Por que ter um Plano de Parto?


Saiba mais sobre este documento que garante à mulher o direito de escolher como quer viver todas as etapas do nascimento do bebê

Quando a família está esperando um bebê, a data de nascimento é sempre imprevisível. Apesar de não ter como calcular exatamente quando o pequeno estará pronto para vir ao mundo, é possível planejar como mãe, pai e filho pretendem passar todas as fases: desde o trabalho de parto até os cuidados pós-nascimento. Conheça mais sobre o Plano de Parto, uma ferramenta recomendada pela Organização Mundial da Saúde, mas que ainda é pouco conhecida e utilizada no Brasil. Não precisa ser nada muito elaborado, mas é importante para registrar tudo o que os pais esperam que aconteça nesse momento tão especial!

O que é?

O plano de parto é o planejamento que a gestante faz em relação ao nascimento do bebê. É uma lista de desejos que a mulher manifesta para a hora do parto. Nessa lista, a paciente tem direito de escolher desde o local do nascimento do seu filho, o tipo de parto e intervenções que autoriza (ou não), quem poderá estar presente no momento e até os primeiros cuidados com o recém-nascido. Ele pode ser apenas combinado de forma verbal com o obstetra ou ser feito através de um documento escrito. “O plano de parto é uma espécie de carta para a gestante registrar suas vontades na hora do nascimento do bebê e para evitar situações desagradáveis”, ressalta Ricardo Luba, ginecologista e obstetra.

Por que fazer um plano de parto?

É muito importante que a gestante tenha consciência de todas as etapas que envolvem o parto. Ela tem direito de saber tudo sobre os procedimentos, seus benefícios e prejuízos para, então, decidir o que deseja ou não fazer. O objetivo desse documento é deixar claro que a paciente tem escolhas e que o médico precisa estar ciente dessas intenções, preparando a mulher para um parto mais tranquilo e seguro.

Esse documento já é usado em outros países, principalmente nos Estados Unidos, onde começou a ser difundido há aproximadamente 30 anos. Aqui no Brasil, o plano de parto vem ganhando espaço e adeptos, uma vez que as famílias estão sentindo mais necessidade de lutar contra a violência obstétrica. “Classifico como violência obstétrica tudo aquilo que foge do respeito ao plano de parto da mulher, associado à falta de respeito em relação à segurança na hora do parto. Se o obstetra não atende às vontades da gestante ou se ele não segue os preceitos médicos que aprendeu, por exemplo, será considerado um caso de violência obstétrica”, explica Braulio Zorzella, obstetra.

Quando ele deve ser feito?

O plano de parto pode ser elaborado durante a gestação pela própria paciente, juntamente com a família e com o apoio do obstetra. Não existe uma regra de quando entregar esse documento ao médico, mas especialistas indicam que seja próximo ao sétimo mês de gravidez. “É interessante que essa discussão ocorra durante o pré-natal e não na hora do trabalho de parto. Dessa forma, a mulher poderá fazer suas escolhas sem se sentir ameaçada ou acometida pelas dores”, recomenda o obstetra Alberto Guimarães. “É importante também que, na hora da internação no hospital ou em outro local que for dar à luz, a gestante leve essa manifestação escrita e entregue ao médico ou à sua equipe para que suas vontades sejam respeitadas ao máximo”, completa o profissional.

A empresária e doula Carla Arruda, mãe do Henrique, 4 anos e da Heloisa, 2, teve seus dois partos domiciliares, mas apenas no segundo fez um plano de parto. “Embora confiasse na equipe que me assistiu, eu fiz questão de colocar alguns detalhes que não poderiam ser esquecidos, como ter silêncio na hora do nascimento, não ter intervenções da obstetriz – apenas que ela garantisse meu bem-estar e segurança –, poder pegar a bebê juntamente com o meu marido, ficar com a bebê no colo. Anotei os alimentos que eu gostaria de comer, os telefones das pessoas que deveriam participar do parto (doula, fotógrafa) e, em caso de emergência, para qual hospital eu deveria ser levada. No final deu tudo certo e tudo acabou acontecendo da forma que eu planejei”, conta.

E se o plano de parto não for respeitado?

Esse documento manifesta os desejos da mãe em relação ao nascimento do bebê, mas não implica impor o que o médico pode ou não fazer em casos de emergência. Por exemplo, se na tentativa de parto normal acontecer alguma coisa que possa prejudicar