Quando os neurônios estão a todo vapor

 Desde antes da gestação até os dois anos de idade: esse é o período em que o cérebro do bebê mais desenvolve – e a melhor hora para dar estímulos positivos!

 

Assim que o bebê nasce, os bons pais começam a se preocupar com cuidados médicos, conforto, educação, entre tantos outros fatores – tudo para promover o desenvolvimento saudável da criança. Contudo, pesquisas indicam que esses cuidados devem ser iniciados bem mais cedo: antes mesmo de engravidar. E devem envolver outros aspectos, até mesmo uma conversa com quem ainda nem saiu da barriga e parece nem entender o que se passa aqui fora.

 

O mês que antecede a gestação, os nove meses de gravidez e os primeiros dois anos da criança formam os mil dias, fase em que todos os estímulos poderão interferir na formação dos neurônios do bebê. “Os primeiros mil dias de vida são os mais importantes porque criam os fundamentos para o restante do desenvolvimento da criança. Uma descoberta científica recente mostrou que a formação de sinapses (que são as conexões entre os neurônios) no cérebro do bebê é muito mais intensa durante esses dias”, informa a professora Anna Maria Chiesa, consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, uma das principais fundações dedicadas a estudar o desenvolvimento na primeira infância (fase que vai até os seis anos de idade).

 

 Bebê sob encomenda 

Até mesmo o que a futura mamãe faz antes de engravidar pode influenciar na formação do cérebro do feto. Isso porque o seu sistema nervoso começa a se desenvolver já nas primeiras semanas de vida embrionária. Assim, começar o pré-natal logo que o bebê começar a ser planejado é o ideal, já que o médico pode indicar mudanças na alimentação e em outros hábitos da mulher.

 

“É necessário que a mãe tenha um aporte de ácido fólico para a boa formação do sistema nervoso, bem como uma nutrição rica em proteínas e carboidratos para sua maturação”, destaca o neurologista Antônio Carlos Montanaro, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. O ácido fólico é uma vitamina do complexo B indispensável para evitar malformações no tubo neural. Ele está presente em alimentos como brócolis, feijão, lentilha e gema de ovo, contudo, é comum que os médicos receitem suplementos do nutriente.

 

 

Até os seis anos da criança é construída a base de sua arquitetura cerebral, idade em que 90% das sinapses já devem estar formadas.

 

 

 Meses decisivos 

O que a mãe faz durante toda a gestação influencia no desenvolvimento do feto. Mas é no último semestre da gravidez que os estímulos mais farão a diferença. “Nesse período, a memória do bebê já está se formando. Assim, conversar com ele pode estimular até mesmo a linguagem. Há mães que costumam colocar músicas relaxantes nesses últimos três meses e, quando o bebê nasce, e a mãe o faz ouvir a mesma música, ele se acalma, porque se lembra”, revela Anna.

 

O bebê já percebe sons, luminosidade e tem até paladar. Ou seja, a voz dos pais, músicas agradáveis, ausência de luz para dormir, alimentos ingeridos: todos esses detalhes do ambiente externo serão percebidos pelo bebê. Manter hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais, mas nessa fase já é possível estabelecer uma comunicação com o pequeno.

 

 Absorvendo toda informação 

Por questões de sobrevivência, respirar e sugar são as primeiras habilidades desenvolvidas pela criança assim que ela nasce. “No terceiro ou quarto mês de vida, o cérebro já está formado e falta apenas amadurecer. A partir daí, tudo é aprendizado e já podem aparecer expressões e outros trejeitos”, explica o neurologista. Com apenas três meses de vida fora da barriga da mãe, portanto, o bebê já se torna capaz de compreender os sorrisos dos pais e de retribuí-los.

 

E não é só durante a gestação e os primeiros meses de vida que a criança precisa de atenção. Durante todo o período da primeira infância é necessário que a criança tenha um cuidador que se envolva com ela e atenda às suas necessidades, interagindo de forma amorosa para que ela desenvolva totalmente suas potencialidades.

 

 

Bebês expostos a conversas possuem vocabulários maiores aos dois anos de idade. Eles já reconhecem a voz dos pais no último trimestre de gestação.

 

 

 Influência negativa 

Da mesma forma que os estímulos agradáveis influenciam o bom desenvolvimento do cérebro, os estímulos negativos podem interferir no crescimento saudável do bebê. “Mulheres que têm depressão pós-parto, por exemplo, e acabam não tendo condições de dar o carinho necessário para a criança assim que ela nasce, torna o ambiente de crescimento hostil e algumas capacidades podem ficar comprometidas”, diz Anna Maria. Também caracterizam um ambiente não favorável para o bebê o estresse excessivo dos pais, má alimentação, fumo e bebida alcoólica durante a gravidez e amamentação.

 

 

O cérebro é uma das primeiras partes do corpo a serem formadas, aparecendo três semanas após a fecundação. Com sete semanas o embrião já apresenta os dois hemisférios cerebrais.

 

 

 VOCÊ SABIA? 

 

- Estudos recentes mostram que crianças afetadas pelo cigarro durante a gestação apresentam um menor volume de massa cinzenta e branca no cérebro. Enquanto a massa cinzenta está relacionada a controle muscular, memória e fala, entre outras funções, a massa branca está envolvida no processamento de emoções e na atenção.

 

- Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que crianças agredidas têm quase três vezes mais chances de se tornarem dependentes químicas na vida adulta. Isso porque o estresse no começo da vida afeta áreas do cérebro que são as mesmas responsáveis pelo desenvolvimento de dependência química e pela administração do humor e da motivação.

 

- As memórias evocadas pelo cheiro são mais emocionais e agradáveis do que aquelas evocadas por outros sentidos. É por isso que cheiros familiares e agradáveis podem melhorar o humor do bebê e aumentar o sentido de vigilância, segundo uma pesquisa realizada pela Johnson & Johnson.

 

- A mesma pesquisa revela que massagens melhoram o desenvolvimento cognitivo do bebê. Os bebês pesquisados que receberam uma rotina de massagem se mostraram 50% mais propensos a fazer contato visual e três vezes mais propensos a ter uma expressão facial mais desenvolvida.

 

 

“Os pais precisam saber da importância dos primeiros mil dias de vida – que o desenvolvimento deve ser estimulado já na gestação e que eles podem fazer muito por isso” (Anna Maria Chiesa)

 

Texto Marisa Sei

Nossas fontes:

Anna Maria Chiesa é doutora em saúde pública e professora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (USP)

Antônio Carlos Montanaro é neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo

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