Especial "Bem nascer": Conheça os diferentes tipos de parto


Existem várias formas de uma mulher dar à luz: parto normal, cesárea, humanizado... Conheça as principais maneiras de trazer um bebê ao mundo e saiba os riscos e benefícios de cada uma!

Tem mãe que começa a planejar o parto assim que descobre a gravidez. Já outras deixam para pensar sobre o assunto mais próximo ao nascimento do bebê. Seja qual for o caso, uma coisa é certa: decidir como trazer um filho ao mundo não é uma tarefa simples. Primeiro, porque não depende apenas da vontade da mulher. Também a família tende a influenciar o processo de escolha, bombardeando a futura mamãe com diferentes palpites: “A cesárea é melhor porque não dói”; “Parto normal tem recuperação mais rápida e você fica mais perto da criança”; “Dar a luz na água pode ser perigoso para o recém-nascido”... Para esclarecer alguns mitos e ajudar na decisão pelo tipo de parto, confira os benefícios e os riscos que cada um possui. E não se esqueça de sempre manter seu médico ciente das opções que fizer.

Parto normal

Como é feito: é o parto via vaginal mais realizado no Brasil. Embora muitos hospitais tenham reduzido as intervenções na hora de a gestante dar à luz, existem equipes médicas que acabam adotando alguns procedimentos como aplicação de anestesia, corte no períneo para facilitar a saída do bebê e soro para induzir as contrações.

Quem pode fazer: todas as gestantes que não possuem restrições, tais como placenta prévia (quando ela se posiciona no colo do útero), bebê transverso (deitado), herpes genital e alguns tipos de doenças cardíacas.

Benefícios: é uma técnica bem menos invasiva se comparada à cesárea, possui baixo risco de infecção, a recuperação da mulher é mais rápida, o volume de sangramento é reduzido e há menor chance de prematuridade. “Por ser um parto realizado em ambiente hospitalar, há mais agilidade nos casos de urgências, como a reanimação neonatal e intervenções nas complicações maternas, o que contribui muito nos casos de gestações de alto risco”, explica Laila Kimie Yamashita, ginecologista e obstetra.

Riscos: pode acontecer um corte natural no períneo na fase de expulsão do bebê. “Mas é só suturar com anestesia local. Também existem técnicas para prevenir a laceração do períneo. Ao contrário da laceração natural, uma episiotomia (corte no períneo para facilitar a saída do bebê) rompe o tecido muscular, que não se regenera, podendo provocar incontinência urinária”, alerta a doula Mariana Estevo Cristiano Garcia.

Tempo de recuperação: apesar de ser imediata para os casos em que não há cortes ou lacerações, é recomendado que a mulher tenha cautela durante 40 dias para regressão uterina. No entanto, desde o primeiro instante após o parto, ela já estará apta para cuidar sozinha do bebê.

Anestesia: Pode ser aplicada a epidural ou a locoregional, com cautela e boa indicação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas 15% dos partos deveriam ser cesárea, incluindo nesse número as gestações de risco.

Parto cesáreo

Como é feito: trata-se de uma cirurgia, com duração média de 40 a 60 minutos, em que é realizada uma incisão transversa na parte baixa do abdômen, possibilitando a abertura e o fechamento das camadas da pele, promovendo o nascimento do bebê em tempo hábil para evitar complicações. “No entanto, esse tipo de parto só deve ser realizado em ocasiões que apresentem riscos de vida materno ou fetal”, adverte a ginecologista Laila.

Quem pode fazer: qualquer mulher pode optar por esse parto, desde que não haja restrição à anestesia, mas ele só é indicado em casos de extrema necessidade – se o bebê estiver no sentido transversal na barriga da mãe, quando existe sofrimento fetal, em casos de descolamento de placenta ou placenta prévia, risco de ruptura do útero e entre outros.

Quem não pode fazer: é contraindicado para gestantes que não querem ser submetidas à técnica cirúrgica e não pode ser realizado quando o parto já está em fase avançada do período expulsivo.

Benefícios: dependendo do caso, pode salvar a vida de mãe e filho. Além disso, pode ser programado com antecedência, reduzindo o tempo e as dores do trabalho de parto (por conta da anestesia).

Riscos: “Estudos comprovam que a cesárea eletiva, principalmente quando prematuramente realizada (sem que a gestante entre em trabalho de parto ou antes das 39 semanas), poderá trazer aumento de mortalidade neonatal, necessidade de internação em UTI, uso de antibióticos e mais tempo de permanência no hospital, além de maior risco de sangramento, infecção, prematuridade do bebê, aderências cicatriciais, hérnias incisionais, alergias e complicações anestésicas”, lista a obstetra.

Tempo de recuperação: 40 dias para recuperação total, mas a sensibilidade no local do corte pode demorar até seis meses para ser recuperada.

Anestesia: a mais usada é a peridural, mas pode-se utilizar a raquianestesia ou anestesia geral.

Parto humanizado

Como é feito: a principal característica desse parto é o respeito às escolhas da gestante, que conta com uma equipe de diferentes profissionais para auxiliar todas as etapas do momento mágico que é o nascimento. Embora seja a técnica que mais tem crescido no Brasil nos últimos anos, ainda são poucos os grupos com a experiência necessária para realizar esse procedimento da melhor forma possível. “Esse método é centrado na figura da mulher, a qual é orientada durante o pré-natal a atuar como protagonista. Sempre aguardamos o começo do trabalho de parto, respeitando o momento considerado propício para a maturidade fetal, incentivando que o recém-nascido passe por todas as fases do nascimento, participando ativamente deste evento e nascendo preparado para os próximos que virão”, enfatiza a obstetra.

Quem pode fazer: toda gestante que realmente deseja passar por essa experiência e não tiver nenhuma indicação formal de cesárea (citadas anteriormente) – desde que acompanhada por profissionais competentes –, poderá optar pelo parto humanizado, “independentemente de seu peso, altura, idade, etnia, biótipo, posição ou localização do cordão umbilical, apresentação cefálica ou pélvica, gemelaridade, diabetes, hipertireoidismo e hipertensão”, esclarece a obstetra.

Quem não pode fazer: mulheres com indicação de parto cesáreo.

Benefícios: é o parto que mais respeita as escolhas da gestante, além de permitir e incentivar a participação da família, como pai, outros filhos e avós.

Riscos: quando realizado por uma equipe pouco qualificada e despreparada, a gestante pode não ter suas vontades atendidas, bem como mãe e filho podem não receber um tratamento adequado em casos de alguma complicação.

Tempo de recuperação: 40 dias para o regresso do útero, mas a mãe, logo depois do parto, já pode cuidar do bebê sem nenhuma ajuda.

Anestesia: assim como qualquer intervenção, sempre com indicação precisa e consentimento ou escolha da gestante.

Evolução

Antigamente, as mulheres que engravidavam recorriam a parteiras ou outras mulheres mais experientes na hora do nascimento de seus filhos. E, como não havia muita estrutura naquela época, era muito comum que os partos fossem realizados em casa. Com o tempo, a medicina se tornou mais acessível, possibilitando que as gestantes pudessem ter seus bebês em hospitais, contando com a ajuda de anestesias, medicamentos e até intervenções cirúrgicas. Hoje, percebemos um movimento contrário, novamente: devido à humanização e à valorização do parto que respeita as escolhas da mulher, o momento do nascimento se tornou mais fisiológico e natural.

Parto natural

Como é feito: trata-se de um parto normal sem medicamentos, anestesia e intervenções clínicas desnecessárias. “É como o parto dos mamíferos, ou seja, natural como ele aconteceria na natureza. Pode ser feito em casa, em uma casa de partos ou em hospitais”, afirma a doula Mariana. Porém, deve ser assistido por uma equipe capacitada para dar suporte caso ocorram imprevistos.

Quem pode fazer: gestantes de baixo risco.

Quem não pode fazer: pacientes que têm necessidade de cesariana (citado anteriormente) ou alguma indicação de intervenção medicamentosa durante o trabalho de parto.

Benefícios: são os mesmos citados no parto normal, porém, o fator emocional é muito valorizado. “Sem as intervenções, a mulher conhece seus limites reais de dor e exaustão, o que favorece seu autoconhecimento, melhorando a autoconfiança”, cita Mariana.

Riscos: é preciso que haja uma equipe de saúde junto à gestante para monitorar os batimentos do bebê na fase ativa do trabalho de parto. “Em caso de sofrimento fetal, especialistas têm que estar a postos caso haja indicação de cesárea”, alerta a doula. Outro risco é a laceração vaginal.

Tempo de recuperação: imediata, porém, é recomendado esperar 40 dias até o útero regredir de tamanho.

Anestesia: não tem.

Parto a fórceps

Como é feito: embora não seja uma prática muito aceita hoje em dia, é uma manobra que pode ser utilizada pelos obstetras quando ocorre risco de anoxia (falta de oxigênio para o bebê) no período expulsivo, evitando assim um parto cesáreo desnecessário. “Duas ‘colheres’ se encaixam na cabeça do bebê e, sob tração, o médico ajuda na expulsão do polo cefálico antes que aconteçam complicações. Em mãos hábeis e com indicações precisas, são realizados com sucesso e sem maiores consequências para mãe e filho”, explica Laila.

Quem pode fazer: a gestante que receber indicação médica para tal procedimento, lembrando que ele só deve ser realizado com autorização da mulher.

Quem não pode fazer: quem tiver recomendação de cesárea ou quem não autorizar o método.

Benefícios: evita que o médico realize a cesárea e torna a fase expulsiva do bebê mais rápida.

Riscos: laceração do canal vaginal, lesão reversível no polo cefálico do bebê e evolução para parto cesáreo.

Tempo de recuperação: o mesmo tempo do parto normal.

Anestesia: locoregional ou raquidiana.

Parto de cócoras

Como é feito: também via vaginal, a gestante adota a posição de cócoras para ficar mais confortável, ter menos dor, aumentar o diâmetro pélvico e possibilitar o esforço direcionado, abreviando o nascimento.

Quem pode fazer: qualquer gestante que escolher realizar um parto humanizado ou natural, desde que não haja indicação de cesárea.

Quem não pode fazer: mulheres que necessitem de cesárea ou que não possuem equipe médica qualificada.

Benefícios: “O período expulsivo é mais rápido quando comparado a partos em outras posições. Além disso, há menos dor no momento do nascimento, maior satisfação após o parto e menor trauma perineal, com puerpério e amamentação mais precoces e efetivos”, explica a obstetra Laila.

Riscos: quando bem acompanhado, não possui riscos, no entanto, podem ocorrer algumas lesões perineais.

Tempo de recuperação: o mesmo que o parto normal.

Anestesia: não tem, mas pode-se fazer uso da locoregional ou raquidiana, caso a gestante solicite.

Parto na água

Como é feito: durante o parto humanizado, a mulher pode ficar na água, pois a técnica age como um analgésico natural e melhora as contrações. “A gestante é colocada em uma banheira com água morna na temperatura entre 36 e 38°C durante o trabalho de parto, após uma dilatação maior que 5cm, aumentando a frequência das contrações uterinas. Com isso, o parto pode evoluir para o período expulsivo sem complicações e o nascimento ocorrer dentro da água”, explica Laila.

Quem pode fazer: todas as gestantes sem indicação de cesárea e infecções.

Quem não pode fazer: mulheres grávidas de bebês prematuros (menos de 37 semanas de gestação).

Benefícios: ocorre o relaxamento muscular profundo e o alívio da dor da gestante em trabalho de parto. “Para o bebê, o parto na água relaciona-se a uma experiência menos traumática, pois proporciona uma mudança térmica menos agressiva, além do contato imediato com a mãe e uma adaptação menos radical a vida extrauterina, passando do meio líquido para o líquido”, salienta a doutora.

Riscos: os mesmos do parto normal, mas é preciso que a equipe médica seja cautelosa em relação à infecção que pode acarretar na mãe e no recém-nascido.

Tempo de recuperação: imediata, porém, a mãe precisa respeitar o regresso do útero, que ocorre depois de 40 dias.

Anestesia: não tem.

Por Jaqueline Lopes

Nossas fontes

Laila Kimie Yamashita, ginecologista e obstetra na clínica Splena, de Bauru (SP)

Mariana Estevo Cristiano Garcia, doula, de São Carlos (SP)

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