Como falar de SUPERAÇÃO com as crianças?

 

Será que você ensina seus filhos a enfrentar desafios e a conquistar seus sonhos?

 

Por Lucy De Miguel

 

Em plena época de “crise”, quando se abre o jornal e vê notícias desagradáveis, desemprego, inflação, insegurança... muitos pais devem ficar ainda mais preocupados com o futuro das crianças, já que o mundo está “cada vez mais perdido”. Aliás, pais queridos, como experiente e não tão velha jornalista, deixo aqui o meu conselho para que desliguem a TV, economizem o dinheiro com as notícias desagradáveis e dediquem mais tempo às crianças plantando sonhos bons e motivando-as a superarem seus desafios.

 

É este o assunto desta entrevista exclusiva que fizemos com o autor e educador Marcos Ribeiro, da editora Moderna. Quando vimos este seu novo título: “Quem disse que eu não vou conseguir”, que mostra às crianças histórias reais de superação, para que elas se motivem e vejam que todo mundo pode conquistar seus sonhos, imediatamente pensamos em vocês, leitores, em inspirá-los a uma reflexão.

 

Como mãe, eu sei que não dá pra sentar com o filho e dizer: “agora vamos falar sobre superação”. Esse é um exercício diário, que a gente tem que plantar boas sementinhas diante de cada necessidade, de cada desafio que a criança enfrenta, seja naquela nota baixa na escola, na dificuldade em aprender a coreografia do balé ou mesmo em montar o quebra-cabeça de SESSENTA peças! No meu caso, eu digo sempre aos meus filhos: “a gente consegue tudo o que a gente quer!”. E você?

 

NA MOCHILA – O livro “Quem disse que eu não vou conseguir?” fala de um assunto pouco abordado com as crianças: a questão da superação de dificuldades. O que te levou a abordar essa questão e por quê?

Marcos Ribeiro – Eu acredito que este livro mexe muito com a gente e faz pensar sobre o que estamos fazendo dos nossos sonhos e planos de vida. Foi escrito para o público infantil porque, se desde cedo tratarmos estes assuntos dentro de casa ou na escola, certamente as crianças – os jovens e adultos de amanhã – vão saber lidar melhor e superar as dificuldades da vida quando elas aparecerem.

 

O tema desse livro diz respeito a todos nós em algum momento da vida e incentiva a esperança – de esperançar, sonhar, almejar, buscar o que quer realizar e agir. Diferente de esperar, que significa ficar parado, sem tomar iniciativa, esperando acontecer. 

 

Não falo das coisas mais complexas, mas as simples, como uma nota ruim na prova. Se a criança perceber que estudando consegue superar esta “nota vermelha”, pode entender que assim pode ser com outras coisas que se apresentam no caminho. É um bom ensinamento para a vida, perceber que a fada madrinha não bate à porta. Mesmo que você queira, ela não vai aparecer. 

 

Qual é a importância de debater esse tema com as crianças? Você vem observando algum comportamento em especial nas crianças que justifique intensificar a discussão desse tema?

Marcos Ribeiro – Intensificar não, mas que possa fazer parte do dia a dia naturalmente. A educação é um pilar muito importante na formação das crianças e proporcionar esta discussão dentro de casa sempre que houver necessidade, com os exemplos cotidianos, vai ser muito importante para os pequenos. Como a  nota ruim na prova, como já falei nesta nossa conversa;  na perda do emprego de um dos pais, quando a situação pode ficar mais difícil; Ou, quando uma doença mexe muito na dinâmica da família. Em todas estas situações para dar  a “volta por cima” e superá-las, vai precisar da força e união de todos, o que pode ser muito positivo. É o ditado popular: de um limão, fazer uma limonada.

 

Assim, a criança não pode desconhecer a realidade de dentro de casa. Não falo de contar tudo e transformá-la num adulto em miniatura. Jamais!

 

Vejamos um exemplo. O pai está desempregado e sem dinheiro e o filho “quer porque quer um brinquedo”. Errado entrar em financiamento ou dividir em 10 vezes no cartão para satisfazer o desejo do filho. É preciso ter limite e, como falei, não desconhecer a realidade que o cerca. Assim, um dos dois pode dizer: “O papai (ou a mamãe) está sem dinheiro e no momento não pode comprar seu brinquedo. Mas assim que as coisas melhorarem, vamos juntos na loja comprar. E ainda comer aquele lanche gostoso!”. Pode justificar que tem outras prioridades como comida, colégio... mas assim que a situação melhorar, cumpra o que falou para o filho. Assim se constrói a confiança. Ou apenas que não pode comprar porque não tem dinheiro e precisa sobrar para outras coisas.

 

Quais conselhos você daria para as mães e pais auxiliarem seus filhos na superação das adversidades?

Conversar e a cada situação, estar ao lado dando força e superando junto. Ajudar o filho a construir os sonhos e não desistir nunca. Como um mantra, “querer é poder!”.

  

Você acredita que essa capacidade de lidar com superações na infância reflete/auxilia na vida adulta?

Com certeza, como um “exercício” para a construção da força interna que vai lidar com as adversidades  da vida adulta. É preciso ter leveza e não transformar os obstáculos em pesos difíceis de carregar. Porque senão, quando conseguir superar, pode ser tudo tão amargo que nem usufrui do prazer da conquista. Nada melhor do que a alma leve e um sorriso no rosto.

 

No livro você retrata histórias muito bacanas de superação com "personagens da vida real" de vários cantos do Brasil com as mais diferentes adversidades. De onde veio a ideia de ilustrá-los no seu livro? Como você os encontrou?

A ideia veio na hora da construção do livro, sem ter programado. Quando a inspiração vem.... Num trabalho anterior – Somos iguais mesmo sendo diferentes! (Editora Moderna) – eu dividi o conteúdo com trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Achei que fazendo o mesmo e com casos reais, talvez aproximasse mais o livro dos leitores, auxiliando  pais e professores nessa conversa. A partir da ideia, perguntei a amigos e postei na minha Rede Social o que estava querendo para o meu novo trabalho. Vieram muitas histórias e as escolhidas, dentro da proposta do que eu queria, estão no livro.

 

Você tem conhecimento de alguma grande história de superação aqui na região de Sorocaba, interior de SP?

Não. Mas aí pode ficar a ideia: depois desta matéria, os leitores podiam escrever para a revista e, quem sabe, uma segunda pauta com as histórias locais? Os exemplos vitoriosos nos ajudam muito a superar as dificuldades e pensar: se ele/a conseguiu, então eu também posso! Vou ficar esperando estas histórias. Vai ser muito bom conhecer um pouco das conquistas da população de Sorocaba e da região.

 

O prefácio foi escrito pelo grande Maestro João Carlos Martins. Como se deu esse prefácio? O convite partiu de você?

Talvez o maestro tenha sido a minha maior inspiração. Sou apaixonado por esta história de superação e, quando o desânimo batia a porta – e olha que de vez em quando não tem jeito – eu lembrava da sua trajetória. E não falo de nada complexo, não. Coisas do dia a dia. A vida do maestro é uma lição para todos nós.

 

Escrevo para uma grande revista de circulação nacional e, através deles, consegui contato com o maestro João Carlos Martins e enviei o texto. O resultado é este lindo prefácio que você pode ler no livro.

 

Conte-nos um pouco sobre a sua infância. Você tem alguma história de superação neste período tão marcante da vida?

Minha infância foi tranquila. Talvez o maior exemplo de superação de dentro da minha casa veio do meu pai, como relato no livro e ilustra a ideia de superação através do trabalho.

 

Ele perdeu pai e mãe com quatro anos e nunca foi muito bem tratado pelos tios. Criança, às quatro da manhã, ia para o pasto pegar os cavalos para o tio trabalhar.  Ainda nessa época frequentava à igreja descalço porque não tinha nem um chinelo. Carregava latões de leite e, aos doze anos de idade, foi de Minas Gerais  para o Rio de Janeiro, onde trabalhou numa obra e morou sozinho numa comunidade (favela). Fazia a própria comida. Isso aos quatorze anos.

 

Entrou para a vida militar onde fez carreira, construiu sua família, comprou seu imóvel, criou e formou dois filhos e sempre foi uma pessoa do bem. Ele ainda está entre nós. Preciso pedir mais alguma coisa a Deus? Só agradecer...

 

Conte-nos uma grande história de inspiração sua!

Ao conversar com cada uma destas pessoas que relato as histórias no livro, mais do que fontes de inspiração, elas me emocionavam muito. Porque mesmo a vida ficando do “avesso” em diversos momentos, elas seguiram em frente, não desistiram. E assim acontece com milhares de pessoas, por esse país tão rico como o nosso.

 

Tantas vezes reclamamos tanto, de coisas tão fúteis, aí vem por exemplo a Nina (de Recife, Pernambuco), que mesmo com a doença conhecida como “ossos de vidro”, de tão frágeis que eles são, hoje é campeã brasileira de dança em cadeira de rodas. Esta guerreira teve a primeira fratura, no pezinho, quando a mãe foi colocar seu sapatinho; ou, a segunda na costela, quando espirrou.

 

Aí pergunto a você leitor: dá para achar que é o fim do mundo diante de algumas das nossas reclamações quando ficamos sabendo dessas histórias? 

 

 Quem disse que eu não vou conseguir?

Autor: Marcos Ribeiro

Edição: 1ª Edição

Ilustração: Isabel de Paiva

Faixa etária: A partir de 8 anos

Número de páginas: 48

Preço sugerido: R$ 42,00

 

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