Metade dos bebês brasileiros não passa pelo teste do olhinho


O teste do reflexo vermelho, mais conhecido como “teste do olhinho”, é um exame simples, feito com um tipo de lanterna, e que observa a retina, localizada no fundo do olho. O exame pode detectar doenças que podem levar à cegueira se não diagnosticadas e tratadas precocemente, como a catarata infantil, tumores e outras malformações. Apesar disso, apenas 51,1% das crianças com menos de dois anos passaram pelo teste antes de completar um mês de vida, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013.

O teste é garantido por todos os planos de saúde desde 2010, entretanto, em alguns estados do país ele não é exigido em hospitais públicos. A falta de prevenção é mais grave nas regiões norte e nordeste do Brasil, onde só 28,9% e 30,4% dos bebês passam pelo exame. Já no sul e sudeste, o teste é realizado em 68,5% e 71,1% das crianças, respectivamente.

O teste do olhinho precisa ser feito logo que o bebê nasce e repetido aos seis meses de idade, em consulta de rotina com o oftalmologista. O exame é rápido e indolor, feito sem a aplicação de qualquer tipo de colírio. A luz é mirada na pupila do bebê a uma distância de 30cm e deve produzir um reflexo vermelho para indicar a visão perfeita. Caso ele seja esbranquiçado ou descontínuo, pode sinalizar doença ocular e o bebê deve ser encaminhado a outros exames com o oftalmologista. Conheça algumas doenças que podem aparecer já na infância:

- Glaucoma: dá sinais como córnea branca e globo ocular protuso e caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular. Um em cada dez mil bebês é portador de glaucoma congênito. O diagnóstico precoce pode impedir a cegueira e o tratamento envolve uso de colírios e cirurgia.

- Retinoblastoma: é um tipo de tumor comum nos bebês e em 40% dos casos é hereditário. Pode ser congênito ou aparecer durante os três primeiros anos de vida, dando sinais como estrabismo e reflexo branco na pupila. Se detectado ainda no início, há grandes chances de cura, com o paciente preservando a visão.

- Estrabismo: caracterizado por olhos desalinhados, atinge de 2 a 5% das crianças. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, até os três meses de idade é normal o bebê desviar os olhos, porque ainda não “aprendeu” a enxergar. Porém, a partir dos seis meses, não deve mais ser um hábito comum. Tratamentos simples como o uso de tampões podem colaborar com a correção do problema.

Os pais devem ficar atentos e exigir o teste do olhinho após o nascimento do bebê. Caso algum sintoma surja nos olhos mesmo após o teste, o médico deve ser consultado imediatamente. Sinais como coçar demais os olhos, vermelhidão e secreção devem ser investigados.

Por Marisa Sei

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