Histórias de superação na maternidade

 

 

Conheça a história de quatro mulheres que conseguiram superar os momentos difíceis da maternidade e, hoje, têm muito a compartilhar

 

Toda mãe precisa superar desafios diariamente – afinal, é uma tarefa e tanto cuidar de um ser humano que fará a diferença nesse mundo, certo? Mas além desse aprendizado diário, tem mãe que ainda passa por situações complicadas como o parto prematuro ou problemas de saúde do bebê. Daí, as experiências acabam sendo ainda mais intensas! Para tentar mostrar um pouco dessa força que as mulheres têm, a NA MOCHILA ouviu a história especial de quatro mamães cheias de amor para dar e que podem transmitir muita força para quem está passando pela mesma situação.

 

 Do susto do diagnóstico às alegrias da rotina 

A veterinária Luciana Bianchi Serra, 40, é mãe da Pietra, de 7 anos. Até os seis meses de idade, ela era uma criança que não apresentava problemas. “Daí em diante, começou a ter convulsões, e tem até hoje. Tive muita dificuldade, primeiro com a aceitação”, conta a mãe. A Pietra foi diagnosticada com a Síndrome de Angelman, um distúrbio neurológico que causa alterações no comportamento e algumas características físicas distintivas. Alguns dos sintomas são o retardo no desenvolvimento neuromotor, ausência da fala e ocorrência de crises convulsivas.

 

Por causa dessas características, a família desenvolveu outros meios para se comunicar. “A gente percebe tudo pelo olhar. Foi um aprendizado no dia a dia, ela tinha um olhar diferente quando estava feliz, na hora das refeições, na hora de mamar antes de dormir. É tudo pelo olhar e pelo som”.

 

No início das crises convulsivas, Luciana conta que sequer conseguia dormir direito – era preciso estar 24 horas atenta à saúde da filha. Mas hoje, além das terapias, Pietra também frequenta a Apae, onde obteve um desenvolvimento fantástico. Cada conquista da filha é comemorada com alegria.

 

Apesar de a rotina diária exigir cuidados especiais, Luciana nunca deixou de seguir em frente com a própria vida – depois de cursar duas faculdades (de zootecnia e medicina veterinária), se especializou em acupuntura e fisioterapia. De todas as dificuldades que ela teve, hoje fica o aprendizado: “Vim com essa missão, tenho que passar por isso. Hoje eu vejo tudo com mais força, mais sabedoria. Nada me abala”.

 

 Progresso diário é o que anima 

Por causa de uma insuficiência placentária que a Cibele Baptista teve ao final da gestação, o filho João Pedro nasceu com baixo peso. Situação comum, com parto tranquilo, mas que mudou dois dias depois do nascimento. “Ele foi internado na UTI neonatal para tratar da icterícia e, infelizmente, no dia seguinte já apresentava dificuldade respiratória com uma piora progressiva, até os médicos diagnosticarem o quilotórax”, conta Cibele. O quilotórax é uma doença que causa acúmulo de linfa nos pulmões. “Foi muito difícil ver meu filho durante 38 dias com drenos torácicos e apenas com nutrição parenteral. Nesse período, fez ainda cirurgia de urgência para ligadura do canal arterial, necessitando de três transfusões”, lembra.

 

Durante o período de internação na UTI, Cibele diz que a sensação de desespero é indescritível. “Quando ele pôde receber a dieta formulada, o fígado e intestino já estavam comprometidos pela ausência de alimentação”, diz. Além da dificuldade para ganhar peso, o pequeno também desenvolveu uma alergia alimentar a leite, mais um empecilho para uma alimentação tranquila.

 

O alívio chegou quando o bebê completou dois meses e recebeu alta dos médicos. “Mas sabia que ele ainda tinha outra batalha para vencer. Dois dias antes de sair da UTI, o João fez um exame para avaliar uma pequena elevação que possuía no crânio e o diagnóstico de que ele tinha uma máformação congênita, encefalocele, não diagnosticada durante a gestação”. Para corrigir a elevação, João Pedro passou por uma cirurgia, mas apresentou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e precisava de atenção constante. Cibele, que morava e trabalhava em Niterói (RJ), decidiu abandonar o emprego e se mudou para perto da família, em Sorocaba (SP).

 

“Foi aí que consegui me dedicar exclusivamente a ele e a buscar várias terapias para estimular seu desenvolvimento. Valeu todo o esforço!”. Hoje, João Pedro, com dois anos, continua frequentando as terapias e está matriculado em um colégio, medidas que tornam evidente o seu progresso no dia a dia. “Sei que ainda temos muitos desafios para enfrentar, mas todo dia, quando olho para o João, sinto uma gratidão e um amor enorme por ser mãe desse guerreiro”.

 

 Preocupações, culpa, cansaço e, depois, só amor 

A gravidez foi planejada e a intenção era ter um parto domiciliar. Mas tudo começou a sair dos planos na 27ª semana de gravidez da Sheyla Cardoso, mãe do Rafael, hoje com 9 meses. Foi em uma consulta de rotina, para se assegurar de que ia ficar tudo bem enquanto o marido viajaria por alguns dias, que a Sheyla descobriu que o Rafael estava com bradicardia, quando o ritmo cardíaco cai significativamente.

 

“Tentaram reverter e chamaram especialistas em alto risco. Recebi medicação, monitoramento e fiz vários exames. As suspeitas eram de cardiopatia e os médicos deixaram claro que naquele hospital não havia estrutura para uma cirurgia, mas que não dava mais para esperar porque o bebê estava sofrendo, então ele teria mais chances fora do que dentro da barriga”, conta Sheyla.

 

Apesar de não concordar com uma cesariana, especialmente com menos de sete meses de gestação, após a conversa franca com uma médica neonatologista ela percebeu que não havia outra saída. “Eles nos prepararam para o pior, fomos à sala de parto como se estivéssemos indo ao necrotério. Fiz a cesariana e nasceu o meu pitoco, com 1,190kg e 38cm. Ouvi seu chorinho e ele saiu direto para a UTI, onde teve uma parada cardiorrespiratória”.

 

Rafael passou 77 dias internado. Três dias após o nascimento, Sheyla teve alta e também uma mistura de sentimentos: felicidade por poder ver os outros dois filhos (de três e seis anos) e tristeza por ter de deixar o bebê no hospital. “Vim para casa chorando o caminho todo. Moro em Engenheiro Coelho e o hospital é em Limeira (SP). Então, eu saía todo dia de manhã e voltava à noite. Passava o dia todo sentada ao lado da incubadora”. Além de tantos dias de rotina cansativa, Sheyla também passou pela culpa por ficar longe dos outros filhos, mas contou com a ajuda da família.

 

No dia de voltar para a casa, foi só emoção: “Fizemos uma surpresa e em casa foi um chororô danado, muita emoção. Mas ainda estava insegura, com medo de não saber cuidar, não saber os sinais de quando ele estivesse precisando de ajuda”. A falta de experiência com um bebê prematuro e frágil não foi empecilho para que Sheyla cuidasse muito bem do Rafael. Apesar do carinho, houve regressão no quadro e, mais uma vez, o bebê precisou voltar ao hospital, por causa de uma bronquiolite e pneumonia. “Quando reinternou, foi tudo mais difícil, pois nem eu nem meu marido voltávamos para casa. Ficávamos 24 horas no hospital.

 

Hoje, Rafael precisa de acompanhamento de vários profissionais e tem um atraso motor esperado para bebês prematuros. Mas, longe das preocupações, agora o momento é de alegria. “Todo laço familiar foi estreitado. Sou eternamente grata por todos”.

 

 Da aceitação ao compartilhamento de experiências 

A pedagoga Érica Maldonado, 37, já tinha percebido alguns sintomas incomuns, mas não imaginava o diagnóstico do filho Enzo, hoje com 8 anos. “Ele tinha um ano e dois meses e repentinamente começou a cair no chão, rastejar, parar de falar algumas palavras que já sabia. Um tempo depois, girava sem parar em torno de si mesmo, subia na televisão e assistia de ponta-cabeça”. Professora de música, Érica levou o filho numa consulta com uma psiquiatra que era mãe de um aluno.

 

Logo na primeira consulta veio o diagnóstico de que Enzo apresentava sintomas do espectro autista. “Eu esperava que ela dissesse: que bobagem, o Enzo não tem nada!”

 

Por já ter dado aula para autistas, Érica conhecia os casos mais evidentes, mas só foi acreditar que o filho também era autista depois de pesquisar na internet sobre os sintomas. “Naquele momento, comecei a chorar desesperadamente, sozinha, como se todos os sonhos que eu ainda não havia sonhado para o meu filho fossem destruídos. Então, comecei a ler artigos científicos e, fazendo buscas pelos sites, fui entendendo meu filho, lendo como as famílias de autistas se comportavam, como eram seus medos. Entendi que o espectro autista dele era para sempre”.

 

Todos os dias, Enzo aprende uma coisa nova e o progresso é contínuo. Contudo, os dias difíceis também existem, principalmente quando ele tem surtos de raiva. “Avança em mim, na cuidadora ou em minha mãe. Nesses cinco minutos de fúria, nós ficamos tristes e eu sinto vergonha quando ele bate em alguém que me ajuda tanto. É a última coisa que eu quero que ele faça. Mas passam alguns minutos e ele volta ao normal. A terapeuta está fazendo um trabalho incrível conosco para sanarmos esse problema; são os desafios da época”.

 

São esses surtos também que despertam o preconceito em algumas pessoas. “Elas ficam me olhando e nunca sabem o que fazer. Na verdade, eu gostaria que elas me dissessem ‘eu entendo, sei que ele é autista’. Isso me deixaria mais confortável, porque parece que tenho um filho mal educado”.

 

Mas a vida de mãe também é cheia de alegrias. Érica conta desde as felicidades mais simples, como ter alguém acordando logo de manhã pedindo para passear, até os sorrisos mais sinceros na hora de recebê-la depois de um dia cansativo de trabalho. “Posso chegar a qualquer hora, do dia ou da noite que, quando ele me vê, começa a pular como um coelhinho, sorridente e me abraça. O rosto feliz é incomparável a qualquer sorriso que você já tenha visto na vida”.

 

Para todas as mães, em especial as de crianças autistas ou com outras deficiências, a professora deixa o recado: “Ninguém sabe a sua dor nem as suas dificuldades. Por mais que as pessoas ajudem, elas realmente não têm dentro delas um turbilhão de culpa por não conseguir os melhores resultados. Então, meu conselho é que você dedique o seu tempo aos seus filhos e não às deficiências deles, que você sorria para eles! Que você nunca questione a Deus por que tem um filho diferente da maioria.

 

Lembre-se que ele nasceu assim e poderia ser filho da sua vizinha ou morar num outro país, mas ele, em sua essência, nasceu de você! E é porque você tem uma missão de conduzi-lo para sempre. Mas desejo que você insista, insista, todos os dias, em ser mulher! Que você não abdique a sua vida em função da outra vida em que lhe foi confiada. Que as vidas que existem na sua casa tenham o mesmo valor! Que você cuide dos seus outros filhos com a mesma garra porque são todos especiais! Que você não deixe de caminhar, carregue eles nas costas, mas não pare! Que você não desista de ser você!”

Please reload

Please reload

+ NOTÍCIAS

Criança que passa pouco tempo ao ar livre tem mais chance de desenvolver miopia

1/10
Please reload

Siga
  • Grey Facebook Icon
  • Grey YouTube Icon
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Pinterest Icon
RSS Feed

Fale conosco

Whats: 15 99129-4846 | 11 3368-7702

Email: redacao@namochila.com

A revista das escolas particulares de Sorocaba e região
A revista das escolas particulares de Sorocaba e região

Certificado

SELO SOCIAL 2014 / 2015