prematuridade extrema. “Diversos estudos publicados indicam que o melhor período para o nascimento ocorre entre 39 a 41 semanas de gestação, quando o pulmão do recém-nascido já está amadurecido”, diz Bruno Bedoschi, ginecologista e obstetra.

 

 O que faz um bebê ser prematuro? 

Existem vários fatores responsáveis pela prematuridade. Segundo a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, o principal motivo são problemas de formação no feto. “Por isso, é muito importante que a gestante faça o acompanhamento pré-natal para que se tenha certeza do desenvolvimento normal do bebê”, alerta a médica. Já para o Dr. Bruno, em cerca de 50% dos casos é muito difícil detectar os motivos que levaram ao parto prematuro. “Sabemos que existem características significativas na origem da prematuridade, sendo que ela ocorre principalmente em pacientes com nutrição inadequada, usuárias de drogas ou tabagistas, nos extremos da idade reprodutiva ou em pacientes que se submetem a uma carga muito alta de estresse físico ou psicológico”, pontua.

 

 

 Outras situações que tendem a favorecer a prematuridade e que merecem muita  atenção por parte da gestante e do médico: 

- hipertensão arterial

- diabetes

- obesidade

- baixo peso

- distúrbios de coagulação

- histórico de miomas uterinos

- infecções ginecológicas ou urinárias

- gravidez de gêmeos ou múltiplos

- problemas no colo do útero

- idade inferior a 17 e superior a 35 anos

- placenta prévia (quando a placenta se descola do útero)

- gestações muito próximas

- fertilização in vitro

- alteração no volume do líquido amniótico

 

 Atenção especial 

Todo recém-nascido é assistido pela equipe médica logo nos primeiros instantes de vida, mas quando o bebê é prematuro, o cuidado é intensivo. Características como baixo peso, pele bem fina e brilhante, musculatura fraca, dificuldade para sucção e deglutição do leite materno, além de imaturidade dos sistemas digestivo, respiratório, neurológico e cardíaco, fazem com que o prematuro tenha mais chance de contrair diversas doenças, correndo até o risco de morte.

 

Por isso, os médicos devem preparar o bebê para o ambiente externo, oferecendo todo cuidado de que ele necessita para se desenvolver, como se ainda estivesse dentro do útero da mãe. “Em geral, os bebês prematuros devem ficar internados por um tempo prolongado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, com o intuito de ganhar peso e fornecer maior aporte de oxigênio, além de controlar os níveis de açúcar do sangue e possíveis sinais de infecção. Eles devem ser mantidos em locais com temperatura mais elevada (incubadoras), imitando o ambiente intrauterino”, explica Bruno.

 

O tempo de internação vai depender do estado de saúde e da idade gestacional do bebê. De acordo com a pediatra Cláudia Tanuri, os prematuros precisam ficar na UTI até ocorrer a estabilização clínica, o bebê conseguir se alimentar totalmente via oral,  garantir controle térmico adequado e peso entre 1800 a 2000 gramas, com ganho crescente.

 

 Lar, doce lar! 

Depois de tanta espera e momentos de ansiedade, finalmente chegou a hora de os pais levarem o pequeno para casa. Mas você sabe quais os cuidados necessários para garantir a saúde do prematuro no aconchego do lar?

 

Amamentação: É importante que a mãe ofereça o peito sempre que o bebê tiver vontade e que ela o acorde para mamar, caso esteja dormindo a mais de quatro ou cinco horas. Isso vai favorecer (e muito!) o desenvolvimento do pequeno. Também é essencial que se tenha paciência, principalmente nos primeiros dias em casa, pois o recém-nascido poderá estar treinando os movimentos de sucção, em vez de mamar.

 

Família e amigos: os pais devem evitar qualquer tipo de exposição a infecções. De uma forma gentil e educada, peça para as pessoas queridas não irem à sua casa se estiverem doentes, não permita em hipótese alguma que fumem, principalmente dentro de casa, e mantenha sempre portas e janelas abertas, para que o ambiente fique arejado.

 

Vacinação: Siga à risca as datas e as doses das vacinas, pois elas são fundamentais para a prevenção de diversas doenças na infância.

 

Higiene: A pele do prematuro é muito delicada e frágil, por isso a troca de fralda deve ser feita com mais frequência para prevenir as assaduras. Na hora de limpar o bumbum, a dica é umedecer bastante algodão em água morna, o que facilita o processo, e nunca deixar de passar pomadas específicas para proteger a pele do bebê. Já para o banho, o cuidado maior fica por conta da temperatura do ambiente. A mãe deve prestar atenção se não está frio e nem ventando muito no local onde está a banheira, além de sempre checar a temperatura da água e ser rápida.

 

 Amor de mãe 

Sabrina Beneveni é mãe do pequeno Miguel e conta com muita alegria os principais momentos de sua trajetória até a chegada do seu anjinho. Aos 29 anos, ela engravidou um mês depois de sofrer seu quarto aborto consecutivo. “Eu engravidei quatro vezes antes do Miguel, porém, todas as gestações resultaram em aborto na sexta semana. Fiz tratamentos de ILP (imunização de linfócitos paternos) e tomei muitos hormônios, mas mesmo assim continuava perdendo meus bebês. Quando o médico optou por não tentar uma próxima gestação e me aconselhou a colocar o DIU (dispositivo intrauterino), engravidei do Miguel.”

 

Com uma gestação tranquila, mas cercada de cuidados, Sabrina teve que tomar injeções diárias de anticoagulante. Ao chegar na 35ª semana, o médico recomendou que ela parasse com as injeções para seu organismo voltar a ter coagulação para o parto. “Para a surpresa de todos, cinco dias após a última aplicação, minha bolsa rompeu e eu entrei em trabalho de parto, chegando a oito dedos de dilatação em menos de seis horas”, relembra com felicidade.

 

Quando entrou em trabalho de parto, a mais nova mamãe conta que ficou muito preocupada, pois não sabia se iria ter seu bebê logo nos braços ou se ele precisaria de cuidados especiais. “Mesmo com pouco peso e sendo um bebê prematuro, Miguel nos surpreendeu com sua força: não precisou ficar na UTI neonatal e após algumas horas foi para o quarto. Ficamos no hospital por quatro dias, pois ele precisou de alguns cuidados especiais, já que pesava 2,3kg”.

 

Fé e pensamento positivo foram os fatores que ajudaram Sabrina e toda a família a enfrentar os obstáculos.

 

Já a pequena Maria Fernanda, hoje com 4 anos, teve um começo de vida bem mais difícil. Nasceu com 28 semanas e pesando apenas 780 gramas. Durante a gestação, a mãe, Fernanda Gaspari Buso, teve pneumonia bacteriana, que foi tratada no início como pneumonia viral, favorecendo o surgimento de um quadro de hipertensão. “Na época, sentia muita queimação, mas achava que era porque a bebê seria cabeluda. Na realidade, todo esse mal-estar que eu sentia já era sintoma da pré-eclampsia”.

 

Com 26 semanas de gestação, Fernanda teve que ser internada para controlar a hipertensão, e com 28 semanas teve a indicação médica de seria melhor fazer uma cesárea, para não correr mais riscos. A bebê foi transferida para outro hospital que tinha UTI neonatal e a mãe só pode conhecê-la três dias depois, após a alta médica. Foram três meses de muita batalha por parte da família e da pequena Maria Fernanda, que se mostrava mais forte a cada dia. “Eram várias informações e apreensões, pois o quadro dos prematuros piora e melhora muito rápido. Era um misto de ansiedade, dor, choro, esperança, risos por cada conquista e FÉ muita FÉ!”.

 

Hoje, Maria Fernanda é uma criança muito amorosa, alegre e inteligente. “É preciso ter muita fé e esperar, porque Deus sabe o que faz”, diz a mãe.

 

Texto Jaqueline Lopes

 

Nossas fontes

Bruno Bedoschi, ginecologista e obstetra

Flávia Fairbanks, ginecologista e obstetra

Cláudia Tanuri, pediatra

Rodrigo Peres, fisioterapeuta

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