Especial "Bem nascer": A gestação mês a mês

 

A barriga demora para crescer? Depois de quantos meses dá para saber o sexo? Quando o coração do bebê começa a bater? Acompanhe todo o desenvolvimento e as transformações que acontecem com o bebê antes do nascimento

 

Texto Jaqueline Lopes

 

Especialmente para os pais de primeira viagem, quando uma gravidez é confirmada, uma série de sentimentos e dúvidas começa a surgir. Até para quem já tem filhos, alguns acontecimentos da gestação causam surpresa e até espanto, já que se trata de um período marcado por muitas transformações! Para ajudar você e sua família a entender todo o processo, consultamos profissionais especializados para explicar cada etapa dessa mágica espera que é a gravidez. Confira!

 

 1º mês 

Tudo começa com a fecundação, que é a união entre o espermatozoide e o óvulo, originando o zigoto. Após a divisão celular, acontece a implantação no útero, onde se inicia o desenvolvimento embrionário. Com a placenta formada, o embrião é envolvido pelo líquido amniótico, que irá auxiliá-lo na alimentação e protegê-lo durante a gestação. O coração é o primeiro órgão a ser formado, mas ele só começa a bater a partir da sexta semana.

 

 2º mês 

Nessa fase, o embrião já pode ser chamado de feto. É um período muito importante da gestação, pois também acontece a formação dos sistemas nervoso, digestivo, circulatório e respiratório. Com oito semanas, todos os órgãos estão em formação e nessa hora o papel do cordão umbilical é essencial, pois é através dele que ocorre a passagem de nutrientes da placenta da mamãe para seu filho. Na 10ª semana, olhos, nariz, boca, bracinhos e perninhas estão em desenvolvimento e o embrião passa a apresentar feições humanas. “No final do segundo mês, o feto mede entre 13 e 20mm”, afirma Drª. Genevieve Coelho, diretora da clínica IVI Salvador e especialista em reprodução humana.

 

Pré-natal é uma assistência prestada por profissionais especializados para garantir mais segurança e saúde à mãe e ao bebê durante toda a gestação. Através de consultas e exames (sangue, urina, fezes...), pode-se verificar o período gestacional que a mulher se encontra, prever a data do parto e até identificar e prevenir problemas que coloquem a gravidez em risco. É um acompanhamento essencial para o perfeito desenvolvimento do bebê e da saúde materna.

 

 3º mês 

O primeiro trimestre está chegando ao fim, mas ainda com muitas mudanças pela frente. Os órgãos principais do feto já estão quase formados, mas ainda não funcionam totalmente. Pele, unha, pelos do corpo e cabelo também começam a aparecer, assim como o órgão sexual. Também estão em formação o esqueleto, a pálpebra e os músculos, fazendo com que o bebê se movimente muito, mesmo que a futura mamãe ainda não consiga sentir. “Com 12 semanas, o feto está com todas as principais estruturas, mede cerca de 54mm e pesa aproximadamente 14g. Seus órgãos e músculos também já estão funcionando: movimenta braços e pernas, os músculos faciais, e é capaz de engolir líquido amniótico”, ressalta Drª Patrícia Arie, ginecologista e obstetra da Clínica Vivitá.

 

Todo cuidado é pouco!

Você sabia que o cérebro do bebê é um dos primeiros órgãos a ser formado? Duas semanas após a concepção, o tubo neural começa a se desenvolver. Ele é o grande responsável por originar o cérebro e a medula espinhal do feto. Por isso, os hábitos de vida e a alimentação da mãe são fatores muito importantes durante essa etapa, pois evitam uma série de doenças neurológicas e cardiovasculares, além reduzir (e muito!) o risco de má formação congênita.

 

Ácido fólico

Também conhecida como vitamina B9, a substância é essencial para a saúde, especialmente da mulher durante o período da gestação. Além de fortalecer o sistema imunológico da mãe, o ácido fólico previne anemia, evita doenças cardiovasculares e reduz chance de câncer de cólon, de útero e de mama. Para o bebê, os benefícios são a diminuição do risco de malformações do sistema nervoso central e outros defeitos congênitos.

 

A suplementação do ácido fólico é muito importante, mas é preciso obter a propriedade também em sua forma natural através de alimentos saudáveis: espinafre, brócolis, repolho, escarola, lentilha, fígado de boi, grão-de-bico, vegetais com folhas verde-escuras, pão integral, batata e feijões de cor roxa.

 

 4º mês 

De uma maneira geral, entre a 15ª e 18ª semana é possível descobrir se está vindo um menino ou uma menina, embora a confirmação possa demorar mais tempo em alguns casos. Para os mais ansiosos, existem exames de sangue que conseguem precisar o sexo a partir da 10ª semana de gestação.

 

Por volta da 20ª semana, é realizado o ultrassom morfológico, que permite analisar a anatomia do feto com mais clareza de detalhes. Além disso, as conexões entre cérebro, músculos e nervos estão completas, e os olhos, ainda que fechados, já são sensíveis à luz.

 

 5º mês 

O sistema nervoso do bebê está completo. Agora, ele controla a transmissão dos impulsos elétricos cerebrais, que são essenciais para seu desenvolvimento intelectual. A pele também está em fase final e começa a formação de cílios, sobrancelhas e impressões digitais.

 

Outra curiosidade dessa fase é que os movimentos estão mais completos, apresentando sinais de reflexos como sucção, deglutição, proteção do rostinho com as mãos, resposta motora a estímulos sonoros e até chupar o dedo. “Os dentes de leite começam a se formar dentro da gengiva e serão de extrema importância para o desenvolvimento oral do bebê, que treina os reflexos de deglutição e sucção, por exemplo, com o líquido amniótico”, explica Drª. Genevieve.

 

 6º mês 

Ao final dessa etapa, terão se completado dois trimestres. Os movimentos do bebê ficam cada vez mais intensos e ele até ousa dar cambalhotas dentro da barriga da mamãe. Como a audição já está mais aguçada, que tal fazer uma seleção de músicas especiais e deixar o pequeno ou a pequena curtir um pouco? Assim como o bebê vai se acostumando com a voz dos pais, ele também terá lembranças de outros tipos de som.

 

A função pulmonar também começa a se fortalecer, graças à formação dos alvéolos e à maturação das células especializadas. “O feto já tem aparência de bebê, uma vez que o tecido subcutâneo começa a se desenvolver, permitindo a ele acumular gordura e perder o aspecto esquelético. O sistema nervoso central já é desenvolvido ao ponto de o bebê responder a quase todos os reflexos e estímulos externos que um recém-nascido apresenta”, afirma Drº Rodrigo Hurtado, ginecologista e obstetra de Belo Horizonte (MG).

 

 7º mês 

O principal marco dessa fase da gestação é a viabilidade fetal, ou seja, caso haja necessidade de interrupção da gravidez ou se inicie espontaneamente um trabalho de parto prematuro, o bebê é capaz de sobreviver fora da barriga da mãe, mas com muitos cuidados médicos.

 

Nesse trimestre, os órgãos vitais estão em processo de amadurecimento, bem como o sistema nervoso central. “O ganho de peso do bebê é significativo e o acompanhamento pré-natal se faz essencial, pois visa detectar restrições ou excesso de crescimento do feto, bem como alterações na placenta e no líquido amniótico”, pontua Drª Genevieve.

 

 8º mês 

Com as funções do corpo totalmente ativas, o bebê precisa apenas crescer e ganhar peso. O cérebro já apresenta função igual ao de um recém-nascido, incluindo a fase de sono e sonho, que já não depende do ritmo da mãe. “Nesse período, a camada de gordura para proteção do bebê torna-se armazenada sob a pele e os pulmões secretam uma substância muito importante para facilitar a respiração. Essa substância também estará envolvida no trabalho de parto”, explica Drº Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra, além de defensor do parto humanizado.

 

 9º mês 

Além do crescimento e do ganho de peso acentuados nessa etapa – cerca de 300g por semana—, não há mudanças significativas, além dos sentimentos de espera e ansiedade por parte dos pais, que só aumentam com o passar dos dias. “Nesse período, está praticamente tudo pronto para o nascimento. Existe um bebê com consciência, todos os órgãos formados, sistema imunológico adequado para protegê-lo no pós-parto e os pulmões prontos para a respiração“, lista Drº Alberto.

 

Ao longo do último trimestre, o acompanhamento pré-natal precisa ser feito com muito mais compromisso e responsabilidade, pois nessa fase é possível detectar parto prematuro e prevenir complicações para mãe e bebê. “Na fase inicial da gestação, o ponto preocupante é o risco de aborto que acontece no primeiro trimestre (até a 12ª semana). Já o risco de prematuridade, que é o bebê nascer antes do tempo, ocorre principalmente antes de 32 semanas. Fatores como pressão alta e diabetes, geralmente no final do terceiro trimestre, são as principais causas do problema”, alerta o ginecologista Alberto Guimarães.  

 

Líquido amniótico

Entenda por que ele é tão para o bebê durante a gestação

 

O líquido amniótico se encontra dentro do saco amniótico e é responsável por envolver o feto durante todo o seu desenvolvimento. Entre suas principais funções, podemos destacar:

 

  • Manter temperatura constante no útero

  • Amortecer traumas e movimentos bruscos

  • Proteger o bebê contra infecções

  • Auxiliar na formação do sistema digestivo e respiratório

  • Impedir que o cordão umbilical seja torcido, prejudicando o fluxo de oxigênio

 

A quantidade desse líquido aumenta ao longo da gravidez, chegando ao seu ápice entre a 34ª e 36ª semana. Nessa fase, a mulher pode ter entre 800ml e 1 litro do líquido amniótico dentro do útero, que vai diminuindo até o momento do parto.

 

Para saber se a produção do líquido está dentro do esperado, é preciso que o médico faça ultrassom. Caso o nível esteja abaixo do normal, é possível que o crescimento dos pulmões seja prejudicado ou, ainda, que aumente a probabilidade de acontecer um parto prematuro. Por isso, a mamãe não deve faltar a nenhuma consulta e exame solicitados no pré-natal, pois só ele vai garantir sua própria saúde e a do seu bebê.

 

 

 

Nossas fontes

Drº  Rodrigo Hurtado, ginecologista e obstetra de Belo Horizonte (MG)

Drª Patrícia Arie, ginecologista e obstetra da Clínica Vivitá

Drº Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra, além de defensor do parto humanizado

Drª Genevieve Coelho, diretora da clínica IVI Salvador e especialista em reprodução humana

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