Dor de crescimento não é manha!

Mesmo sem ter uma causa física específica ou estar relacionada a uma doença, a dor é real e deve ser investigada por médicos e pais

 

Crescer pode muitas vezes ser um processo bastante dolorido emocionalmente – afinal, amadurecer implica em ganhar diariamente novas responsabilidades. Mas, em alguns casos, a dor pode se manifestar fisicamente. Pelo menos esse é o caso de cerca de 25% de meninos e meninas que enfrentam a popularmente conhecida “dor de crescimento”. A alta incidência do problema – ¼ da população infantil – coloca-o na indigesta posição de 3º lugar no ranking das dores mais comuns em crianças. Os que mais sofrem têm entre 6 e 14 anos, embora existam casos mais precoces, a partir dos 3 anos de idade.

 

Causa indeterminada

Embora médicos e leigos tenham adotado o termo dor de crescimento para descrever esse incômodo súbito que surge nas crianças, não há provas de que ele esteja relacionado ao crescimento. Há alguns estudiosos que defendem como causa um possível desajuste no crescimento de músculos, ossos e tendões. Contudo, o mais provável é que ela esteja relacionada a uma fatiga muscular, ocasionada após dias recheados de atividade física intensa, assim como brincadeiras agitadas.

 

Há ainda estudos que ligam o problema à condição emocional da criança, pois foi percebido que sua incidência aumenta em períodos de maior estresse na escola ou em casa. “Mas, mesmo quando falamos em fatores emocionais é importante lembrar que a criança não inventa esta dor, ela realmente a sente”, evidencia a pediatra Thalita Feitosa Costa, especializada em pediatria geral e puericultura.

 

Diagnóstico clínico

Se a causa é incerta, o diagnóstico também não é facilmente detectável, pois não há um exame específico que possa identificar a dor de crescimento. “Ela não aparece em exames de imagem e laboratoriais. Por isso, seu diagnóstico é clínico, analisando as características do problema da criança”, explica o pediatra José Gabel, do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

 

Entre as características do mal, o especialista destaca o surgimento súbito da dor, de origem inexplicável, que atinge principalmente os membros inferiores, com destaque para panturrilhas, parte posterior das coxas e pés. “Inclusive, ela pode se manifestar em uma única perna”, salienta. Embora seja mais raro, ela pode acometer os membros superiores. Os acessos de dor duram poucos minutos, de 5 a 15 minutos em média, mas podem durar mais de uma hora em alguns casos.

 

Normalmente, seu aparecimento coincide com o fim da tarde e o início da noite, após atividades físicas – uma das razões que ligam o incômodo à fatiga muscular. “Entretanto, algumas crianças podem acordar subitamente durante a noite, aos prantos, queixando-se do problema”, revela o ortopedista Miguel Angelo Gonçalves Reis Filho.

 

Tratamento em casa

Quando a criança se queixa do problema, o primeiro passo para revertê-lo é tentar confortá-la. “Mesmo porque uma das causas apontadas está ligada à condição emocional. Por essa razão, o apoio afetivo dos pais é tão importante. É preciso dar suporte psicológico e afetivo”, afirma José.

 

Outras medidas ajudam a minimizar o desconforto, como massagens suaves, compressas mornas e alongamentos. “Algumas crianças podem se beneficiar de esportes de baixo impacto, como, por exemplo, a natação”, ressalta Miguel.

 

 

 Atenção! 

Uma das maneiras de se identificar o problema é por exclusão de outras causas. Deve-se desconfiar, por exemplo, quando o incômodo está associado a vermelhidões, inchaços ou febres, já que a dor de crescimento não tem manifestações desse tipo. Contudo, ela pode estar ligada a outras dores. “A dor do crescimento faz parte de um grupo de doenças que chamamos de 'dores recorrentes da infância', e quem tem uma destas dores pode ter também cefaleia (dor de cabeça) e dores abdominais recorrentes”, explica Thalita.

 

Para um diagnóstico correto, é necessário que os pais procurem um pediatra para que possam ser afastadas demais possíveis causas de dores intensas, tais como doenças como artrite e reumatismo infantil, fibromialgia juvenil, tumores ósseos e síndromes de hipermobilidade articular (quando a criança tem as articulações mais flexíveis do que o normal).

 

 

“A intensidade da dor é muito variável e subjetiva, mas é importante saber que ela não limita as atividades da criança”

Thalita Feitosa Costa, pediatra

 

Nossas Fontes

José Gabel, pediatra do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Miguel Angelo Gonçalves Reis Filho, ortopedista da Fluyr Saudável – Clínica de Combate à Dor e ao Estresse

Thalita Feitosa Costa, especializada em pediatria geral e puericultura

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