Dor de barriga? Pode ser apendicite!

 

 

 

Essa inflamação na região abdominal é caso de urgência e deve ser tratada com cirurgia

 

 

Não é raro criança apresentar dor de barriga. Mas, quando ela vem forte, persistente, localizada do lado direito do abdômen e acompanhada de perda de apetite e náuseas, o sinal de alerta deve ser ligado: pode ser apendicite.

 

Esse é o nome que se dá para a inflamação do apêndice, uma pequena bolsa no intestino, entre o delgado e o grosso, e que não tem função no processo digestivo. “O principal sintoma é a dor abdominal, acompanhada, em 90% dos quadros, de perda do apetite. Náuseas e vômitos podem estar presentes, já a febre costuma aparecer após 24 horas de evolução”, explica o cirurgião geral Thiago Ferreira.

 

De acordo com ele, a apendicite é rara em crianças menores de 5 anos. Estatisticamente, ela acomete mais homens do que mulheres e também a população de países com baixa ingestão de fibras na dieta, porém não existem grupos comprovadamente com maior probabilidade de desenvolver a doença. “O que existem são condições ou situações especiais como, por exemplo, a apendicite aguda durante a gravidez”, frisa.

 

Atenção aos sintomas

Geralmente, tudo começa com uma dor de barriga intensa e persistente, que pode se iniciar no umbigo e irradiar para o lado direito. Em crianças entre 5 e 12 anos, esse sinal aparece em mais de 80% dos casos, seguido de náuseas e  perda do apetite. Também podem ocorrer vômitos, febre e diarreia. “Classicamente a dor é descrita de forma mal caracterizada, às vezes como um desconforto, de início na região acima ou ao redor do umbigo, que evolui após aproximadamente 12 horas, localizando-se no quadrante inferior direito do abdômen, conhecido como fossa ilíaca direita”, descreve o médico.

 

Automedicação atrapalha diagnóstico

Foi o que aconteceu com Felipe Augusto Zinatto Nardacioni, de 12 anos. Ele começou se queixando de dor abdominal. “Primeiro dei um remédio antigases, achando que podia ser isso. Não adiantou. Isso aconteceu por volta de 2h da madrugada. Em seguida, mediquei com um analgésico e também não resolveu. Resolvi levá-lo ao pronto-socorro. A médica suspeitou, pediu hemograma, raio x e exame de urina. Medicou, mas nada tirava a dor. Ele também reclamava de náuseas”, conta Fátima Regina Zinatto, mãe do garoto.

 

O exame de sangue apontou infecção, mas nem o raio x, nem o ultrassom  detectou o problema. “Deu para ver apenas que havia uma infecção chamada linfadenite mesentérica, que é uma consequência da apendicite”, conta a mãe.

 

Mesmo assim, a médica optou pela cirurgia. “Meu marido questionou a necessidade da operação, mas ela afirmou que preferia realizá-la e não encontrar nada, do que não fazer e o quadro piorar.”

 

As ESTATÍSTICAS COMPROVAM que a apendicite acomete MAIS HOMENS do que mulheres, principalmente pelo BAIXO NÚMERO DE FIBRAS.

 

Não deu outra: era apendicite e, de acordo com a profissional, o local já estava infeccionado há muito tempo. “Dois meses antes, Felipe havia tido uma dor forte e eu levei ao PS imaginando ser apendicite. Passei a noite lá, ele tomou medicação, só que melhorou e no ultrassom também não apareceu nada. O médico deu antibiótico e dispensou, dizendo que era pra voltar imediatamente caso a dor reaparecesse. Eu achei que estava tudo certo. Às vezes ele reclamava de dor de barriga, mas eu pensava que era manha, pois ele reclamava na hora de estudar”, destaca Fátima.

 

Principais sintomas:


Dor abdominal intensa e persistente (começa
no umbigo e depois irradia para o lado direito)
Náuseas e vômitos
Perda de apetite
Febre
Diarreia

 


Diagnóstico

A dor mal localizada ao redor do umbigo, que em questão de horas migra para o lado direito do abdômen, tornando-se restrita a um ponto bem determinado, é o sintoma mais típico da apendicite. Ela acontece em mais de 60% dos casos. Geralmente, ao atender um paciente com este quadro, o médico já desconfia de apendicite.

 

Porém, o cirurgião geral Thiago Ferreira lembra que podem ocorrer quadros atípicos, como dor em outra localização qualquer na barriga, o que torna o diagnóstico precoce da apendicite aguda um desafio para os médicos, mesmo nos dias atuais. “Apesar do avanço tecnológico, o diagnóstico da apendicite aguda ainda é feito, basicamente, com a história clínica, o exame físico e um exame de hemograma na maioria dos casos”, resume.

 

O problema NÃO É COMUM em
​crianças MENOSRES DE 5 ANOS.

 

Tratamento

A apendicite é um mal silencioso, impossível de prevenir e que precisa ser tratado com urgência. A cirurgia ainda continua sendo a melhor opção, embora em casos selecionados, o médico pode orientar a fazer um tratamento alternativo num primeiro momento, com a cirurgia sendo indicada em um momento posterior, segundo explica Thiago. “Normalmente os pacientes diagnosticados e operados em até 48 horas após o início dos sintomas apresentam menores índices de complicações”, ressalta.

 

A recuperação da operação depende do tempo, do diagnóstico e do procedimento cirúrgico necessário para a resolução do quadro. “Os pacientes operados por laparoscopia, diagnosticados com quadros iniciais, normalmente se recuperam rápido, deixando o hospital após dois dias de pó- operatório. Já os pacientes submetidos a cirurgias de maior porte, como a laparotomia exploradora com necessidade de ressecção de segmentos intestinais, podem permanecer internados, para recuperação, durante semanas”, detalha o médico.

 

Pode complicar

Embora seja resolvida com uma cirurgia comum e sem grandes consequências, a apendicite, se não for tratada, pode causar peritonite (infecção generalizada da cavidade abdominal), já que o apêndice inflamado pode estourar e bloquear o intestino. A peritonite pode ser fatal.

 

Por Rose Araujo

Nossa fonte

Thiago Ferreira, médico cirurgião geral, membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

 

Este conteúdo é compartilhado pelo Programa Escolas do Bem, do Instituto Noa.

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