Obesidade na gestação pode fazer mal à mãe e ao bebê

Você conhece alguém que, ao descobrir que estava grávida, não se preocupou com os quilos que viriam? No almoço, abusava dos salgados, comendo três ou quatro coxinhas, bomba de chocolate e, quando dava vontade de tomar sorvete, devorava o pote inteiro? Pois esta é a história de Denise Takahashi, mãe da Lívia, de 7 anos. Por considerar-se magra no início da gestação, com 49 kg, não cuidou da alimentação como deveria e ganhou 22 kg. Apesar dos abusos, Lívia nasceu com 2,8 kg, e felizmente não apresentou nenhum problema com obesidade, já que a família hoje se preocupa com uma alimentação saudável. Mas, para muita gente, a história é bem diferente.

 

Um estudo publicado pela Universidade de Yale (EUA) comprovou que mulheres que tenham um ganho excessivo de peso durante a gestação podem gerar bebês mais propensos a terem problemas com obesidade ao longo da vida. Por isso, todo cuidado é importante durante este período.

 

 

 

Sob controle 

Em primeiro lugar, é preciso entender como se dá o ganho de peso na gestação. De acordo com o pediatra e nutrólogo Mario Falcão, os quilos a mais são divididos nos três trimestres da gravidez. No primeiro, a grávida, normalmente, até perde peso devido a vômitos e à falta de apetite. Já no segundo, ela ganha um pouco de peso, pois volta a ter apetite. Enquanto no terceiro, é quando ocorre o maior ganho de peso. “É preciso lembrar que a grávida não é só gordura. O bebê pesa, o líquido amniótico pesa, a placenta pesa e a retenção de líquidos também”, salienta o especialista.

 

Não há um ganho de peso ideal, pois depende de características individuais, como estatura e índice de massa corpórea (IMC), porém, para uma mulher de porte normal o indicado é engordar de oito a 12 quilos. “Na verdade, a mãe não ganha nada de peso para ela, é o que chamamos de ganho fisiológico”, explica Falcão. O problema surge quando a futura mamãe ganha 20 kg ou mais.

 

Legenda foto: Denise Takahashi engordou 22 kg na primeira gestação, e apenas 8 kg na segunda.

Crédito: Arquivo pessoal

 

 Quando o sobrepeso já existe 

No caso de mulheres que já possuem um peso acima do indicado, configurando obesidade, os cuidados devem começar antes mesmo da gravidez. Segundo a ginecologista e obstetra Daniela Maeyama, o ideal é que a mulher perca peso para alcançar o IMC normal e depois engravide. Porém, se não foi possível e a gestação já estiver em desenvolvimento, é preciso que ela siga à risca os cuidados com a alimentação para não ultrapassar os 10 kg durante a gestação.

 

Além disso, é comum que pessoas com o peso elevado apresentem algumas doenças, como diabetes e hipertensão. Estes distúrbios podem impedir uma gestação tranquila, implicando em maiores cuidados no pré-natal.

 

 Perigos 

Seja em gestantes que ganharam peso em excesso ou que já apresentavam sobrepeso, as duas principais preocupações com a saúde da mulher e do feto são a hipertensão e o diabetes gestacional – que atinge cerca de 7% das grávidas brasileiras, segundo o Ministério da Saúde.

 

 

O DIABETES GESTACIONAL PODE ACARRETAR:

- Diabetes futura na mulher

- Nascimento prematuro

- Macrossomia – quando o bebê nasce acima de 4 kg, o que não é saudável, podendo acarretar doenças futuras.

- Hipoglicemia – baixa concentração de glicose no sangue do bebê. Acostumado a muita glicose vinda da mãe, ele acaba precisando fazer uma reposição deste carboidrato.

 

 

A HIPERTENSÃO PODE GERAR:

- Baixo peso do bebê, menos de 2,5kg.

- Nascimento prematuro. Pode ser preciso adiantar o parto para controlar a pressão arterial.

- Eclampsia. Complicação da hipertensão, gerando convulsões na mãe.

 

 

 

 Outros problemas 

Dores lombares e nas pernas e aumento de vasos também são fatores associados ao ganho de peso. Além disso, a gordura abdominal pode contrair o bebê e as mamas muito grandes dificultam a amamentação. Até mesmo o tipo de parto sofre influência: “se a paciente está hipertensa, está convulsionando, você não pode esperar o trabalho de parto chegar, acaba tendo que fazer uma cesárea de emergência”, explica a ginecologista.

 

 Recuperação 

De acordo com os especialistas, o pós-operatório de uma gestante com excesso de peso costuma ser igual, com exceção de quem teve hipertensão, que precisa continuar tendo cuidado com a pressão arterial. “Em relação à cicatrização, a involução do útero, e as alterações do corpo por causa da gestação, não mudam”, afirma Maeyama.

 

 Solução para o mal-estar 

Maria Claudia Travaglini Garcia, de 34 anos, também passou pelo ganho de peso excessivo nas duas gestações. Na última, há pouco mais de dois anos, ganhou 23 kg. “Eu passei muito mal nos primeiros quatro meses das duas gestações. Vomitava muito”, conta. Para evitar tanto mal-estar, ela comia o tempo todo, pois se ficasse de barriga vazia, era pior. Mesmo após esse período, continuou comendo igual. Quando o ginecologista se deu conta dos mais de 20 kg acumulados, pediu exames e nenhuma anormalidade foi apontada. Apesar do excesso de peso, Maria Claudia não teve complicações, além de dores nas costas e nas pernas. Nos primeiros 15 dias pós-parto, perdeu 15 kg. No entanto, se tiver mais um filho, pretende não engordar tanto.

 

Legenda foto: Maria Claudia e seus filhos, meses após o nascimento do caçula.

Crédito: Arquivo pessoal

 

 

 

 

Cuidados com a alimentação 

A história de que grávida come por dois, é um grande equívoco. O indicado é que ela consuma 30% a mais de calorias, mas em alimentos saudáveis. No caso de gestantes muito magras, pode-se aumentar essa porcentagem, mas nunca com itens ricos em gorduras e açúcares.

 

A alimentação é a principal fonte que atende às necessidades nutricionais da gestante, além de garantir um desenvolvimento saudável do feto. “Uma alimentação balanceada que garanta a oferta de nutrientes e também uma boa hidratação é fundamental nesta fase”, afirma a nutricionista Marina Caleiro.


Cuide da dieta

- Fique longe de doces e açúcar em excesso

- Cuidado com frituras e alimentos gordurosos

- Beba muita água

- Coma alimentos ricos em fibras

 

Texto Natália Negretti

 

Nossas fontes:

Daniela Maeyama, ginecologista e obstetra

Marina Caleiro, nutricionista

Mario Falcão, pediatra e nutrólogo

 

 

 

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