Hemofilia: controlar a doença pode influenciar positivamente no desenvolvimento da criança

 

A hemofilia, um distúrbio em que o sangue não coagula normalmente, pode ser diagnosticada ainda nos primeiros meses de vida do bebê e afeta, principalmente, meninos. Esta condição, muitas vezes, impede que a criança tenha uma vida normal devido aos graves sangramentos que podem ocorrer espontaneamente ou após pequenos traumas.

 

Atualmente, as crianças com hemofilia, acompanhadas e tratadas desde a primeira infância com métodos preventivos, chegam à idade adulta sem graves consequências, podendo atingir seus objetivos como qualquer pessoa sem a doença. Essa realidade, no entanto, é diferente para pacientes que desenvolvem inibidor (anticorpo) contra o fator de coagulação deficiente ao longo da vida. Hoje, esses pacientes precisam utilizar medicamentos chamados agentes de bypass, cuja eficácia é inferior quando comparado com as terapias para tratamento da Hemofilia A sem inibidor.

 

O tratamento de escolha para os pacientes que desenvolvem inibidor é a imunotolerância, que consiste na infusão frequente do concentrado de fator  na qual o paciente desenvolveu inibidor, para que  o sistema imune fique tolerante à esse fator  e não produza mais o inibidor. A chance de sucesso da   imunotolerância varia de 60-80%, portanto uma parte desses pacientes ainda continuam apresentando o inibidor.

 

Segundo a Dra. Alessandra Nunes Loureiro Prezotti,  coordenadora do Centro de Hemofilia do Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes), apesar de ainda estar em fase de estudo, essa nova possibilidade sugere uma redução importante nos episódios de sangramento, administrada de forma profilática, garantindo à este paciente uma melhor qualidade de vida e menos lesão articular. “O controle dos sangramentos leva à uma redução do numero de faltas escolares e possibilita uma vida mais normal, onde a criança pode brincar, interagir com os colegas, praticar atividades físicas, garantindo desta forma, o crescimento físico, cognitivo e emocional”, afirma a médica.

 

Para a especialista, tratar os pequenos pode estar se tornando cada vez mais simples, uma vez que pesquisadores do mundo todo buscam opções terapêuticas com outras formas de administração, que possam reduzir o sofrimento dos pacientes. Por isso, o medicamento que está sendo estudado é a primeira terapia que pode ser administrada de forma subcutânea. “As novas opções terapêuticas  mostram a evolução no tratamento da hemofilia, não só na forma de aplicação do medicamento como também na  busca de maior eficácia para controle dos sangramentos  . Isso trará mais qualidade de vida, liberdade e simplicidade no acompanhamento da doença, tanto para os pacientes quanto para seus cuidadores”, finaliza a especialista.

 

Fonte: Dra. Alessandra Nunes Loureiro Prezotti,  coordenadora do Centro de Hemofilia do Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes).

 

Este conteúdo é publicado na revista NA MOCHILA e compartilhado pelo Programa Escolas do Bem, do Instituto Noa.

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