As defesas do bebê

 

Entenda por que a formação do sistema imunológico durante o nascimento pode determinar uma vida mais saudável

 

Durante o período intrauterino, sabe-se que a flora intestinal do bebê é praticamente estéril, ou melhor, ele não apresenta contato com micro-organismos dentro da placenta. A formação do microbioma (flora intestinal) acontece, principalmente, no momento do parto, e o que é mais importante: a forma como o bebê vem ao mundo influencia diretamente no desenvolvimento de seu sistema imunológico. Crianças nascidas de parto vaginal são inoculadas por bactérias da mãe, principalmente por Lactobacillus, que são consideradas bactérias “amigas”. Já os nascidos por cesariana têm o sistema imunológico colonizado por bactérias hospitalares, como os Staphylococcus, que são extremamente prejudiciais. Este momento da “colonização” será primordial para o resto da vida.

 

Vale ressaltar que esses micróbios exercem um papel fundamental em nosso organismo, cuidando da nossa saúde, já que atuam na proteção de várias doenças, principalmente as inflamatórias, e na metabolização de nutrientes.

 

Estudos comprovam as consequências do procedimento cirúrgico na formação do sistema imunológico do recém-nascido. Quando o sistema é formado por parto cesárea, aumentam as chances de a criança desenvolver doenças de origem inflamatórias como asma, problemas intestinais, diabetes tipo 1, alergias, alguns tipos de cânceres e até mesmo aumenta o risco de sobrepeso e obesidade.

 

 

As bactérias vaginais da mãe que entram em contato com o corpo do bebê durante o parto natural são saudáveis. Isso não acontece durante a cesariana, já que a colonização do sistema imunológico é feita por bactérias do ambiente hospitalar, que podem ser prejudiciais para o resto da vida.

 

 

Defesa armada

Para entender a importância de colonizar o organismo do bebê com bactérias do bem, é necessário explicar a função do sistema imunológico e por que ele precisa ser fortalecido.

 

O corpo humano reage constantemente contra agentes invasores, e essa ação começa cedo, logo nos primeiros instantes de vida. Vírus, bactérias, parasitas e outros seres são diariamente combatidos pelo sistema imunológico (imunidade) por meio de milhões de células com diferentes funções. São essas células as responsáveis por garantir que o organismo crie defesas contra diversas doenças, desde as mais simples como gripes e resfriados até problemas mais sérios como câncer e doenças autoimunes.

 

De acordo com Simone Diniz, livre-docente do Departamento de Saúde Materno-Infantil na Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP), a imunidade da criança é formada devido a vários fatores. Começa já na gestação, dependendo do uso de antibióticos na gravidez e será importante durante a primeira infância (primeiros seis anos). “Essa imunidade é formada de micro-organismos. Dependendo da exposição do bebê durante a gravidez e o parto, ele vai desenvolver características diferentes na sua imunidade”, destaca.

 

Segundo ela, a formação e a qualidade desse microbioma dependem, principalmente, da forma como o recém-nascido é trazido ao mundo. “O que vai interferir nesse microbioma, na constituição do conjunto de bactérias que ocuparão um terreno desocupado no organismo do bebê vai depender do tipo de parto, em primeiro lugar, depois será pelo contato com as bactérias da pele da mãe e as do leite materno”, explica a Dra. Simone.

 

Fluidos maternos

De acordo com a revista Nature Medicine, um grupo de pesquisadores da Universidade de Nova Iorque publicou um estudo para contornar este problema por meio de um procedimento ainda em experiência. Nos partos que necessitam de cirurgia, é inserida uma gaze esterilizada na vagina da mãe, uma hora antes da cesárea, para absorver os fluidos vaginais produzidos até a hora do nascimento.  Ao nascer, a gaze é esfregada na pele e na boca do recém-nascido, simulando o contato que ele teria tido se passasse pelo canal vaginal da mãe. Análises posteriores mostraram que a flora intestinal continha microorganismos semelhantes aos de bebês que nascem de parto normal, com grande presença de Lactobacillus, que têm importante papel na formação do sistema imunológico contra bactérias.

 

 

Quanto mais natural, melhor!

Um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, também comprova que os benefícios do parto normal vão muito além da cesariana: pesquisadores concluíram que, quando o bebê passa pelo canal vaginal da mãe e tem contato com bactérias que desenvolverão e fortalecerão o sistema imunológico, seu corpo consegue identificar quais são os micro-organismos bons – que devem permanecer no organismo – e os que precisam ser combatidos, aumentando os mecanismos de defesa. Vale ressaltar que essa etapa de construção do sistema imunológico acontece apenas uma vez e se estabelece para o resto da vida do indivíduo.

 

Amamentação

Segundo a Dra. Simone, o leite materno também possui bactérias “amigas”, que contribuem para o desenvolvimento de um sistema imunológico saudável. Daí a recomendação de manter uma amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses do bebê. “O leite materno também possui uma série de nutrientes que vão ajudar no desenvolvimento do microbioma com bactérias boas”, explica. “Além disso, o tipo de alimentação que o bebê ingere no primeiro ano de vida, como é feito o desmame, por quanto tempo ele recebe o leite materno e o tipo de alimento introduzido, tudo isso interfere nessa formatação imunológica do bebê”.  

 

Menos medo e mais amor!

Para garantir mais saúde ao bebê e fortalecer seu sistema imunológico, é preciso, antes de tudo, desmistificar o parto normal. Muitas mulheres ainda relutam em deixar o filho vir ao mundo de forma natural, pois algumas têm medo de não aguentar a dor, outras de haver complicações médicas.

 

Outro motivo pelo qual algumas mamães acabam recorrendo à cesárea é o medo de acontecer qualquer complicação na hora do parto. Escolher um obstetra de confiança e seguir à risca todo o acompanhamento pré-natal são as primeiras medidas para o bebê nascer com segurança. O médico estará ao lado da paciente em todo o trabalho de parto, juntamente com sua equipe. Por isso, não é preciso se preocupar com possíveis imprevistos.

 

 

Texto: Jaqueline Lopes e Lucy De Miguel

Nossas Fontes: Simone Diniz, livre-docente do Departamento de Saúde Materno-Infantil na Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP)

 

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