Pequenos e independentes

 

 

Veja as dicas de especialistas para estimular a autonomia de seu filho desde cedo

 

Os olhos de Matheus, de pouco mais de dois anos, olham fixamente para o tabuleiro onde se encontram alguns peixes coloridos, que devem ser fisgados pela pequena vara que está em sua mão. Ao seu lado, está sentada sua mãe, a bancária Natalia Candido Serigatto Crês, que observa os movimentos ainda não muito coordenados do menino, enquanto o estimula a terminar a tarefa e, principalmente, vibra a cada conquista – ou pesca – do filho.

 

“Desde bebê, procurei estimular a autonomia do Matheus, pois acredito que isso é muito importante para o crescimento dele”, explica Natalia. Mãe de primeira viagem, a bancária dribla a vontade de proteger seu filho de tudo, para permitir que, pouco a pouco, ele possa desenvolver sua própria independência. “Tento me controlar para que ele possa se tornar uma pessoa segura de suas atitudes”, completa.

 

Batalhar pela autonomia do filho nem sempre é fácil para os pais. Contudo, é importante ter em mente que incentivar a independência da criança fará com que ela se torne um adulto mais confiante e com autoestima elevada. Para ajudar nessa tarefa, selecionamos 8 dicas de especialistas que vão nortear você nesse complexo processo.

 

1. Comece cedo

O estímulo deve ser iniciado logo nos primeiros meses de vida. Há um consenso entre os especialistas de que a partir dos 18 meses a criança já tem capacidade emocional para iniciar o processo de desenvolvimento de sua autonomia.

 

2. Estabeleça rotinas

Ter hora certa para comer, fazer tarefas e brincar ajuda a criança a sentir-se segura para executar os afazeres por conta própria. No decorrer do tempo, ela se apropria dessa rotina e passa a fazer aquilo sozinha.

 

3. Deixe a criança participar

Permita que seu filho seja responsável por pequenas tarefas em seu dia a dia – desde que compatíveis com sua idade. Estimule-o a vestir-se, tomar banho e comer sozinho, arrumar a própria cama, guardar os brinquedos etc.

 

4. Determine o nível de autonomia de seu filho

Quando é a criança é muito pequena e ainda não tem discernimento para tomar decisões sozinha, o ideal é que ela faça escolhas dentro de um cenário controlado pré-estabelecido pelos pais. “Por exemplo, deixe que ela decida se quer dormir com o ursinho ou com o leãozinho. Passada essa etapa, em que os pais direcionaram as escolhas, eles podem perguntar de forma mais abrangente: qual bichinho você quer dormir?”, exemplifica a terapeuta infantil Denise Dias.

 

5. Respeite os limites da criança

Os pais não devem atribuir responsabilidades aos filhos que não sejam compatíveis com a idade deles. Isso pode colocá-los em risco ou gerar uma frustração maior do que podem lidar.

 

6. Dê espaço para a criança brincar

Nada de encaixar as peças do quebra-cabeça recém-adquirido para dar uma forcinha ao seu filho. Deixe que ele olhe, analise e tente montá-lo por conta própria. Oriente quando necessário e vibre a cada conquista. “A criança deve ser sempre incentivada, mesmo que não consiga realizar algo, pois assim buscará sempre o seu melhor”, destaca a psicopedagoga Vanessa Guilhermon Rodrigues.

 

7. Ofereça modelos inspiradores

À noite, conte histórias cujos personagens demonstrem autonomia e segurança em suas ações. Crianças tendem a imitar modelos, por isso, sempre ofereça boas inspirações aos pequenos.

 

8. Destaque as consequências dos atos

Assim que a criança já começa a fazer suas primeiras escolhas, é importante que os pais ressaltem que cada decisão carrega consigo uma consequência. Isso fará com o que os pequenos adquiram, aos poucos, responsabilidade e maturidade.

 

 

Escolher x mandar

Uma preocupação comum dos pais em dar poder ao filho de tomar suas próprias decisões é acabar criando um pequeno “mandão” em casa. Contudo, Vanessa ressalta que essas são questões bem diferentes. “A criança que escolhe, não vai, necessariamente, mandar nos pais, pois o poder de decisão não é dela e sim de quem propõe a escolha”, pondera.

 

Além disso, quando há um direcionamento adequado, aos poucos a criança toma consciência do que ela tem ou não autorização para opinar. “É o caso do uso do cinto de segurança. Tem que usar e ponto”, complementa Denise.

 

Outro ponto importante que os pais devem ter em mente é que a frustração faz parte desse processo de crescimento. Ou seja, é bem possível que nas primeiras vezes que seu filho tentar executar uma nova tarefa ele sinta dificuldade ou mesmo não consiga realizá-la. “Essa frustração deve ocorrer, pois proporciona reflexão sobre o que deu errado e como é possível melhorar”, reforça Vanessa.

 

 

Imaginação e liberdade estimuladas

A designer de moda Lilian Rechenchosky Santa Cecília tem como um dos pilares da educação de sua filha o estímulo à autonomia. Mesmo com a pouca idade de Antonella, que ainda não completou três anos, Lilian já procura tratá-la como adulta. “Uso um diálogo mais didático e infantil, mas nunca subestimei a sua capacidade de entendimento”, destaca.

 

O incentivo à independência começa durante as brincadeiras. É comum as duas se divertirem juntas com jogos e bonecas. Contudo, quando a menina não solicita a presença da mãe, ela permite que a filha explore suas habilidades e imaginação sozinha. “Ao ser mais independente, ela cria suas próprias brincadeiras com mais confiança, desenvolvendo também sua criatividade e necessitando cada vez menos da minha presença”, explica.

 

 

Texto: Natália Ortega

Nossas fontes: Denise Dias, terapeuta infantil; Vanessa Guilhermon Rodrigues, psicopedagoga

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