Doença celíaca é coisa séria!

 

A intolerância permanente ao glúten também pode trazer sérios prejuízos à saúde. Entenda mais sobre o problema e veja como lidar com a alimentação dos pequenos dentro e fora de casa


 

Pães, bolos, salgadinhos de festa, macarronada na casa da vovó... Que criança consegue resistir a essas e outras tentações? Quem possui doença celíaca não pode comer qualquer coisa sem antes saber quais os ingredientes que estão contidos no prato, especialmente, quando as refeições são feitas fora de casa. Mas como lidar com as crianças que têm o problema e que são expostas às ofertas que existem por aí? Nossa equipe conversou com especialistas para esclarecer as principais dúvidas sobre intolerância ao glúten e ajudar os pais a garantir uma alimentação segura aos seus filhos!

 

Entenda o que é o glúten

Trata-se de uma proteína encontrada em alimentos como trigo, aveia, centeio, cevada e malte (subproduto da cevada, utilizado na fabricação de cerveja e outros fermentados). Além de estar presente em cereais, podemos encontrar essa substância em bebidas industrializadas, cosméticos, medicamentos e produtos não ingeríveis, como massinha de modelar, pedida nas escolas.

“O organismo do celíaco reconhece o glúten como um elemento invasor, acionando o sistema imunológico, fazendo com que os anticorpos destruam a proteína e danificando também a mucosa que reveste o intestino delgado, que causa a atrofia das vilosidades”, explica Inês Camila Alves, nutricionista da Dr. Schär Brasil. O principal problema desse atrofiamento está relacionado à baixa absorção dos nutrientes dos alimentos, causando danos à saúde.

 

Doença celíaca

É uma inflamação crônica da mucosa do intestino delgado decorrente da intolerância permanente ao glúten, podendo gerar atrofia das vilosidades do intestino e comprometendo a absorção adequada dos nutrientes provenientes da alimentação.

 

A doença celíaca tem predisposição genética, ou seja, o portador já nasce com a intolerância, mas não se sabe exatamente quando ela irá se manifestar. Geralmente, o problema apresenta os primeiros sinais na infância, entre 1 e 3 anos de idade, e os sintomas mais comuns são:

 

* Distensão e dor abdominal

* Diarreia crônica (que persiste por mais de 30 dias)

* Peso estagnado ou perda de peso

* Prisão de ventre

* Anemia

* Ausência de apetite

* Fezes pálidas e com mau cheiro muito forte

* Atraso no crescimento

* Alterações de humor

 

Como detectar a doença

O diagnóstico é obtido através de exames de sangue que acusam a presença do anticorpo antitransglutaminase tecidular (AAT) e do anticorpo antiendompisio (AAE).

 

Além disso, o médico solicita uma endoscopia ou colonoscopia, seguida de biópsia do intestino delgado. “O diagnóstico é feito de acordo com critérios revisados da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN) de 1990, no qual a biópsia intestinal ainda é considerada fundamental para confirmar o diagnóstico da doença”, esclarece Gemma Castillejo, gastronterologista-pediatra no Hospital Universitário de São João em Reus, na Espanha, e membro do Instituto Dr. Schär.

 

A doença celíaca pode se apresentar de diferentes formas em cada organismo. Algumas, inclusive, não apresentam sintomas, dificultando o diagnóstico. Veja quais são:

 

Forma clássica

É caracterizada por sintomas gastrointestinais com início entre 6 e 24 anos de idade, após a introdução de glúten na dieta. Nas crianças, o crescimento tende a ser comprometido, seguido de perda de peso, diarreia crônica ou recorrente, vômitos, distensão abdominal, fraqueza muscular e irritabilidade. Em casos mais graves, ocorrem manifestações de diarreia explosiva, distensão abdominal severa, desidratação, pressão arterial baixa e desânimo. “Com um quadro clínico tão tradicional, esses pacientes são facilmente reconhecidos e, por isso, leva-se pouco tempo entre o início dos sintomas até o encaminhamento a um gastroenterologista”, explica Gemma. A forma clássica da doença celíaca ainda é a mais frequente no Brasil.

 

Formas atípicas

São observadas em crianças acima de 2 anos com manifestações clínicas que podem estar relacionadas entre si ou correr isoladamente. Neste último caso, a doença celíaca revela distúrbios na digestão, incluindo náuseas, vômitos, flatulência, inchaço, constipação e diarreia crônica, além de distensão e dor abdominal. Mais frequentemente, os sintomas não são relacionados ao trato gastrointestinal, mas aos sistemas endocrinológicos (pouco crescimento, puberdade atrasada e ausência da menstruação), hematológicos (anemia), hepatológicos (níveis altos persistentes de transaminase), dermatológicos (dermatite e outras irritações na pele), esqueléticos (deficiência óssea, osteoporose, artrite ou dores nas juntas) ou bucais (estomatite aftosa recorrente e distúrbios no esmalte dentário).

 

Forma silenciosa

Os exames laboratoriais e a biópsia intestinal são compatíveis com o diagnóstico da doença celíaca, mas a criança encontra-se assintomática. Muitas delas pertencem a grupos de risco e sofrem de outras doenças autoimunes, tais como diabetes tipo 1, tireoidite, hepatite e psoríase, além de disfunções genéticas como síndrome de Down.

 

Forma latente

O termo latente refere-se aos indivíduos assintomáticos e com biópsia intestinal normal consumindo glúten, mas que em um momento específico apresentaram características da doença celíaca. “Isso acontece com crianças celíacas que, apesar do estímulo provocado pelo glúten, não sofrem recaídas e, por isso, são dispensadas do tratamento como tendo sido curadas. Mas, ao chegarem à fase adulta, voltam a sofrer com a doença”, alerta Gemma.

 

Forma potencial

Nesse caso, a criança apresenta exames de sangue positivos, mas as biópsias intestinais são normais ou com alterações mínimas. “Essas crianças apresentam um risco elevado de desenvolver um dano típico da doença celíaca com o decorrer do tempo e, consequentemente, devem fazer um acompanhamento regular, mesmo se for decidido que elas não precisam seguir nenhuma dieta específica”, recomenda a gastronterologista.

 

O tratamento começa em casa!

A doença celíaca não tem cura, por isso é necessário seguir uma alimentação isenta de glúten pelo resto da vida, com refeições que consigam repor nutrientes que podem estar com os níveis baixos. Abaixo, confira uma tabela com os principais alimentos permitidos e o que é proibido quando o assunto é doença celíaca:

A contaminação cruzada

É a presença involuntária do glúten em um alimento sem a proteína. Ocorre principalmente nas seguintes situações:

 

- Área de manipulação de alimentos (cozinha)
 

- Durante o processo de plantio, colheita, armazenamento e transporte do produto
 

- Compartilhamento de utensílios e equipamentos usados para preparar alimentos, como talheres, panelas, torradeiras e forno

 

 

E como lidar com as tentações das crianças?

Em primeiro lugar, é preciso deixar seu filho ciente do perigo que sua saúde pode correr ao consumir qualquer alimento que contenha glúten. Quando a criança é muito nova, ela não sabe distinguir o que proibido ou liberado, por isso é muito importante a atenção de todos da família, pois a oferta de guloseimas que prejudicam o celíaco é muito grande.

 

Em festas de aniversário, por exemplo, é bom que os pais acompanhem o filho que possui o problema, mas quando não for possível, eles precisam recomendar os cuidados a um adulto responsável que estará presente. “Existem diversas formas para que o seu filho não deixe de participar das festinhas. Ofereça uma refeição antes de ele sair de casa, pois, assim, ele não chegará com fome. Preparar uma lancheira com algumas comidinhas similares às festinhas, porém, sem glúten, é outra excelente opção”, sugere a nutricionista Inês.

 O papel da escola

O ambiente escolar, provavelmente, é o segundo lugar onde a criança passa a maior parte de seu tempo. Por isso, é essencial que os responsáveis pelo ensino dos pequenos conversem com os pais, solicitem informações e explicações do que é a condição celíaca e de como a criança poderá ser afetada, peçam exemplos de alimentos permitidos e proibidos e ofereçam cuidados especiais durante as aulas.

 

É importante lembrar que o glúten pode estar presente em vários materiais escolares, como massinhas de modelar (muitas vezes feitas com farinha de trigo), alguns tipos de giz de lousa, balões de látex e até cola líquida. A família tem que estar junto com a escola, providenciando materiais seguros para a criança. Dessa forma, todos estarão preparados para receber a criança que está nesta condição, podendo atuar melhor na integração com os demais colegas.

 

Outro ponto de atenção são os lanches. É preciso que os pais expliquem à criança por que ela não pode comer o que os amiguinhos levam na lancheira. “A família deve pedir aos professores para que auxiliem e evitem o compartilhamento de alimentos não seguros. Uma boa maneira de aproximar as crianças é permitir que o portador da doença celíaca leve lanches sem glúten para compartilhar com os amigos de vez em quando.

 

Há várias opções disponíveis atualmente no mercado”, ressalta a nutricionista. Ainda segundo a profissional, o mesmo vale para festinha de amigos na escola: os pais devem pedir para que sejam avisados com antecedência sobre os eventos e, então, fornecer salgadinhos, docinhos e pedaços de bolo isentos de glúten para consumo. “A comida não pode ser motivo para isolar a criança”, finaliza.

 

 

 Receita de massinha de modelar sem glúten 

Você vai precisar de:

1 xícara (chá) de bicarbonato
1/2 xícara (chá) de amido de milho
2/3 xícara (chá) de água morna
Corante vegetal, tinta guache ou suco em pó

 

Modo de fazer

Misture o bicarbonato e o amido de milho em uma panela. Acrescente a água e misture novamente. Ferver até obter a consistência de um purê. Depois, deixe esfriar, amasse e acrescente o corante escolhido.

Fonte: Rio sem glúten

 

 

Texto: Jaqueline Lopes

Nossas fontes: Inês Camila Alves, nutricionista da Dr. Schär Brasil, Gemma Castillejo, gastronterologista-pediatra no Hospital Universitário de São João em Reus, na Espanha, e membro do Instituto Dr. Schär

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