Deixar filho chorando no berço pode ser prejudicial para o desenvolvimento emocional do bebê

Estudos comprovam que amparar a criança que chora durante a noite ajuda no seu desenvolvimento emocional e faz com que ela lide melhor com o estresse

 

 

“Você vai deixar essa criança manhosa e birrenta!”. “Se você pegar o bebê a cada resmungo, ele não aprende a dormir sozinho”. Essas são algumas das justificativas dadas pelos adeptos da teoria de que as crianças, quando acordam durante a noite, não devem ser acolhidas ao primeiro sinal de choro. Contudo, um recente estudo realizado pelo médico especialista James McKenna, diretor do Laboratório do Sono da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, aponta que esse hábito pode ser prejudicial para o desenvolvimento emocional do bebê.

 

Na pesquisa, foi constatado que há uma zona no cérebro da criança encarregada de controlar o estresse e a ansiedade, que se desenvolve até os três anos de idade. Se durante esse período o bebê enfrentar doses elevadas de estresse, como a sensação de desamparo causada pela falta de acolhimento após um choro, isso pode prejudicar a sua capacidade de lutar contra o estresse para sempre.

 

“Um bebê QUE CRESCE SOB forte dose de ESTRESSE tende a se TORNAR uma criança mais RECLUSA, com BAIXA AUTOESTIMA e que DESCONFIA

DE TODOS à sua volta, além de ter DIFICULDADE DE LIDAR

com suas EMOÇÕES.”

James Mckenna

 

A lógica da ciência

“Antigamente os pais tinham o costume de deixar o bebê chorando no berço, para que ‘aprendesse que ele não pode controlar a família’, ‘aprendesse a ficar sozinho’ ou outras explicações semelhantes. Hoje pesquisas apontam que as crianças que recebem acolhimento logo que começam a chorar têm uma redução no choro em longo prazo e tendem a se tornar adultos mais seguros”, destaca o especialista Roberto Debski, médico e psicólogo.

 

A explicação é simples: o bebê que é acolhido sente-se protegido e, com isso, os choros tendem a diminuir de forma natural e saudável. Da mesma forma, a criança que chora até cansar também tende a diminuir esse comportamento, porém não de maneira saudável. 

 

Desamparo aprendido

O bebê que dorme sozinho após tanto chorar cai no sono por esgotamento ou porque percebeu que não adianta berrar. “Neste caso, a criança instala o comportamento chamado ‘desamparo aprendido’, que pode levá-la a ser mais insegura durante seu processo de crescimento e desenvolvimento”, explica Roberto. Além disso, para o especialista é importante lembrar que um bebê pequeno não consegue aprender lições. “Ele não tem um julgamento de seu comportamento ou o dos pais, ele não age com intenção de obter alguma resposta, simplesmente reage a sensações e sentimentos através da linguagem que conhece, o choro”, aponta.

 

O ciclo do sono de um bebê é de 60 MINUTOS

 

Investigue as causas

É normal que um bebê acorde inúmeras vezes durante a noite, pois o ciclo de sono dele é diferente dos adultos – a criança tem ciclos de sono de sessenta minutos. Isso significa que cerca de uma hora depois que adormece, ela volta à fase de sono leve, momento na qual muitas acordam devido a algum incômodo: calor, frio, fome, fralda molhada etc.

Esses intervalos de sono tranquilo tendem a aumentar com o passar do tempo, mas, caso seja percebida alguma anormalidade no comportamento do bebê, é preciso buscar um especialista para que sejam descartadas todas as causas físicas que possam interferir no sono da criança.

 

“Em caso de dificuldades para dormir, devem ser investigadas possíveis modificações no comportamento e horários do bebê. Alterações físicas ou eventuais incômodos também podem influenciar. Existe todo um protocolo de pesquisa para ver se há necessidade de algum tipo de intervenção – comportamental ou medicamentosa. Até que seja amplamente esclarecido, é necessária a atenção e consulta de um pediatra”, alerta José Gabel, membro do Departamento de Cuidados Domiciliares da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

 

 

Não era manha

Hoje, aos nove anos, Vinicius dorme bem a noite toda, como qualquer garoto da sua idade. Mas desde seu nascimento até por volta de um ano e meio de vida, as suas noites de sono – dele e de sua mãe, a psicóloga Patrícia Backes – eram bastante conturbadas. “Ele tinha sono inquieto, resmungava, gemia e acordava em intervalos menores que uma hora”, explica a mãe.

 

O choro de Vinicius foi investigado exaustivamente pela mãe e médicos. O primeiro diagnóstico foi refluxo gastroesofágico, mas foi só com a identificação da alergia alimentar que o menino sofria que as noites na casa de Patrícia passaram a ficar mais calmas. "Nosso caso tratava-se de um problema de saúde, mas, de qualquer forma, aprendi que em hipótese alguma devemos ignorar o choro de um bebê", completa.

 

Preparando o ninho

Criar um ambiente que estimule o sono, seja à noite ou para as sonecas durante o dia, ajuda a criança a ter uma relação mais tranquila com a hora de dormir. Confira algumas dicas:

1. Escureça o quarto com cortinas e desligue as luzes do cômodo.

2. Use sons estáticos, especialmente aqueles que se assemelham ao barulho do útero. Há vários aplicativos que simulam esse tipo de ruído, sem falar nos que disponibilizam sons típicos da natureza, como mar, cachoeira e vento, que ajudam a tranquilizar a criança.

3. Fique de olho na temperatura do ambiente. Saiba que tanto o frio quanto o calor em excesso podem atrapalhar o sono do bebê.

4. Crie uma rotina para a criança, determinando os horários adequados para cada atividade, inclusive o sono.

5. Não descuide das sonecas. Crianças pequenas precisam de pequenos intervalos de sono durante o dia para se manterem tranquilas.

 

“O CHORO É uma forma de COMUNICAÇÃO do bebê, que INDICA que ele tem ALGUMA NECESSIDADE, seja física ou emocional.”

Roberto Debski

 

Por Natália Ortega

Nossas fontes:

José Gabel, membro do Departamento de Cuidados Domiciliares da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP)

Roberto Debski, médico, psicólogo e diretor da Clínica Ser Integral

 

Este conteúdo é compartilhado pelo Programa Escolas do Bem, do Instituto Noa

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